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Mundo Sombrio (Capitulo 15)

_ Essa voz...Pietro! _ Nicolai ouviu uma risada em algum canto de seu quarto. Pela risada, Nicolai pode identificar onde Pietro estava. Ele virou seu rosto para a esquerda, e fez uma cara séria, pois tinha certeza que estaria olhando para Pietro se pudesse enxergar.
_ Hahaha... Você realmente tem um bom senso de direção. _ disse Pietro, vendo que Nicolai o achou.
_ Como você entrou aqui?
_ Eu tenho minhas habilidades. Uma parede e uma porta trancada não são motivos para me parar.
_ O que você quer? Veio me deixar cego de vez.
_ Haha, olha que não seria má idéia. _ Nicolai retirou alguns centímetros de sua espada da bainha. _ Calma, eu estava brincando.
_ Então...?
_ Já que você é o mandante desta missão, é necessário tirar algumas dúvidas quanto à execução dela.
_ Dúvidas? Suas ordens foram bem claras quanto a matar o mago. Será que é tão incompetente que não compreendeu a tarefa?
_ Oh! Tem sorte por eu levar essas ofensas na brincadeira. Mas como fui eu que brinquei com você primeiro, deixo passar. Voltando ao assunto, eu quero saber o que devo fazer a respeito de um novo integrante.
_ Novo integrante?

Episódio 15

As habilidades de Pietro

_ Que novo integrante? _ perguntou Nicolai, novamente.
_ Pelo que observei, parece ser amigo tanto da princesa quanto do mago. É um homem com cara de retardado. Um vagabundo que se relaciona com as mulheres aqui do reino. Pelo menos foi o que ouvi falar dele. Mas deixando isso de lado, ele tem cabelo verde...
_ Eu sei quem ele é. _ falou Nicolai, interrompendo-o. _ Como você já mencionou, é apenas um retardado. Ele não vai ser problema.
_ Eu não perguntei sobre ele me referindo a isso. Quero saber se também posso matá-lo.
_ Você é tão assassino assim, Pietro?
_ Eu gosto de me divertir com as vítimas.
_ Humpf, você é realmente um cara medonho. Tudo bem! Faça o que quiser com ele._
Nessa hora, Nicolai sentiu algo de estranho nos olhos. Pareciam estar voltando ao normal. Vagarosamente, ele abriu os olhos.
_ Oooh, parece que o meu ataque perdeu efeito. – disse Pietro, olhando para os olhos de Nicolai, que novamente enxergavam.
_ Espero que não use este ataque em mim novamente. _ disse Nicolai.
_ Apenas nos meus inimigos e em quem eu achar que mereça.
_ E eu ainda mereço?
_ Sim. Mas não posso fazer isso, pois tenho uma missão a cumprir. Missão essa que você solicitou por intermédio de nosso mestre Francis.
_ Mesmo que eu me mantenha informado sobre sua missão através do Mestre Francis, eu posso levantar suspeitas por estar falando muito com ele. Todos sabem que nenhum dos três líderes simpatiza com o braço direito de Loeb..._ Nicolai ficou de pé e olhou para Pietro_ Existe algum jeito de você me informar diretamente?
A pergunta de Nicolai fez Pietro pensar bastante. Ele demorou alguns segundos para responder.
_ Ah, sim. Existe um modo. Através de meu tele-transporte.
_ Tele-transporte?



_ Eu posso viajar para lugares específicos instantaneamente. Basta apenas me concentrar.
_ Entendo. Então foi assim que entrou no meu quarto. Você é um “especial”, não é? Uma pessoa que carrega certas habilidades a partir das esferas “Volaki”. Francis me contou a respeito desses tipos de pessoas.
_ Me admira Francis ter contado isso a você, principalmente sobre as esferas. Não são todas as pessoas que sabem sobre elas.
_ Com essa habilidade, você pode se tele-transportar para cá, e me informar?
_ Sim. Mas existem alguns requisitos para que isso aconteça.
_ Que tipos de requisitos?
_ Primeiro, irei explicar como os meus poderes funcionam. Na verdade, eu não me tele-transporto pensando no lugar, mas sim em uma pessoa. Somente através dessa pessoa, eu posso me tele-transportar. Para isso, é necessário um tipo de conexão.
_ Conexão? _ Pietro retirou sua luva direita e mostrou a palma de sua mão para Nicolai. Havia uma figura desenhada nela. _ Uma mascara? _ Era uma mascara de tragédia.
_ Esse símbolo é uma conexão entre eu e meus aliados. Apenas posso me tele-transportar para perto de meus aliados, em caso de longas distâncias. Se a distância for menor, como no caso do corredor e aqui dentro do quarto, eu posso me tele-transportar sem problemas, mesmo não tendo nenhum aliado por perto. Mas se você quer que lhe mande informações, o único jeito é aderir minha conexão.
_ E como eu faço isso?
_ Me dê seu braço! _ ordenou Pietro. Nicolai correspondeu, e esticou seu braço para frente. Pietro tocou a palma de sua mão direita no braço de Nicolai.
_ O que vai fazer? _ perguntou Nicolai, estranhando.
_ Relaxa! Vai ser rápido!
Uma luz roxa podia ser visto saindo da palma da mão de Pietro. Nicolai sentia seu braço esquentar a cada segundo. Era como se algo estivesse sendo desenhado em seu braço. Ele podia sentir as linhas sendo feitas, que futuramente se tornariam um desenho. Pietro ria enquanto executava o símbolo. Nicolai sentiu uma leve dor, mas nada que o incomodasse muito.
Pietro desgrudou a mão do braço de Nicolai, que por sua vez, olhou para a figura. Era a mesma que estava na palma de Pietro. Ele passou a mão sobre ela cautelosamente. A região da figura estava quente. Ele deslizou seu dedo sobre a figura feita de linhas negras.
_ Essa marca...ela é permanente? _ perguntou enquanto a olhava.
Pietro fez uma pouco de cerimônia novamente, mas respondeu.
_ Não. Existe uma maneira dessa marca sair.
_ E qual seria?
_ Minha morte. Se eu não mais existir, não há motivos para vocês carregarem isso pelo corpo. Entretanto, deixe-me contar algo essencial sobre esta conexão que ainda não mencionei. Meus aliados...nunca poderão me matar. Se alguns deles o fizer, esta pessoa será morta na mesma hora em que ela me matar. Então, pense bem antes de retirar sua espada contra mim.
_ Desgraçado! _ Nicolai irritou-se com a informação _ Você só me avisa isso depois disso tudo. Estava apenas garantindo sua imunidade contra mim.
_ Haha, foi você quem perguntou me pedindo ajuda. E eu o ajudei. Agora você tem como obter minhas informações.
Voltando a este assunto, e esquecendo um pouco sua irritação por Pietro, Nicolai perguntou:
_ Com que freqüência você me trará estas informações?
_ No instante que lhe achar mais conveniente. Apenas me chame mentalmente e eu aparecerei em alguns segundos. Então, enquanto eu estiver seguindo o mago, irei me tele-transportar para cá quando eu for chamado por você.
_ Espere, você disse que seu tele-transporte é baseado nas pessoas que possuem este símbolo, não é? Então como vai fazer para se tele-transportar para perto do Melvin, se ele não possui sua conexão?
_ Quando eu faço o tele-transporte através de uma conexão eu tenho alguns minutos que me possibilitam retornar a minha posição anterior a do tele-transporte.
_ Além de deixar as pessoas cegas, você ainda tem essa habilidade.
_ Meu tempo está acabando _ disse Pietro virando-se. _ Em breve, eles sairão do reino. Tenho que estar próximo quando isso acontecer ou posso perdê-los de vista...Mas antes, deixe eu lhe perguntar uma coisa _ Nicolai o olhou atentamente_ O motivo pelo qual você quer que eu mate esse mago, é porque ele está tirando a Sarah de você?
_ Exato...Com Melvin morto, terei mais chance de reconquistar Sarah.
_ Hahaha... se esse é o caso, e se sente tanto ódio por este homem, você não deveria matá-lo...com suas próprias mãos.
Nicolai o encarou.
_ Bem que queria, mas eu não tenho força suficiente para fazer isso.
Pietro abriu um sorriso antes de falar em um tom tentador.
_ Eu posso lhe ajudar. _ Nicolai analisou a feição de Pietro. Realmente, se tivesse a oportunidade, Nicolai mataria Melvin.
_ Você...sabe como eu posso matar um mago? _ perguntou mostrando um sorriso. Sua expressão enchendo-se de esperança, mas mantendo um olhar sombrio. _ Pietro riu após sua pergunta.
_ Siga a estrada para fora do reino. E depois do campo, entre na floresta à leste. _ Pietro pronunciou sua última frase enquanto seu corpo desaparecia lentamente. _ Você deve me esperar lá!
Nicolai observou o corpo dele desaparecer por completo. Ele então fechou os olhos e refletiu.
Nicolai: Será que o que ele disse é verdade? Existe uma maneira de matá-lo...
Seus olhos abriram ligeiramente mostrando seu olhar frio.
Nicolai: Com minhas próprias mãos!

Continua...

Próximo episódio: Finalmente Melvin, Sarah e Billy percorrem seus primeiros passos fora de Seylor, entretanto, não sabem quem os vigia.

Episódio 16: A partida



Referências:
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Mundo Sombrio (Capitulo 14)

Sozinho em seu quarto, Nicolai estava deitado na cama. Seus olhos fechados, pois sua visão ainda não havia voltado. Sua mente fixava-se em trazer Sarah de volta a ele. Não queria nem pensar o que seria dele, caso não conseguisse. O que importava era ter sua amada ao seu lado.
Em meio a tantos pensamentos, acabou se aprofundando em sua memória junto a Sarah. Ele começou a recordar seus momentos desde que a viu pela primeira vez.


Episódio 14

Lembranças do cavaleiro e a princesa

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14 anos atrás

Sarah observava as ondas do mar, sentada na areia. O som feito pelas ondas também a agradava. Trazia uma sensação de tranqüilidade.
Mas um outro som cortou sua relação de tranqüilidade com o ambiente. Vinha de alguém que parecia estar se esforçando. Ela olhou para o lado, e viu em frente ao panorama amarelado do céu, uma criança quase de sua idade treinando com uma espada de madeira.
_ Um menino! _ disse ela, enquanto olhava o garoto de cabelos loiros cortar o vento com sua espada. Junto com suas ofensivas, ele dava gritos de bravura. O suor saltava de sua pele, enquanto executava seus movimentos.
Sarah levantou-se e andou lentamente em direção aquele desconhecido garoto, que por sua vez ainda não havia percebido a presença dela naquele lugar. Foi só quando ela parou a poucos metros dele, que ele interrompeu os movimentos de seu braço para olhar a menina. Sarah nada falou no primeiro momento, tão pouco o garoto que ficou encantado com a beleza dela. Os dois olharam olho no olho, até que Sarah desviou seu olhar sobre os olhos dele.
_ Olá! _ cumprimentou Sarah.
_ Oi. _ disse o garoto timidamente, ainda apreciando a beleza que estava vendo. Sarah, percebendo que ele não falaria nada, iniciou a conversa.
_ Você...é novo aqui, não é?
_ Errr...sim. Eu cheguei aqui em Seylor faz duas semanas.
_ Eu não me referia ao reino. _ sorria ela _ Eu quis dizer aqui na praia.
_ Na praia?
_ Sim. Eu sou a única que visita este lugar a essa hora. Eu gosto de apreciar o fim do dia. No pôr-do-sol, encontramos as imagens mais lindas da vida. _ Sarah olhou para o sol se pondo. O garoto fez o mesmo.
_ Tem razão. É uma bela imagem! _ concordou ele. Sarah deu um sorriso ao ouvir as palavras do menino, mas sem tirar o olhar da vista.
_ Hoje, o cenário está um pouco amarelado. Mas não importa a cor, sempre será belo. É isso que venho ver todos os dias aqui na praia. _ Sarah voltou seu olhar para o menino _ E você?



O menino a olhou.
_ Eu, na verdade, nunca vim a este lugar antes. Só estava procurando um lugar para treinar. Um lugar que seja tranqüilo. E parece que achei.
_ Com certeza esse lugar é bem tranqüilo...Qual é o seu nome?
_ Ni...Nicolai.
_ Sarah! Prazer em conhecê-lo, Nicolai. _ disse estendendo a mão.
_ Eu também. _ disse apertando a mão da menina.
_ E então... por que você está treinando? _ perguntou continuando a conversa.
_ Bom, é que...
E assim foi durante todo o fim da tarde. Os dois conversaram até a noite cair. Eles marcaram de se encontrar novamente no final da tarde do dia seguinte. Mal sabiam que seria bem antes disso.
Quando Nicolai chegou em casa, encontrou seu pai sentado em uma poltrona o esperando.
_ Onde esteve? _ perguntou Hubert, levantando-se. _ Eu disse que deveria voltar antes do entardecer.
_ Desculpe, pai! Eu estava com uma garota.
_ Uma garota? Não acha que está muito novo para ter encontros com garotas?
_ Não é nada disso! Ela só estava no mesmo lugar que eu. Acabamos conversando e perdemos a noção do tempo. Só isso.
_ Ah, deixa isso pra lá. É melhor irmos logo.
_ Irmos? Pra onde?
_ Vamos jantar no castelo. Loeb está dando um jantar para os líderes e pessoas importantes do reino.
_ Jantar...no castelo.

Mais tarde...

Nicolai nunca havia entrado no castelo antes. Apenas o via de longe, enquanto andava pelo reino. Enquanto passava pelo portão principal, observava todos que também entravam no castelo. A maioria eram pessoas nobres. Nicolai ficou acompanhado do seu pai em todo o lugar para onde iam.
Ainda em seu quarto, Sarah era arrumada por sua mãe. Docemente, Mary escovava o cabelo da filha. As duas tinham muito em comum. O cabelo liso e castanho era a maior semelhança física entre elas. Sem contar que a beleza das duas era algo notável. E como se não bastasse, a personalidade de Sarah era idêntica a de sua mãe.
_ Porque meu pai tem que dar este jantar? _ perguntou Sarah.
_ A partir de hoje, os líderes do exército e suas famílias vão passar a morar aqui no castelo. Ele dará esse pronunciamento durante o jantar.
_ Mas porque ele quer que outras pessoas morem aqui conosco?
_ Seu pai acha que unindo mais as pessoas do reino, podemos ficar mais fortes. Pessoas unidas normalmente se tornam mais fortes.
_ Mas, nós nem os conhecemos direito.
_ Nesse ponto você tem razão. Mas se seu pai faz isso é porque ele tem confiança nas pessoas que estão ao seu lado.
Enquanto Sarah terminava de se arrumar, Hubert conversava com outras pessoas no grande salão do castelo usado para encontros, jantares e outros eventos. Seu filho parado ao lado dele, sentia o clima chato de conversa adulta. Seu pai parecia estar mais interessado em dar atenção aos amigos do que para o filho. Tudo foi monótono, até o momento que a viu descer pela escada. Ela estava mais bonita do que quando a viu na praia. Vestindo um brilhante vestido rosa, Nicolai se encantou com aquela imagem.
_ Sarah! _ disse ele, enquanto via Mary e sua filha descerem. Nicolai puxou a roupa do pai e apontou para a garota.
_ Olha, pai! Foi com aquela garota que conversei na praia.
_ O que?
Nesse instante, Loeb também desceu as escadas para o salão. Todos as pessoas desviaram seu olhar para o rei, a rainha e a princesa. E enquanto eles desciam as escadas, as pessoas se ajoelhavam.
_ É a família real. _ cochichou Hubert. _ Aquela garota é a filha do rei. Princesa Sarah.
_ Princesa...Sarah. _ Nicolai ficou um bom tempo olhando para ela. Agora, mais vislumbrado do que nunca por saber que aquela menina era uma princesa.

Nove anos depois...

Sarah acordava para mais um dia. A primeira coisa que observou foi a luz entrar pela janela do quarto. E a primeira coisa que ouviria seria o canto dos pássaros, se não fosse por um outro som. Algo que ela já havia escutado muitas vezes. Ao levantar aproximou-se da janela, e viu alguém treinando no térreo.
Sarah: Nicolai.
Sarah já estava acostumada a ver Nicolai treinando. Desde o dia em que eles se encontraram na praia, Sarah sabia dessa mania de treino dele. Sarah desceu e foi ao encontro dele.
_ Ora, ora! Já de manhã? _ perguntou ela se aproximando. Nicolai parou o treino com a espada, agora uma de verdade, e a olhou.
_ Estou tentando me acostumar com outro turno.
_ Quer dizer que vai trocar a tarde pela manhã?
_ Não. Também devo treinar no entardecer.
_ Mas por que? Já não basta ter treinado pela manhã? E aliás, não devia treinar tanto assim. Vai acabar ficando cansado.
_ Eu sei. Mas eu preciso.
_ Por que?
_ Quando eu completar 18 anos, eu me tornarei um cavaleiro de Seylor.
_ Você quer tanto se tornar um?
_ Um cavaleiro...protege tudo o que ama. Entretanto, um cavaleiro fraco não terá a força para proteger. Por isso, eu preciso me tornar forte. Meu pai não foi forte o suficiente para proteger minha mãe. Eu também não. Para proteger, precisa ter a força para proteger. E estou disposto a tudo para consegui-la. Treinar manhã e tarde é preciso, para que eu possa ser forte, e proteger o que amo.
_ E o que você ama? _ perguntou Sarah, ainda comovida pelas palavras de Nicolai. Para responder, Nicolai a olhou nos olhos.
_ Preciso proteger você. _ Sarah ficou ainda mais comovida com o que ouviu. Isso foi uma declaração indireta. Ela não sabia o que falar diante dele, que por sua vez ficou esperando alguma resposta.
Hubert chamou seu filho:
_ Nicolai! Vamos! _ gritou ele. Nicolai olhou para trás, e viu seu pai o chamando. Ele deu uma última olhada para Sarah, que nada falou. Então, ele correu, mirados pelos olhos de Sarah, que via alguém com o qual queria ficar perto. Em sua mente, algumas palavras, ficaram marcadas daquela conversa.
Nicolai: Quando eu completar 18 anos, eu me tornarei um cavaleiro de Seylor.
Nicolai: Preciso proteger você.

Dois anos depois



Sarah derramava suas lágrimas na grama. Estava ajoelhada diante de um túmulo escrito: Mary – Grande Rainha e mãe.
Nicolai, de pé, atrás dela, nada podia fazer para conter o choro de Sarah. Mesmo assim, ele tentou dizer algo.
_ Sarah...sua mãe...
_ Eu sei! _ disse ela enquanto engolia o choro, mas não se livrando de sua voz depressiva. _ Ela morreu para me proteger! Para proteger a todos nós. É isso o que todos dizem.
_ Eu...só queria lhe dizer o porque dela ter morrido. _ Sarah parou de chorar, para ouvir o que Nicolai diria. Entretanto, seu olhar manteve-se fixo no nome de sua mãe inscrito na pedra. _ ...E não apenas o dela, mas de todos aqueles que morreram nessa guerra. Eles morreram para proteger...o que amam. Talvez, seria bom lembrar não como ela morreu, mas porque ela morreu. Para lhe proteger...porque ela lhe amava. Sua mãe foi uma pessoa forte, porque ela conseguiu lhe proteger...não estou dizendo para não chorar, porque todos estamos chorando. Eu...também perdi o meu pai nessa guerra. _ Nicolai deu uma rápida olhada na direção da lápide de seu pai._ Mas não vou esquecer o que ele protegia. Isso eu não vou esquecer.
Depois dessas palavras, Sarah calmamente se levantou. Ela olhou para o céu do entardecer. O cemitério do reino ficava em suas montanhas a oeste. Então dali, ela podia ver o pôr-do-sol, sem elevar a cabeça.
_ Quando nos encontramos pela primeira vez na praia, ainda crianças, o céu estava amarelado...assim como está agora. _ disse ela. Nicolai aproximou-se, e colocou o seu braço sobre o ombro de Sarah, que por sua vez inclinou sua cabeça no peito dele. _ Pelo menos, eu ainda tenho você, meu pai, e meus amigos.
Nicolai não sabia, mas entre esses amigos, Sarah pensava em alguém de uma maneira especial.

Tempo atual

_ Naquela época...ela me amava. Nós nos amávamos. _ dizia Nicolai, ainda deitado na cama. Como não podia ver, não percebeu que mais alguém estava em seu quarto.
_ Pensando na Sarah? _ disse uma figura misteriosa. Nicolai levantou-se rapidamente olhando cegamente ao redor do quarto.
_ Essa voz...Pietro! _ logo depois, ele ouviu uma risada em algum canto próximo.

Continua...

Próximo episódio: As habilidades de Pietro


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Mundo Sombrio (Capitulo 13)

Em alguns minutos, Melvin e Sarah estariam na saída do reino. Por hora, ainda caminhavam pelas ruas lotadas de prédios e lojas. A rua na qual andavam era feita de pedaços de pedra que se encaixavam uma na outra. Havia alguns postes de ferro enfeitando a rua.
_ Sarah, essa sua amiga na Vila Tred, é aquela tal Alice? _ perguntou enquanto caminhavam.
_ É sim. Faz quase um ano que não a vejo.
_ Daqui até essa vila é um percurso muito comprido. Será uma longa viagem. Quando for a hora de voltar, tem certeza que irá retornar sozinha?
Sarah demorou um pouco para responder, e Melvin reparou que havia algo estranho em sua fisionomia. Sarah mudou sua expressão para alguém alegre ao ver que Melvin a estranhava.
_ Eu sei me cuidar sozinha. Não é só porque sou uma mulher que vou precisar de um guarda-costa.
_ Nesse caso, acho melhor não viajar junto com você.
_ Você é uma exceção! _ disse ela sorrindo.



Episódio 13

Adição de última hora




Enquanto Sarah e Melvin conversavam, não muito longe dali, Billy ainda corria de Roger.
_ Esse cara não larga do meu pé._ Billy continuou correndo pelas ruas do reino. Quando chegou em um cruzamento, virou a direita, e sem ter tempo de parar acabou se chocando com outra pessoa. Sarah viu seus dois amigos no chão.
_ Desculpe! Foi sem querer. _ disse Billy levantando-se, sem perceber quem havia derrubado. Quando olhou melhor, viu um rosto conhecido que não via há tempos _ Melvin?
_ Billy! Pra me derrubar dessa maneira, só podia ser você. _ disse também se levantando. Foi quando um grito cortou o que poderia ser uma conversa entre amigos.
_ BILLYYY! _ gritou alguém na esquina.
_ De quem é esse grito? _ perguntou Sarah.
_ Opa! _ Billy tinha que arrumar alguma maneira de fugir.
Anteriormente, ele havia ganhado uma boa distância de Doger, e se não fosse pelo esbarrão com Melvin, ele já estaria longe. O jeito era se esconder em algum lugar. Olhou pra lá e pra cá, e achou um barril 5 metros à sua frente, próximo de um feirante. Por sorte, o feirante conversando com um freguês, não prestava atenção no barril. Rapidamente, ele correu e mergulhou de cabeça para dentro dele.
Neste mesmo instante, Doger virou a esquina. Mas logo parou de correr, vendo que não havia sinal de Billy em lugar algum. Via apenas duas pessoas paradas em frente.
_ Ei! _disse chamando a atenção deles. _ Vocês viram um vagabundo desgraçado com cara de idiota retardado? _ os dois se surpreenderam com a descrição. Mas já sabiam quem era.



Melvin, Sarah: Billy!
Billy estava todo torto dentro do barril. Seu corpo de cabeça para baixo. Pelo menos ele conseguia olhar para fora, por causa de um pequeno buraco no barril. E além disso, podia escutar claramente.
Billy: Por favor! Digam que nunca viram esse cara na vida.
_ Errr..._ Sarah não sabia o que dizer. Melvin acabou falando por ela.
_ Essa descrição é a cara do Billy. _ disse sorrindo. Sarah o estranhou por falar isso, e Billy quase jogou seus olhos pra fora de tanto arregalá-los.
Billy: Seu Idiota! Por que disse o meu nome?
_ Exato! _ gritou Doger _ É esse cara mesmo. Pra onde ele foi?
_ Por ali! _ Melvin apontou o dedo para uma rua á direita de onde eles estavam.
_ Obrigado! _ disse agradecendo enquanto voltava a correr _ Eu vou pegá-lo!
Billy: Ahhh! Acho que estou salvo.
_ Ele parecia irritado. _ disse Melvin, vendo Doger se distanciar.
Nessa hora, o feirante aproximou-se do barril e lentamente ergueu um saco cheio de tomates dentro. Ele estava preste a despejá-los dentro do barril onde Billy estava, que por sua vez nem se tocou, até os primeiros tomates o atingirem. Quanto tentou olhar para cima, viu vermelho caindo sobre ele. Ele se contorceu dentro do barril, e acabou o fazendo cair. Melvin e Sarah olharam para o barril, e viram Billy sair de dentro dele.
_Ai! Droga! Nunca pensei que ia levar surra de um monte de tomates. _ disse saindo do barril.
_ Ei! O que estava fazendo aí dentro? _ perguntou o feirante.
_ Desculpe! – respondeu Billy, se levantando.
_ Espero que tenha dinheiro pra pagar pelo prejuízo. Você acabou amassando alguns tomates. _ cobrou o feirante. Billy fez uma cara de quem não sabe o que responder.
_ Errr...dinheiro?
_ O que? Não vai me dizer que não tem?
_ Não, é que...errr...
_ Eu pago! _ disse Sarah, ao lado de Billy.
_ Ele é seu amigo, princesa? _ perguntou o feirante, que não havia a visto anteriormente _ Desculpe se...
_ Não! Tudo bem! Você não pode ficar com este prejuízo. _ Sarah pegou algumas moedas de sua sacola e a deu para o feirante.
Billy: Ser amigo da filha do rei tem lá suas vantagens, hehe.
Após o feirante ser pago, Sarah virou-se para Billy, que ia lhe agradecer. Mas antes disso, ela falou:
_ Não esqueça que você me deve algumas moedas!
Billy quebrou a cara.
_ Espera aí! Você é rica! Como ousa tirar o dinheiro de um pobre soldado. _ perguntou ele.
_ De tanto gastar seu dinheiro em bares, não me admira que seja pobre.
_ Mas eu bebo e gasto com moderação.
_ Ah, sei. Moderado iguais as vezes que você pega as mulheres do reino.
_ Você ainda continua fazendo essas besteiras? _ perguntou Melvin.
_ Só de vez em quando.
_ Se o que você faz fosse crime, já estaria morto. _ disse Sarah. _ Aliás, porque aquele cara estava atrás de você?
_ Bem, é que...a irmã dele dormiu na minha casa ontem à noite e... _ Billy percebeu Sarah fazer uma cara de desaprovação_ Mas ela só dormiu lá porque ela não estava bem. Eu juro! Dessa vez, eu não fiz nada.



_ Ah, sim. Eu acredito. _ zombou.
_ Porque será que as pessoas não me levam a sério?
_ Sarah! Temos que ir. _ Melvin deslocou o corpo em direção ao cruzamento.
_ Ir? _ perguntou Billy. Ele reparou que Sarah estava com uma bolsa pendurada ao ombro. _ Por que está levando isso? Vocês vão viajar?
_ Vamos sair do reino! – respondeu ela.
_ Sério? Pra onde vocês vão?
_ Billy! Não se intrometa! _ respondeu não querendo que ele saiba que ela está junto com Melvin.
_ Eu só perguntei.
Melvin, ao contrário de Sarah, saciou a curiosidade de Billy.
_ Ela vai visitar uma amiga na vila Tred. Eu, como também estou saindo de Seylor, serei uma companhia pra ela.
_ Mas Sarah, você vai sair sem escolta?
_ O Melvin estará ao meu lado. Não preciso me preocupar com segurança. _ disse se aproximando de seu amado.
_ Mesmo assim, acho que... _ Billy parou de falar quando viu Sarah de mãos dadas com Melvin. _ Ah, agora estou entendendo. Vocês estão juntos, não é? _ Melvin e Sarah ficaram um pouco envergonhados. _ E eu que sou pegador, não é Melvin?
Sarah não gostou do comentário e deu um soco na nuca de Billy.
_ Não o compare a você, seu pervertido!
_ Calma! Foi só um comentário cômico!
_ Entretanto..._ dizia Melvin _ Quando você voltar, estará sem ninguém para lhe acompanhar.
_ Já disse que ficarei bem. _ insistiu ela.
_ BILYY! _ Um grito abafado foi ouvido. Mas pela voz, estava longe o bastante para Billy não começar a correr.
_ Esse cara não larga mesmo do meu pé. _ Billy não queria mais brincar de gato e rato. Precisava achar um jeito de resolver aquele problema. E ele sabia que uma conversa com Doger não teria efeito, apenas adiantaria seu túmulo. Foi então que ele se virou para seus dois amigos que estavam prestes a ir embora. _ Será que cabe mais uma companhia aí?
_ O que? _ Sarah fez uma cara feia, pois não queria ninguém mais em sua viagem, além de Melvin _ Nem pensar! Você não tem nada mais importante pra fazer?
_ Pra falar a verdade...não. Eu tenho mais dois dias de folga.
_ A viagem ida e volta até Tred dura quatro dias.
_ Tudo bem! Faltar um dia no exército não vai me fazer mal.
_ Não vem com essa!
Melvin se intrometeu.
_ Sarah, talvez seja melhor que o Billy vá conosco.
_ O que?
_ Pelo menos você terá com quem voltar. O mais preocupante é se o Billy abusar de você durante a viagem.
_ Eu posso ser um vagabundo pegador de mulheres, mas não sou um tarado.
_ Se ele se atrever, sabe que vai morrer. _ disse Sarah.
_ O que foi que acabei de falar?
_ Sarah, você tem dinheiro suficiente para bancar a viagem do Billy? Vamos perder tempo se ele ainda for para casa arrumar sua bagagem.
_ Sim. Infelizmente sim. _ Billy fez uma cara feia com a reposta de Sarah
_ Então está resolvido. _ disse Melvin, virando o corpo novamente para frente.
Sarah: Droga! Achei que eu e o Melvin teríamos nossos momentos a sós.
_ Valeu Melvin! Você sempre me salvando! _ disse Billy, agradecendo.
Melvin o retribui com um sorriso dizendo:
_ Apesar de que um soldado como o Billy não fará muita diferença na segurança.
_ Ei! O que quer dizer com isso?
Novamente os três ouviram alguém gritando pelo nome de Billy, que por sua vez ficou um pouco apavorado.
_ Ei! Será que não podemos ir logo? _ perguntou ele, já começando a andar.
_ Espere! _ disse Sarah que ficou parada enquanto via-o andar na frente. Logo após, os três estavam caminhando juntos.
Mal imaginavam que naquela mesma rua, em cima do telhado de uma casa, um ser os observava ir embora. Ele estava agachado naquele lugar, já fazia um tempo. Havia escutado toda a conversa entre os três.
Seus dentes amarelados se mostraram, revelando um grande sorriso que demonstrava sua diversão com aquilo tudo.
_ Um personagem de última hora entrou na história. _ soltou sua risada, como sempre faz quando se diverte com algo. _ Divertido! _ novamente deu sua risada.
Um garoto que passava pela rua naquela hora notou que alguém estava em cima do telhado. Mas esse alguém não era uma pessoa comum. O menino viu aquela pessoa virar o rosto, e o encontrar. Os dois estavam se olhando. Mesmo para um palhaço, Eddie conclui que era uma figura estranha e medonha, principalmente mostrando aqueles dentes amarelados.
Eddie: Um...palhaço!
Ele virou-se para a irmã que estava olhando para o outro lado.
_ Samara! Olhe! _ disse apontando para o telhado. Sua irmã olhou para onde Eddie apontava, mas não via nada lá em cima.
_ O que é? _ perguntou ela.
_ Estava lá. Você não viu? Tinha um palhaço no telhado.
_ Acho que foi sua imaginação.
_ Não foi! Eu vi! Tinha um palhaço lá em cima.
_ Ah, esqueça isso. Vamos andando.
_ Eu tenho certeza que vi! _ disse antes, de voltar a andar.

Continua...

Próximo episódio: Lembranças de Nicolai



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Mundo Sombrio (Capitulo 12)

Billy corria desesperadamente pela estrada de terra. Ele saira da cidade, trilhando um caminho mais rural para tentar se esconder, mas até agora, não havia encontrado um único lugar para este fim. Sem resultado, estava retornando novamente para a cidade.
Ao lado da estrada havia algumas plantações e apenas mato. Ele podia ver a cidade logo à frente. Os prédios e as feirinhas já podiam ser vistas de longe. E atrás dele, Doger continuava a persegui-lo.
Billy: A morte está a poucos metros de mim. É provável que aquele cara me mate.
_ BILLY! EU VOU TE MATAR! _ gritou Doger, atrás dele.
_ Isso elimina meu provável.



Episódio 12

Limpando a sujeira

Billy olhou para o matagal à esquerda, e viu algo que despertou sua atenção. Era um terreno abandonado cercado por um enorme muro, sua dimensão era grande. E grande também era altura do capim dentro dele. Billy já havia entrado naquele terreno antes, e sabia que podia usar a enorme vegetação para se esconder.
Ao olhar para trás calculou a distância entre ele e Doger. Concluiu que teria por volta de seis segundos para se esconder no matagal do terreno antes de Doger o alcançá-lo. E após se esconder por um tempo, ficaria alerta para quando Doger estiver longe o bastante, para que então, sorrateiramente ele saia do terreno, e deixe Doger o procurando, quando na verdade, Billy estará bem longe.
Billy: Que idéia brilhante! Nem parece que fui que criei. Eu devo ter copiado de alguém.
Billy deu um pique maior, e disparou em direção ao terreno. Para sua sorte, o mato tinha quase 1,5 m. Assim que entrou, havia uma trilha de terra e ao lado dela o gigante matagal. Ele correu 5 metros na trilha, depois entrou no matagal, e correu uns 10 metros para a esquerda. Assim que terminou de se mover, Doger entrou no terreno.
_ Você quer brincar de pique-esconde? _ perguntou, enquanto adentrava no terreno. Billy presumiu que Doger ainda estava andando na trilha de terra. Ele teria que esperar mais um pouco para se movimentar. E com um terreno daquele tamanho, seria muito difícil ser encontrado.
Billy: Ele nunca vai me encontrar aqui.
Distraído, mal percebeu que alguma coisa se aproximava dele. Só se deu conta, quando ouviu um som de chocalho logo ao lado. Billy tremeu. Calmamente, ou pelo menos tentando, olhou para sua esquerda. Havia uma cascavel enrolada de 2 metros de comprimento, prontinha para dar o bote. Billy ficou gelado e paralisado por alguns décimos de segundos. E depois...
_AHHHHH! _ Billy gritou no mesmo instante que saiu correndo. Por sorte, a cobra foi bem lenta e não o pegou. Após ouvir o grito, Doger notou um movimento no enorme capim. Billy havia saído do matagal, e entrado na trilha de terra. Doger estava um pouco mais ao fundo. Billy olhou para trás, e correu ao mesmo instante em que viu o irmão de kate se aproximando. Os dois saíram do terreno e novamente estavam na estrada. Billy continuou correndo em direção a cidade.
_ Entrar aqui foi furada. Tinha que ser idéia minha. _ disse enquanto corria.

......................

Nicolai tateava as paredes do corredor, usando-as como um guia até seu quarto, que por sinal não estava muito longe. Seus olhos ainda não haviam se recuperado do ataque de Pietro. A cena dele rindo quando Nicolai gritava de desespero por estar cego ainda permanecia fixa em sua mente.
Nicolai: Maldito! Prefiro que ele e o Melvin morram de uma vez só.
Enquanto insultava Pietro mentalmente, não percebeu que alguém vinha na direção oposta. Esta pessoa observou o estranho jeito de Nicolai andar, com os olhos fechados e com a mão tateando a parede, como se estivesse cego.
_ Sr.Nicolai, você está bem? _ perguntou o homem. Foi só nessa hora que Nicolai percebeu que alguém estava próximo a ele. E ao mesmo tempo, reconheceu quem era pela sua voz. O homem que pagou, por espionar a conversa entre Melvin e Sarah naquela manhã.
_ Não. Mas irei ficar. _ respondeu Nicolai.
_ O sr. quer que...
_ Não faça nada! _ interrompeu Nicolai _ Apenas finja que não me viu. _ disse enquanto continuava a andar. O homem gordo virou-se e ouviu uma frase abafada pronunciada por Nicolai. _ Droga! Aquele maldito Pietro!
_ Pietro? _ perguntou o homem para ele mesmo, enquanto observava Nicolai virar no corredor à direita.

...................

Alguns minutos após ter encontrado Nicolai, o homem gordo encontrou com seu outro colega de trabalho. Os dois faziam a vigia no castelo. Seu parceiro era um magricelo de cabelo ruivo.
_ Você conhece alguém chamado Pietro aqui no castelo? _ perguntou ele.
_ Não. Porque?
_ É que vi o Nicolai agora a pouco. Ele não parecia estar bem. Estava usando as mãos na parede para se guiar, além de estar com os olhos fechados. Cheguei a pensar que ele estava cego?
_ E onde está o Pietro?
_ Eu ouvi esse nome depois que ele se afastou. Ele disse “Aquele Maldito Pietro”. Eu não conheço nenhum Pietro aqui no castelo.
_ Deve ser um forasteiro.
_ Tem razão!

..................

Pietro já havia partido para sua missão. Francis estava sozinho em seu sombrio salão. Mas não havia motivo para sossego. Após resolver o problema de Nicolai, teria que resolver outro problema criado pelo próprio Nicolai. Apesar disso, mantinha o sorriso estampado no rosto.
_ Nicolai é realmente pouco cauteloso quando se trata de informações sigilosas. A ira é um catalisador para o não-raciocínio. As pessoas simplesmente se guiam pelas emoções e esquecem de serem racionais. Se o inimigo for mais forte na inteligência, essa pessoa ficará em desvantagem. A ira não leva simplesmente a lugar nenhum. É preciso ter frieza para controlar a fúria de seus sentimentos, ou eles podem controlar você... Todo homem gosta de algo que o faz ser ele mesmo.
..............

O homem gordo caminhava no corredor ao lado de seu amigo. De repente o gordo parou. Sentiu-se como se estivesse indo para outro mundo. Algumas imagens passavam pela sua mente. Um barril de vinho. Lembrou-se do vinho do castelo que tomou ontem. Ele havia pego uma garrafa no depósito durante a noite passada, e depois dividiu com os amigos.
Uma forte vontade de tomar novamente aquele vinho o dominou. Seu parceiro havia notado algo de estranho, e perguntou:
_ Ei, cara! O que foi? _ O homem gordo o olhou ainda em devaneios e respondeu:
_ Nada. Você pode me esperar aqui? Eu vou ali no depósito.
_ Depósito? Você vai roubar outra garrafa? E se alguém te ver?
_ Fica tranqüilo! Ninguém vai me ver. _ disse já caminhando.
O depósito ficava no corredor à esquerda de onde eles vieram. Em pouco tempo, o homem já estava em frente à porta do depósito. Ele olhou para os lados conferindo se o lugar estava realmente limpo. Vendo que estava sozinho, ele abriu a porta e entrou.

O lugar era pequeno em forma de quadrado. Havia uma mesa no centro, e espalhado pela sala, alguns barris contendo: vinhos, cervejas e outras bebidas. Ao lado da mesa, havia algumas garrafas de vinho cobertas por um pano. O homem foi até lá, e levantou o pano, fazendo aparecer o que ele queria.
Quando estava para colocar a mão na garrafa, o local começou a escurecer.
_ O que está havendo? _ perguntou olhando ao redor da sala, sem entender como escureceu tão de repente. Foi então que sentiu algo em seu estômago, seguido de um som de carne sendo perfurada. O sangue começou a escorrer da cintura para baixo, resvalando em sua roupa até cair sobre o chão. Logo em seguida, o som de alguma coisa sendo retirada da carne. O homem caiu e sons de perfuração ecoaram na escura sala.
O parceiro que havia ficado o esperando viu uma imagem estranha na mente. A imagem de um homem decapitado estirado no chão. Esse homem era seu parceiro. Com essa estranha imagem lhe perturbando, veio-lhe uma sensação de angústia. Começou a ter impressão de que seu parceiro estava demorando. Cansado de esperar, ele foi até o depósito.
Quando chegou, abriu a porta vagarosamente chamando pelo nome de seu amigo. Ele o encontrou...morto. A imagem trouxe uma sensação de nojo, e medo.
_ Meus Deus! O que houve? _ Cautelosamente, ele se aproximou do cadáver. Olhava para a enorme poça de sangue ao redor do corpo. Sua cabeça estava no canto da parede. Seu estômago tinha um enorme buraco. Além disso, algumas outras partes do corpo estavam soltas. _ Meu deus! Meu Deus!
Sem se dar conta, já estava dentro do cômodo. A porta fechou-se sozinha. Quando se virou, já era tarde demais.
_ O que está acontecendo? _ O homem tentava abrir a porta sem sucesso. O medo começando a brotar dentro dele. A escuridão começou a se firmar. _ O que é isso? O que está havendo? _ Após estas palavras ele virou-se para a direita a ponto de ver o que logo em seguida lhe mataria. E neste mesmo instante ele soltou um grito. Logo após, respingos de sangue marcaram a parede.

..................

Baltazar pensou ter ouvido algum grito. Ele estava andando próximo ao depósito, após ter acordado depois de uma noite de ressaca.
_ Isso foi um grito? Acho que veio de algum lugar aqui perto. _ Baltazar andou um pouco mais para frente, até chegar à porta do depósito. Aquele era o único cômodo nesta parte do corredor, por isso, concluiu que o grito podia ter vindo do depósito. Então ele abriu a porta e se deparou com um lugar em normalidade. Não havia ninguém, e as bebidas estavam em seus devidos lugares. Os corpos e o sangue que anteriormente faziam parte do cenário desapareceram.
_ Será que ainda estou bêbado? _ perguntou-se se o grito não passou de imaginação. Baltazar fechou a porta e partiu.

...............

Francis relaxava em seu trono confortável, na escura sala em que só ele se encontrava.
_ Agora sim...A sujeira está limpa!

Continua...



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Mundo Sombrio (Capitulo 11)

_ Você já está melhor? _ perguntou Billy, olhando para Kate. Os dois estavam sentados à mesa.
_ Sim! Estou sim. Graças a você._ respondeu, agradecida. Billy havia cuidado muito bem dela durante a noite. E por isso, Kate sentia-se muito grata a ele.
_ Que bom!...Mas então...você ainda não lembra de como foi parar desmaiada no meio da rua?
_ Ainda não. Só consigo me lembrar de estar voltando para casa.
_ É preocupante. Você parece ter sido atacada por alguém. Há sinais de agressão no seu corpo. Quem foi o desgraçado que fez essa covardia com você?
_ Eu queria muito saber.
_ Esse tipo de crime o levaria para a prisão perpétua ou até mesmo à execução. Tem certeza que você não lembra? Pelo menos o rosto. _ insistiu Billy.
_ Não. Eu não faço a mínima idéia do que me aconteceu ontem. Nada..._ disse, desanimada._ Ai! _ Kate pôs sua mão esquerda sobre o braço direito. Havia uma marca avermelhada.
_ O que foi?
_ Nada. Só está doendo um pouco.
_ Espere... _ Billy levantou-se e foi a um armário próximo. Abriu-o e procurou por algo no interior. _ Eu tenho uma pomada em algum lugar por aqui. _ disse enquanto remexia alguns objetos no armário.
_ Ei, Billy! Não precisa. Eu posso agüentar a dor.
_ Espere só mais um pouco. _ Billy já estava com a cabeça dentro do armário. _ Ah, que droga! Onde será que eu botei essa pomada?

.....................

Um homem jovem de porte físico atlético, vestido com uma camisa branca e calça azul parou em frente a um feirante.
_ Bom dia! O senhor viu essa mulher em algum lugar? Ela é minha irmã. _ o homem mostrou a foto para o feirante que logo a reconheceu.
_ Ah, sim. Eu a vi ontem à noite. Billy a estava carregando. Um homem de cabelo verde..._ o feirante foi interrompido antes mesmo de terminar a descrição da pessoa.
_ Obrigado pela informação. _ disse indo embora.
Aquele Billy. Ele que não se atreva a abusar de minha irmã. Pensou ele.

Episódio 11

O irmão de Kate

_ Achei! _ disse retirando-a do armário. Logo após, ele a abriu e foi até Kate. _ Me dê seu braço! _ Kate estendeu-o. Billy passou um pouco da pomada na mão e começou a massageá-la.
Billy: Que pele macia! Imagino como deve ser o resto.
_ Aqui nas costas também dói. _ disse ela.
_ Nas costas?
_ É. Passa a pomada aqui pra mim. _ disse pondo a mão na parte das costas onde doía. _ Eu vou tirar a roupa de cima pra você. _ Billy não acreditou no que ouviu. Seu olhar mais pervertido do que nunca. Ele deu um sorriso maior que seu rosto.
Billy: Ela vai mesmo tirar a roupa?...haha...
Kate começou a tirá-la vagarosamente. Billy, cada vez mais ansioso. Ele não tirava os olhos da camisa aos poucos se erguendo.
Billy: Isso! Vamos...tire!
_ Billy, você está bem? _ perguntou Kate, vendo a expressão desnorteada no rosto de Billy.
_ Ah, o que? _ perguntou ele, confuso.
_ Parece que você ficou congelado agora há pouco.
_ Ah, não... _ Billy mudou sua feição para alguém alegre, escondendo seu lado pervertido._ Estou bem! Eu só fiquei distraído.
_ Ah...tá...Me dê a pomada!
_ Claro! Toma!
Billy: Sonhando acordado de novo. Isso está virando doença.
Nessa hora, ouviu-se um toc-toc. Kate parou de passar a pomada e prestou atenção na porta.
_ Quem será? _ perguntou Billy, enquanto se dirigia para abri-la. _ Quem é? _ perguntou, já de frente para a porta.
_ Doger! _ gritou alguém do outro lado._ Quero saber se minha irmã está aí. Abra a porta!
Uma sensação de desespero misturado com encrenca tomou conta de Billy.
Billy: Ih! Ferrou!
_ É o meu irmão. _ disse Kate.
Billy voltou-se para ela e falou bem baixo, apenas para ela ouvir.
_ Se esconda! Se esconda! _ Kate correu para outro cômodo. Enquanto isso, Doger gritava cada vez mais alto.
_ Billy! Abra essa porta!
_ Espere um pouco! Eu já estou indo!
_ Se você não a abrir, irei arrombá-la. _ neste exato momento, Billy abriu a porta fazendo um bocejo, e mostrando uma cara de que mal saiu da cama.
_ Doger! O que você quer a uma hora dessas? Eu acabei de acordar. _ Doger o ignorou e saiu entrando na casa. _ Ei, espere! O que está fazendo?
_ Não se faça de sonso. Eu sei que minha irmã está aqui. _ disse já na cozinha, que era o primeiro cômodo da casa. Billy virou-se para Doger.


_ Quem? _ perguntou tentando aparentar não saber de nada.
_ Um feirante me contou que viu você a carregando ontem nos braços.
_ Deve ter sido alguém muito parecido. Eu já estava em casa ontem à noite.
_ Não tente me enganar! _ disse andando até Billy, com o intuito de o intimidar. _ Eu sei que ela está aqui, ou pelo menos esteve.
_ Doger, não tem ninguém aqui. _ ouvi-se então um som abafado vindo de outro cômodo.
_ Que barulho foi esse?
_ Barulho? Que barulho?
Doger dirigiu-se para o corredor à esquerda. Nele, havia uma porta para o banheiro no lado esquerdo, e mais à frente a sala. Eles se dirigiram para a sala, mas novamente ouviram o barulho, e Doger conclui que ele vinha do quarto de Billy.
A primeira coisa que observou quando entrou no quarto foi o armário. Outra vez o barulho, e agora com toda certeza, Doger sabia a origem do som.
_ No armário, não é? _ Doger andou até o armário.
Billy: Droga, Kate! Isso é clássico! Não podia ter pensado num lugar melhor?
_ Ei, espere! Doger! _ Billy correu até ele tentando o impedir de abri-lo.
_ Sai pra lá! _ gritou enquanto empurrava Billy alguns metros para trás. Doger ficou de frente para o armário e o abriu.
Billy: Ferrou!
Mas para a surpresa de ambos, não havia ninguém lá dentro. Apenas as roupas e os objetos de Billy. Enquanto Doger tentava entender como não havia ninguém dentro do armário, um gato saiu de seu interior e pulou em seu rosto. E logo em seguida foi para o chão, e correu para a saída do quarto.
_ Droga! _ gritou Doger, que havia se assustado com o gato.
_ De onde será que veio esse gato? _ perguntou Billy. Doger olhava novamente o armário.
_ Eu tinha certeza que tinha alguém aqui. _ Mal imaginavam, que Kate estava bem em cima de Billy. Deitada em uma prateleira acima da porta do quarto. Se um dos dois olhasse para cima, com certeza a iriam vê-la. Um movimento e um simples ruído, ela seria descoberta.
_ Ei, Doger! É melhor parar com isso. _ Billy tentava o convencer. _ Já disse que não vi a Kate ontem e nem hoje, e muito menos aqui em casa. É melhor você procurar em outro lugar. A Kate não... _ Nesse momento, Billy sentiu um peso sobre suas costas. E instantes depois, estava ao chão. Kate havia caído com prateleira e tudo em cima dele.
_ Desculpe! _ disse Kate, olhando para baixo.
_ Se fosse assim, era melhor ter se escondido no armário mesmo. _ disse Billy, um pouco tonto.
_ Kate! _ gritou Doger. _ O que você está fazendo aqui? Procurei a noite toda por você.
_ É que eu não estava muito bem ontem, e o Billy me ajudou. _ respondeu ela, olhando para o Billy que ainda permanecia debaixo dela.
_ Será que dá pra levantar? _ perguntou, quase morrendo por causa do peso.
_ Ah, desculpe! _ disse levantando-se rapidamente.
_ Como assim o ajudou? _ perguntou Doger.
_ Eu a trouxe para minha casa, já que ela não estava bem. _ respondeu Billy, terminando de se recompor.
_ Você o que?
_ Um obrigado está de bom tamanho.
_ Seu canalha! Você fez minha irmã passar mal, e aproveitou para trazer ela pra cá. Acha que não sei ver suas más intenções. Eu sei muito bem o que queria com ela.
_ O que está insinuando? Eu posso até ser esse vagabundo que você fala. Mais eu nunca a traria pra cá com más intenções.
_ Eu não acredito que ela dormiu aqui com você.
_ Mas não aconteceu nada. Nós dormimos separados. Eu fiquei no chão e ela na cama.
_ Mas isso não muda o fato dela ter dormido aqui.
_ Na verdade... essa é a terceira vez que ela dorme aqui. _ Doger arregalou os olhos após a fala de Billy.
_ O QUEEEE?
Billy viu a expressão de Doger mudar para alguém que queria comê-lo vivo.
_ Ei, rapazes. Fiquem calmos! _ disse Kate tentando amenizar a situação, mas já era tarde.
_ Eu vou...te quebrar! _ Após a frase de Doger, Billy instintivamente já sabia o que fazer.
Billy: Corre! Corre! Corre!
Billy disparou para a saída de casa com Doger logo atrás dele. Saiu na rua em alta velocidade, passando pelo caminho de quem estivesse na frente. Bem atrás dele, Doger gritava pelo seu nome.
_ BILLYYY!
_ Se eu faço algo com segundas intenções, eu me encrenco. Se eu faço uma boa ação, eu também me encrenco. Será que eu nunca vou me dar bem?


Referências:
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Mundo Sombrio (Capitulo 10)

Nicolai observou bem aquele indivíduo. Teve uma primeira má impressão daquela pessoa. De alguém patético.
Nicolai: É um...palhaço. É ele quem vai assassinar Melvin?
_ Quem é ele? Não vai me dizer que é esse palhaço que fará o trabalho?_ perguntou Nicolai, num tom de desprezo.
_ O nome dele é Pietro. _ disse Francis. Pietro olhou para Nicolai, o qual não havia reparado muito. Era a primeira vez que os dois se viam. Pietro sorriu mostrando seus dentes amarelados.
_ Haha...Sim. Eu sou um palhaço. Qualquer pessoa que não é cega pode tirar essa conclusão. Mas esse não é o seu caso, é? _ Pietro deu uma gargalhada cômica. Nicolai, ao contrário, não achava graça alguma, apenas repulsão por aquela figura ridícula. Foi então que sentiu algo estranho em seus olhos. Sua visão começou a ficar embaraçada. Aos poucos, foi perdendo a noção de imagem. Uma sensação de ardência tomou conta de seus olhos.
_ Mas o que..._ Nicolai pôs as mãos em seus olhos e os esfregou. _ O que está havendo? _ perguntou, confuso e quase desesperado. Pietro riu mais uma vez, enquanto via Nicolai esfregar os olhos. Após passar a ardência, Nicolai tirou as mãos do rosto. Seus olhos estavam totalmente brancos.
_ AGHHHH! _ gritou assustado.



Episódio 10

Desavenças


_ O que está acontecendo? _ perguntou Nicolai. Pietro ria ao ver a cara de desespero daquele homem. _ Porque eu não vejo nada? _ Nicolai levantou-se e tentou esfregar os olhos mais uma vez. Mas logo conclui que de nada adiantava. _ O que houve com os meus olhos?
_ Oh, desculpe! _ disse Pietro, ironicamente _ Eu me enganei. Acho que você é mesmo cego._ riu novamente, divertindo-se com a situação.
_ Você fez isso? _ perguntou referindo-se a Pietro, que por sua vez ficou quieto e sorrindo._ Desgraçado! Desfaça isso, agora!
_ Ih! Acho que não tem mais jeito _ riu ele novamente.
_ O que?_ Nicolai já estava irritado. Foi então que uma voz cortou a tensão entre os dois.
_ Já chega, Pietro! _ disse Francis, numa voz autoritária _ Você não veio aqui para brincar._ Pietro virou-se para o mestre.
_ Desculpe, mestre Francis! Mas eu não resisti depois de ver alguém patético ao meu lado.
_ O que você disse? _ perguntou Nicolai, vendo que Pietro referia-se a ele. Pietro riu novamente. _ Pare com essa sua risada imbecil! Já está me dando nos nervos! _ Nicolai retirou sua espada da bainha.
_ Hahaha! Como vai acertar seu inimigo quando não sabe onde ele está?
_ Cale a boca! _ gritou Nicolai, correndo na direção em que viu Pietro pela última vez. E, além disso, a risada denunciou sua posição. Quando ele chegou próximo, Pietro se preparou para contra-atacar. Os dois estavam a poucos metros um do outro. Nicolai segurava a espada com as duas mãos, pronto para atingir Pietro.
..........

Melvin e Sarah caminhavam pelas ruas de Seylor rumo a saída do reino. Mas antes de chegarem lá, Melvin queria fazer uma pergunta. Ele não podia deixá-la continuar sem antes saber.
_ Sarah! Você disse que irá me acompanhar durante a viagem. Mas e quando não puder mais? Eu já havia dito antes que você não poderá ir ao mesmo lugar que eu, lembra-se? _ Sarah parou de andar, e o olhou.
_ Eu já pensei nisso. _ disse ela, sorrindo. Melvin fez uma expressão de confuso. _ Você passará primeiro em Gringer, não é? Ela é a primeira cidade depois de Seylor, seguindo para o norte. Tanto para sair do continente quanto para ir a certos lugares, este é o único caminho, a não ser que você vá para as montanhas aqui perto. Apenas alguns moradores vivem lá. Mas você vai para o norte, não é?
_ Ah...sim.
_ Nessa direção fica a vila Tred. Uma amiga minha chamada Alice, mora nessa vila. Estou pensando em fazer uma visita. Mas isso só é possível se você passar pela vila.
Melvin: Não posso dar a Sarah muitas informações do lugar onde vou, mas....
_ Eu passarei sim por essa vila. E aproveitando essa sua visita, é melhor que você fique por lá. A partir dali, você não poderá ir comigo. _ Sarah fez uma cara frustrada, mas sorriu depois.
_ Certo! Mas até lá vamos ficar juntos. _ ela segurou a mão dele enquanto voltavam a andar. Melvin ficou um pouco vermelho.

............


_ Mas o que..._ Nicolai não conseguia mexer um músculo de seu corpo. Ainda segurava sua espada, mas sem poder usá-la. Estava há poucos metros de Pietro. _ Não consigo...me mexer.
_ Eu odeio essas desavenças entre subordinados. _ disse Francis. Pietro também foi imobilizado, e como estava de costas para seu mestre, não podia olhá-lo. _ Há algum tempo, estou pedindo a atenção de vocês. Mas parece que minha existência nessa sala é irrelevante para os dois. E parece que só posso tornar-me relevante se faço algo que os incomode. Eu odeio fazer esse tipo de coisa. Da próxima vez, em vez de fazê-los terem conhecimento de minha presença, os farei irrelevantes para mim.
Francis soltou-os da imobilização. Nicolai guardou sua espada, e pôs-se a ajoelhar.
_ Perdão, mestre! Nunca mais esquecerei essas palavras. _ disse ele. Pietro também se voltou para Francis e disse:
_ O mesmo vale para mim, mestre.
_ Assim espero...de vocês dois. Agora, voltando ao que realmente interessa...Pietro!
_ Sim, mestre!
_ Eu vou contar a razão pela qual lhe chamei aqui. _ Pietro fixou toda sua atenção nas palavras de Francis. _ Seu objetivo....é assassinar um mago chamado Melvin.
_ Assassinar...um mago?
_ Sim. Ele se encontra aqui em Seylor. Cabelo lilás longo, capa preta com detalhes vermelhos e uma roupa azul por baixo. Ele está acompanhado de uma mulher de cabelos lisos castanhos, usando uma armadura rosa na parte do peito, além de ombreiras e caneleiras. Seu alvo é apenas o mago, entendeu?
_ Hã? Mas eu posso brincar um pouco com ela, não é? – perguntou Pietro. A pergunta chamou a atenção de Nicolai.
_ O que quer dizer com brincar? Nem se atreva a chegar perto dela. Sua missão é apenas matar aquele mago.
_ Ah...ela é sua namorada?
_ Chega Pietro! _ interrompeu Francis, vendo que uma outra discussão poderia começar. _ Apenas execute a ordem que mandei.
_ Está bem! Eu entendi!
_ Nicolai! Irei mantê-lo informado sobre os eventos da missão de Pietro. Até lá, volte para seu posto.
_ Mas enquanto aos meus olhos? Quero minha visão de volta! _ exigiu ele.
_ Haha...Não tem como, isso é permanente. _ disse Pietro.
_ O que?
_ Não se preocupe, Nicolai! _ disse Francis o tranqüilizando _ O ataque de Pietro é temporário. Sua visão voltará daqui a algumas horas. Por hora, quero que volte para seu quarto.
_ Sim! _ Nicolai levantou-se e caminhou em direção a porta.
_ Ele tem bom censo direção. _ reparou Pietro.
Após ele sair, Pietro retomou sua atenção novamente para Francis que começou a falar.
_ Agora que Nicolai não está mais presente, eu posso lhe contar sua verdadeira missão.
_ Ora, ora. Minha missão não é apenas assassinar esse tal Melvin? _ perguntou Pietro.
Francis deu um sorriso maléfico.
_ Na verdade...existe uma outra pessoa que quero que mate.
_ Quem?
_ A filha do rei de Seylor, a qual está acompanhada deste mago. Mate os dois!

..................

Nicolai tateava a parede do corredor. Seria difícil chegar ao seu quarto sem ver nada. Pelo menos sabia o caminho de olhos fechados. Entretanto, preocupava-se com outra coisa.
_ Será que posso confiar naquele Pietro? _ Nicolai lembrou-se do que ouviu de Pietro.

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_ Hã! Mas eu posso brincar um pouco com ela, não é? – perguntou Pietro. A pergunta chamou a atenção de Nicolai.
_ O que quer dizer com brincar? Nem se atreva a chegar perto dela. Sua missão é apenas matar aquele mago.
_ Ah...ela é sua namorada?
_ Chega Pietro! _ interrompeu Francis, vendo que uma outra discussão poderia começar. _ Apenas execute a ordem que eu mandei.
_ Está bem. Eu entendi.

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_ Pelo menos, posso confiar em Francis. _ disse Nicolai, aliviado.

..............

_ Nicolai me pediu ajuda para matar alguém que está roubando seu grande amor. _ dizia Francis. _ Ora, eu não simpatizo com a palavra amor, nem com as pessoas que simpatizam com ela. Entretanto, ele apresentou uma boa quantidade de energia maligna proveniente de seu ódio. Esse foi o único motivo pelo qual o estou ajudando.
_ Mas...ele confia no senhor, não é mestre? _ perguntou Pietro.
_ Mais do que imagina.
Foi então que Pietro, aos poucos começou a rir. Uma risada que aumentava cada vez mais. E ficou gargalhando por alguns segundos.
_ O que é tão engraçado, Pietro? _ perguntou Francis, ainda com seu sorriso no rosto.
_ Esse Nicolai... é mesmo um idiota. Pobre mortal infeliz. Hahaha.... _ E continuou sua gargalhada.

....................

Nicolai: Sarah! Eu a trarei de volta pra mim. Para mim!
Pensava Nicolai, vendo a imagem de Sarah na escuridão de seus olhos.




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Mundo Sombrio (Capitulo 9)

Na escuridão, um homem implorava por ajuda. Ele se ajoelhou perante seu mestre, abaixou a cabeça e pediu:
_ Eu preciso de sua ajuda... _ Nicolai levantou o rosto e olhou para quem estava sentado no trono. _ ...Mestre Francis. _ Um pedido em meio à escuridão. Apenas os feixes luminosos vindos das janelas clareavam certas partes do salão. Uma delas era o colo de Francis. Podia-se ver nitidamente uma parte de sua túnica lilás. O resto de seu corpo, especialmente o rosto, permanecia na obscuridade. Seu trono ficava alguns metros acima do nível da sala. Com uma voz tão sombria quanto o ambiente local, ele falou:
_ O que deseja, Nicolai? _ Apesar do tom gélido de Francis, Nicolai não tinha mais medo como antigamente. Depois de recebê-lo como mestre, passou a se acostumar com esse tom de voz. Calmamente, Nicolai respondeu.
_ É a Sarah. Aquele maldito mago está a tomando de mim. Eu preciso de sua ajuda a respeito disso.
_ Seja mais específico, Nicolai. O que você realmente quer?
_ Ela está...atraída por ele. Eles ficam cada vez mais juntos. _ Nicolai respondia como uma certa indignação, fazendo movimentos curtos com a cabeça de um lado para o outro. _ Eu preciso quebrar essa ligação entre eles.
_ Um pouco mais... _ disse esperando ouvir o que queria. Seu tom, cada vez mais sombrio.
_ Melvin é a raiz do problema. O mal se corta pela raiz. _ disse Nicolai.
_ Então...
_ Então...eu preciso matá-lo. _ completou Nicolai, friamente. A escuridão no rosto de Francis cobria seu sorriso maléfico.

Episódio 9

Auxílio na escuridão

Melvin estava sentado no banco do jardim ainda esperando por Sarah. Sentia-se um pouco feliz, já que havia acordado meio sério e com um certo medo naquela manhã. Ficar pensando em roubo do cristal de aprisionamento, magos, encontro, tudo isso provocava um frio na barriga e uma sensação ruim. Mas depois daquele beijo, essa sensação havia amenizado, dando um espaço para um pouco de felicidade em seu dia.
_ Desculpe a demora _ disse Sarah, atrás dele. Melvin nem a percebeu chegando. Ele virou-se e a viu com uma bolsa no ombro direito.
_ Deixa que eu carregue! _ Melvin ergueu a mão em direção a bolsa, mas Sarah se afastou antes dele tocá-la.
_ Não precisa. Eu posso carregar.
_ Bom, se você quer assim...Podemos ir?
_ Claro! Vamos!

.............

Ralf assinava alguns papéis em sua mesa quando ouviu a porta abrir.
_ Steve? _ disse ao vê-lo entrando _ O que está fazendo aqui? Pensei que hoje era seu dia de folga.
_ Eu sei, mas..._ Steve andou até mesa _ Eu queria saber quem você colocou no meu lugar.
_ Webber!
_ Webber? Pensei ter ouvido de você que era um novato?
_ Sim, a pessoa que encontra-se em sua posição de guarda aqui na Torre é um novato. Eu falei substituto, mas não quis dizer que era um líder substituto. Bom, pelo menos não ainda.
_ Não ainda?
_ Esse garoto vem demonstrando um incrível talento nos últimos meses durante os treinamentos. Ele tem uma excelente agilidade e manejo no arco. Óbvio que não é melhor que nós dois, já que ainda lhe falta experiência. Mas é potencialmente assim como nós, um ótimo arqueiro.
_ Então, quem é esse garoto?
_ Olhe para a ficha na mesa. _ Steve olhou para a mesa e observou a ficha de um soldado.
_ Dus...tin. Dustin? Esse é... _ Steve ficou surpreso ao ler o nome.
_ Ele mesmo.
_ Você ficou maluco em trazê-lo para cá._ Steve preocupou-se_ Sabe o que ele pode fazer se...
_ Fique tranqüilo! _ disse, seriamente _ Ele não irá encontrá-lo. Eu pedi para Webber ficar de olho no garoto caso ele se aproxime das celas. Eu garanto a você que vamos mantê-lo longe das prisões.
_ Tem certeza que apenas o observando irão conte-lo? Você se lembra das palavras dele naquele dia, não lembra?
_ É claro que lembro. Mas não é por causa disso que vou afastá-lo daqui. _ Ralf viu Steve fazer uma cara de preocupação. _ Não se preocupe. Eu já avisei ao Dustin sobre este assunto.

Lembrança de Ralf

Dustin andou em direção à porta. Assim que a abriu para sair ouviu a última ordem de Ralf.
_ Dustin!... Não vá para as celas!
Após ouvir o conselho, Dustin saiu.

Tempo atual

_ Mas...e se ele não obedecer? _ perguntou Steve.
_ Ele depende de seu trabalho. Se eu demiti-lo, ele não vai poder sustentar os irmãos.
_ Isto é chantagem!
_ Mas é a única maneira!
_ Fique de olho. É provável que um dos objetivos de Dustin seja matar aquele desgraçado._ Steve virou-se e andou em direção a porta.
_ Por que acha isso? _ perguntou Ralf. Steve parou com a porta entreaberta e respondeu:
_ Por que se fosse eu, também faria o mesmo. _ disse pouco antes de fechá-la.

........

_ Eu preciso de sua ajuda para acabar com Melvin. _ Nicolai repetiu novamente o seu objetivo.
_ Esse mago...realmente parece estar no seu caminho. Caso contrário, não desejaria sua morte. _ disse Francis, sempre com seu tom frio, sombrio e soberano.
_ Ele é irritante. Sempre atencioso a Sarah. E ela sempre o correspondendo. Eu preciso quebrar esse elo entre eles. E a única maneira de fazer isso é tirando a vida daquele mago. Entretanto...magos não são derrotados facilmente.
_ Verdade. Os magos têm a reputação de serem as pessoas mais poderosas deste mundo, responsáveis por guiá-lo para uma vida melhor. São os “protetores do bem”. Se não fossem fortes os suficientes para deter o mal, Raizen teria ganhado a guerra no passado. Portanto, pessoas comuns não têm a mínima chance contra eles.
_ Então, não há qualquer chance eliminar um mago?
_ Huhu....Não está pensando em enfrentá-lo, está?
_ Porque acha que vim até aqui? É óbvio que irei enfrentá-lo. Não importa o quão forte ele seja, eu preciso destruí-lo.
_ Não fique tenso, Nicolai. Eu tenho uma pessoa ideal para esta tarefa.
_ Alguém ideal? Quem? _ perguntou Nicolai, curioso.
Foi então que uma risada cômica veio da escuridão à direita de Nicolai, que se virou rapidamente.
_ Mas o que é isso? _ perguntou Nicolai, olhando para a escuridão.
_ Aproxime-se... _ A voz de Francis cortou a escuridão e o suspense. _ ...Pietro. _ Uma forma apareceu na escuridão se aproximando dos dois. Nicolai viu primeiramente seu rosto saindo das sombras. Ele era branco ou pelo menos pintado de branco, a forma do rosto era meio quadrada, sua boca era vermelha, como se tivesse passado um batom. Quando ele sorriu, mostrou seus dentes amarelados.
O resto do corpo mostrou-se. Usava um chapéu verde com uma pequena bola dourada atrás, um macacão azul marinho com uma roupa verde por dentro. Como acessórios, usava luvas brancas e um laço vermelho no pescoço.
Ele ficou a poucos metros de Nicolai. Olhando para o trono, disse:
_ Me chamou, Mestre? _ sua voz era cômica e engraçada. Nicolai ficou analisando -o. Sua primeira impressão foi de alguém patético.
Nicolai: É um...palhaço. É ele quem vai assassinar Melvin?

Continua...

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Mundo Sombrio (Capitulo 8)

A Torre dos prisioneiros era uma prisão onde se encontram as “pessoas podres”. Esse termo foi criado por Loeb, para definir os maus elementos do reino. A torre era bem larga e tinha 22 andares. Ela ficava em uma ilha a 200 metros do território do reino. Existe uma ponte de madeira que faz a conexão entre a torre e o reino.
Dustin andava sobre esta ponte em direção a torre. Ela era de um tamanho impressionante vista dali.
Dustin: Aquela é a Torre dos prisioneiros.
Ao chegar no final da ponte, haviam dois guardas parados em terreno firme, um no lado esquerdo e o outro no direito. O da direita entrou na frente de Dustin ainda na ponte, quando ele estava preste a pisar em terreno firme.
_ Identifique-se! _ disse o guarda.

Episódio 8

A Torre dos prisioneiros

Dustin parou, ao ver o guarda em seu caminho. Ele pôs a mão no bolso e tirou um papel dobrado. Desdobrou-o e logo em seguida mostrou ao guarda.
_ Vigia da torre! _ disse Dustin. O guarda pegou o papel e o examinou.
_ Dustin... _ disse ao ler o nome no papel. Era uma ficha contendo as informações sobre um soldado. _ Eu nunca o vi por aqui._ O guarda olhou para o fim da ficha. Havia a assinatura de Ralf na última linha. _ Mas essa ficha prova que você é realmente um soldado de Seylor.
_ É meu primeiro dia de trabalho aqui. _ disse Dustin, recebendo o papel.
_ Entendo. Pode passar! _ o guarda se retirou do caminho, e deixou a passagem livre para o jovem passar.
Dustin: Realmente, eles são bem cuidadosos com o fluxo de pessoas que entram e saem dessa ilha.
O caminho até a torre era de terra com uma floresta ao lado. Após andar alguns metros, ele finalmente chegou à entrada da torre. O grande portão para seu interior estava aberto. Mas novamente havia guardas fiscalizando. Dessa vez eram cinco de cada lado e em fila. Um deles interceptou Dustin quando ele aproximou-se de entrar.
_ Identifique-se! _ disse o guarda.
Dustin: De novo...
Novamente, Dustin retirou o papel do bolso e mostrou-lhe ao guarda. Após ele conferir, abriu passagem para o jovem. Dustin entrou dentro da torre, e no primeiro momento ficou um pouco perdido. Havia uma longa sala à frente com inúmeras portas para a esquerda e direita. E antes da sala havia uma escada para subir para o próximo andar. Ao olhar mais atentamente, percebeu que havia uma recepção logo à frente. Ele foi até lá pedir uma informação.
_ Onde eu posso achar o Sr.Ralf? _ perguntou ele a um velho. Ele tinha uma cara rabugenta e assustadora. E ainda fumava um cachimbo.
_ E o que, meu jovem, você quer falar com ele? _ perguntou o velho.
_ Bem, é que ele me pediu para que assim que chegasse, fosse falar diretamente com ele.
_ Hmmm, Vejamos...Você tem uma autorização?
_ Er...eu tenho isso aqui. _ Dustin tirou novamente a sua ficha de soldado e mostrou para o velho. Ele examinou o papel.
_ Isso aqui não quer dizer nada. Refiro-me a uma autorização por escrito. Você vai falar com um líder do reino. Não é qualquer um que pode passar por aquela porta. O Sr. Ralf tem mais o que fazer do que conversar com um jovem como você.
Dustin não gostou muito do comentário. Ele olhou para a porta a qual o velho se referia.
_ Tenho certeza de que se eu encontrá-lo, ele vai tirar isso limpo para o senhor. _ Dustin seguiu em direção a porta.
_ Ei, o que está fazendo? Eu não o autorizei entrar aí.
Quando Dustin iria abrir a porta, ela foi aberta antes pelo lado de dentro. Foi então que Ralf apareceu na sua frente.
_ Sr. Ralf! _ disse Dustin ao vê-lo.
_ Me perdoe, Sr. Ralf. Mas esse jovem não quis me ouvir. _ resmungava o velho.
_ Não, sem problema. Eu realmente o havia convidado para conversar comigo. Vamos Dustin, entre! _ Ralf entrou na sala. Antes de Dustin segui-lo, ele virou-se para o velho, e deu uma risada para o velho, que por sua vez ficou irritado. Logo após, Dustin também entrou na sala.
_ Esses jovens de hoje não tem educação pelos mais velhos.
...........................

Steve visitou sua área de treinamento. Aquele pedaço de floresta ficava um pouco afastado do centro do reino. É nesse lugar que Steve sempre faz seus treinos. Ele o freqüenta desde criança. Havia alvos pregados nas árvores.

_ Foi aqui! _ Steve lembrou-se de seu pesadelo pela manhã. Era o mesmo lugar onde ele e aquele garoto estavam. Steve olhou para o alvo de uma das árvores. Ele sabia exatamente qual era o alvo que tinha visto transformar-se em um homem durante seu pesadelo. Steve andou até o alvo e o tocou.
_ O que estou fazendo? Foi apenas um pesadelo. Nada mais. _ Steve virou-se e começou a se afastar. Foi quando sentiu um vento frio e forte vindo da floresta atrás dele.
_ Hã? _ Steve virou-se. Ao olhar para a floresta, sentiu um frio na espinha. O vento havia parado. Ele olhou mais atentamente, mas não viu nada de anormal. Uma sensação estranha tomou conta dele. Medo.
Steve: Que estranho. Tive a sensação de... Ah, deixa pra lá. Eu não acredito neste tipo de coisa.

.................

_ Sente-se! _ disse Ralf acomodado em sua cadeira. Dustin sentou em uma banco em frente à mesa de Ralf. Havia alguns papéis em uma das laterais da mesa. Dustin observou que eram fichas de algumas pessoas. _ São prisioneiros. _ disse Ralf ao ver que Dustin prestava atenção nos papéis. _ Alguns deles se envolveram em uma briga ontem á noite. Estamos analisando-os melhor. É provável que a pena deles seja aumentada.
_ Aumentada? Acho que se isso acontecer, eles nunca vão sair deste lugar.
_ Você está certo! Esta torre leva a fama de “fim da vida” pelos bandidos. A maioria das pessoas que entram aqui, nunca mais saem. Pessoas que cometem crimes de alto grau apodrecem neste lugar pelo resto de suas vidas. Até mesmo, se alguém roubar um alimento, pode pegar de 1 a 3 anos de prisão. A pena aqui em Seylor é realmente muita pesada.
_ Mas...é assim que deve ser, não é? _ Ralf prestou atenção em Dustin depois da pergunta. _ Por que acha isso?
_ Por que? Os crimes aqui no reino caem num ritmo acelerado com o passar dos anos. Isso é um sinal de que esse tipo de julgamento pesado está fazendo efeito. Os criminosos estão com medo de serem pegos. E com isso, suas ações são anuladas. É assim que as coisas estão funcionando.
_ Eu sei...mas...
Ralf lembrou-se de algo que fez em uma noite.


Ralf segurava um homem pelas costas, enquanto andava pela floresta.
_ Acho que aqui ninguém vai nos ver. _ disse soltando o homem.
_ O que vai fazer?
_ Eu estou te libertando. Mas não quero que conte isso a ninguém.
O homem mal podia acreditar nas palavras de Ralf.
_ Por que?_ perguntou homem sem entender.
_ Você não é um criminoso. De vez em quando eu o vejo trabalhando em sua barraca de artesanato. Você é apenas um feirante. _ Nesse instante, uma cena passou pela sua cabeça. Um feirante abraçando seu filho, que por sua vez o ajudava a desmontar a barraca. E logo depois o feirante deu algumas moedas para o filho comprar algum alimento. _ Ande! Saia logo daqui e não conte a ninguém o que eu fiz.
_ Obrigado! _ o homem agradeceu e correu de volta para a cidade. Ralf sabia que estava fazendo a coisa certa. Ele nunca concordaria em levar um trabalhador para a Torre dos prisioneiros, só por que ele cometeu um deslize.
_________________________________________________________________________

...até mesmo pessoas comum sentem medo de fazer algo errado. Um único erro perante a lei, e parte de sua vida vai embora, mesmo ela sendo uma boa pessoa no final das contas. Embora este tipo de lei tenha suas vantagens, leva também suas desvantagens...Mas não foi de falar de leis que te chamei aqui. Um novato como você não precisa se preocupar com essas coisas ainda. _ Ralf pegou uma ficha de Dustin em cima da mesa. _ Realmente você teve ótimos desempenhos no teste para ser um arqueiro. Há muito tempo que eu não tinha visto uma nota de aprovação tão alta. Se não me engano, você ficou entre as 10 melhores notas da história do teste.
_ Errr...isso foi graças ao senhor.
_ Fico feliz de ter descoberto um talento como você. Agora, vamos ao seu cargo aqui na Torre. Você será um vigia externo do 15º andar.
_ Eu... não vou vigiar os prisioneiros.
_Não. Você vigiará os arredores da torre, junto com outras pessoas no 15º andar. A maioria dos arqueiros aqui na torre vigiam o lado de fora.
_ Ah... está bem.
_ Dispensado!
Dustin andou em direção à porta. Assim que a abriu para sair ouviu a última ordem de Ralf.
_ Dustin!... Não vá para as celas!
Dustin: Ele sabe?
Após ouvir o conselho, Dustin saiu em direção ao 15º andar.
.....................


_ Sarah... eu não posso perdê-la. _ Nicolai permanecia deitado sobre a palha. _ Eu a amo. Não posso permitir que ele a leve. Não posso. Você será minha._ os olhos de Nicolai mudaram. Suas lágrimas pararam de escorrer. Seu olhar agora era sério. Levantou-se e saiu. Andou por alguns corredores até chegar em uma porta que o levou até outro corredor pouco iluminado e com apenas algumas velas acesas. A altura do corredor era de uns 7 metros.

Após alguns metros caminhando, Nicolai chegou a uma enorme porta vermelha, em forma de arco. Ele a empurrou revelando um grande salão. Assim como o corredor, não havia muita iluminação naquele lugar. A única luz presente era a que vinha da janela bem no alto da parede esquerda. Não havia uma única vela acesa.
Um longo tapete ia da porta até o fim do salão. Nicolai andou sobre ele, e passou por algumas pilastras paralelas ao tapete. Ao chegar ao fim do tapete, em que começava uma elevação na sala, ele ajoelhou-se e baixou sua cabeça.
_ Eu preciso de sua ajuda. _ Nicolai ergueu o rosto e olhou para quem estava sentado no trono. _ Mestre Francis.


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Mundo Sombrio (Capitulo 7)

As flores rosas das árvores do jardim eram levadas pelo vento. Uma dessas flores atingiu o rosto de Melvin, e depois voou novamente. Ele e Sarah estavam sentados em um banco no jardim. O chão estava repleto de flores rosas. Mas já é uma característica do jardim, essa lotação de flores.
_ Desculpe vir tão cedo. _ Melvin iniciava a conversa _ Eu devia ter vindo um pouco mais tarde, mas é que só vou poder falar com você agora.
_ Ah, por quê? _ perguntou Sarah, estranhando.
_ Estou saindo de Seylor.


Episódio 7

Conseqüências de um triângulo amoroso

_ Mas por quê? _ Sarah não entendia_ Você mal acabou de chegar e já vai partir?
_ Dessa vez não posso ficar muito tempo aqui. Houve um certo imprevisto e terei que partir mais cedo.
_ Que imprevisto?
_Hum...Eu não posso contar.
Sarah permaneceu quieta por um tempo. Então ela olhou diretamente para Melvin, com uma expressão abatida.
_ Que pena! Eu pensei que poderia ficar mais tempo com você. Sua companhia me faz ficar mais alegre. _ Os dois trocaram olhares _ Mas..._ Sarah abaixou a cabeça _ Você vai partir. Com você do meu lado, aquele sofrimento fica suprimido, mas agora ele parece voltar... Você fica ausente tanto tempo, que queria que ficasse um pouco mais. Assim eu me sentiria bem melhor. _ Melvin a continuou olhando. Por um momento, ele sentiu um sentimento que não sentia há muito tempo. Por um pequeno instante, ele sentiu novamente a sensação de amar uma mulher. Depois que isso passou, ele se lembrou:
Gina: Daqui a exatamente cinco dias você deverá ir ao local onde o cristal foi selado. Eu e a pessoa que meu deu essa informação estaremos lá.
_ Eu também queria ficar mais um pouco, mas tenho que tratar de um assunto importante.
_ Está bem...Eu entendo...Mas é que conversamos tão pouco desde que chegou...

Lembrança de Sarah na praia

Melvin: Saia de Seylor, então.
Sarah: Sair do reino?
Melvin:Fique um tempo fora. Uma semana, ou até um mês. Talvez isso a ajude um pouco. Sarah: Talvez você tenha razão. Não seria má idéia.

Tempo atual

_ Se é assim... _ dizia Sarah _ Será que você pode me levar junto?
A pergunta pegou Melvin de surpresa. Ele não imaginava que ela pediria algo assim.
_ Junto comigo?
_ É que ontem você me disse para sair um pouco de Seylor. Que isso me faria bem. Eu achei que isso poderia ser agora.
Melvin: Se eu levar Sarah àquele lugar certamente ela correrá risco de morte. Seria muito perigoso.
_ Não posso! _ disse em voz lata.
_ Não?
_ Eu vou resolver um assunto confidencial. Você não pode ir ao mesmo lugar que eu. Não poderei levá-la.
_ Mesmo que seja por um curto tempo. Deixe-me ir com você até onde der. Eu não preciso ir até esse lugar que você vai. Mas pelo menos me deixe ir com você até uma parte do caminho. _ Sarah ajoelhou-se diante de Melvin _ Por favor! _ Com um rosto quase chorando e implorando por um sim, sua expressão era de alguém desesperada por alguma coisa. Algo que Melvin sentia o que era. Ele sabia o que ela queria. E diante a isso, ele tomou uma decisão seguindo seu coração.
_ Sarah... _ disse ele suavemente e estendendo sua mão a ela _ Tudo bem... Você pode vir comigo.
Sarah o olhou e pegou sua mão. Vagarosamente ela se levantou em direção a ele. Aproximou seu rosto perto ao dele, e o beijou. Melvin não resistiu e se entregou ao mesmo sentimento que Sarah sentia. Depois que afastaram o rosto um do outro...
_ Sarah...
_ Shhh, não diga nada. _ disse colocando o dedo em sua boca _ Eu vou ao meu quarto arrumar minha bagagem. Espere por mim.
_ Tá. _ Melvin acenou. Enquanto via Sarah entrar em um dos corredores, ele pôs a mão em sua boca. Fazia muito tempo que ele não sentia algo assim. Mal sabia ele, que alguém escondido em um dos corredores começou a se afastar. Essa pessoa correu e entrou em vários corredores até chegar em uma porta. Ao entrar, chegou em uma sala mal acabada, onde um homem que estava de costa o esperava. Ele virou-se em direção ao homem que entrou.
_ E então o que você viu? _ O homem na sala era Nicolai. E um homem gordo estava na porta.
_ Primeiro, o dinheiro. _ respondeu homem. Nicolai tirou uma sacola presa à cintura e deu para o gordo, que por sua vez abriu a sacola e viu uma porção de moedas douradas dentro.
_ Agora, me diga! O que houve naquela conversa?
_ Haha, foi bem interessante. Eu não sabia que a filha do rei estava apaixonada.
_ O que? O que diabos houve lá?
_ Primeiro aquele cara chamado Melvin disse que iria sair do reino. Sarah começou a falar coisas que só falaria para uma pessoa que ela estivesse apaixonada. Então ela perguntou se ela poderia sair de Seylor junto com ele.
_ Eles pretendem fugir?
_ Eu não sei. Só sei o que o tal Melvin aceitou, e depois...
_ O que houve depois? Fale logo! _ Nicolai já estava bem irritado.
_ Eles se beijaram.
Nicolai congelou.
Nicolai: Se beijaram? Não...Não...Não pode ser!
_ E parece que depois, Sarah foi para seu quarto arrumar sua bagagem para sair do reino. _ o gordo olhou para Nicolai que parecia uma pedra. _ Ei, você está me ouvindo?
_ É claro que estou ouvindo, seu imbecil!
_ Hã, acho que entendi... Você gosta dela, não é?
_ Cale a boca! Isso não é da sua conta.
_ Hahaha, então é por isso. Que seja! Mas parece que você perdeu. Ela não vai largar aquele Melvin, mesmo. Haha, quem imaginaria que Nicolai, o líder da tropa dos guerreiros de Seylor, está apaixonada pela filha do rei. _ Enquanto o gordo falava, Nicolai passava por ele de cabeça baixa seguindo em direção a porta. _ Mas isso é... _ A espada de Nicolai saiu de sua bainha em milésimos de segundos. Ela agora estava rente ao pescoço daquele gordo. Nicolai estava posicionado de lado, atrás dele. O gordo ficou paralisado sentindo a lâmina tocar a sua pele.
_ Caso não queira sentir esta lâmina novamente, é melhor ficar de boca fechada sobre tudo o que você sabe. Entendeu?
_ Si...sim _ respondeu o gordo sem pensar duas vezes. Tremia sem parar. Sua respiração mais acelerada do que nunca. Foi então que Nicolai retirou sua espada e a pôs de volta em sua bainha.
_ Faça bom proveito do dinheiro. _ O gordo ainda permaneceu estático, mesmo depois de Nicolai sair da sala.

....................

Sarah colocava suas roupas em uma sacola. O sorriso de seu rosto não sumia de jeito nenhum.
Sarah: Eu e o Melvin finalmente ficaremos sozinhos. Talvez eu...
Seu pensamento foi interrompido pelo som da porta rangendo. Alguém entrava em seu quarto.
_ Está com tanta pressa que esqueceu a porta aberta? _ perguntou Nicolai. Sarah vagarosamente virou-se e o olhou. Nicolai a olhava de uma forma triste e ao mesmo tempo séria. _ Por quê?... Por que está indo embora com ele?
_ Nicolai...você já devia saber que não temos mais nenhuma chance. Nosso relacionamento já acabou faz tempo. Você é que ainda...
_ Não acabou. _ interrompeu Nicolai. Lágrimas começaram a cair de seu rosto. _ Você é que ainda acha que acabou. Nós dois... eu ainda acredito que nós dois... que nós dois possamos ficar juntos...Possamos amar um ao outro...Eu amo você.
_ Nicolai. Eu não posso corresponder ao que está sentindo.
_ Não pode? Então o único que pode corresponder seus sentimentos é o Melvin. Ninguém mais além dele. Você tem certeza?
Sarah continuou o olhando sem dizer nada. Ela também se sentia triste ao ver Nicolai daquela maneira. Ele também é um excelente amigo pra ela.
_ Nicolai, eu sempre considerei você como um dos meus melhores amigos. Se amigos de verdade são aqueles os quais possamos confiar, aqueles os quais nós possamos contar nossos segredos e sentimentos...


Lembrança de Sarah

Nicolai: Bem... esse lugar, esse pôr-do-sol, a faz ficar abatida. Não acho que seja saudável ter essas lembranças.
Nicolai: Sabe que pode confiar em mim. Eu sempre vou estar ao seu lado nos momentos difíceis. Pode contar comigo.


Tempo atual

...Se isso é verdade, então...você é um dos meus melhores amigos.
_ Se é assim...se é assim...ENTÃO POR QUE VOCÊ NÃO ME AMA? _ gritou Nicolai.
_ Por que...


Melvin: Não é uma questão de se livrar delas, é uma questão de conviver com elas.
Melvin: Você não é a única, Sarah. Steve, Billy, Nicolai, Ralf, Baltazar e todas as pessoas desse reino também tiveram o mesmo sofrimento. Cada um perdeu seus entes queridos de formas diferentes, mas todos sentem a mesma dor, a mesma saudade. E cada um deles convive com isso todos os dias. E cada um deles lida com isso ao seu jeito. Você também precisa descobrir o seu.
Melvin: Não seja exagerada. Eu sou apenas um amigo conselheiro. Eu só quero ver minha amiga feliz como sempre foi.

Sarah lembrou-se do momento do beijo.


...Eu amo outra pessoa. _ Nicolai se negava a acreditar nas palavras de Sarah. Uma profunda decepção, tristeza e raiva cresciam dentro dele.
_ Não. Você não o ama. _ Nicolai andou em direção a ela. Agarrou o braço dela e começou a sacudi-la.
_ Diga que me ama! _ disse não parando de sacudi-la.
_ Pare! Está me machucando!
_ Vamos, diga..._ suas palavras foram cortadas com um tapa no rosto que o fez tirar suas mãos dela. Ainda com a mão erguida, Sarah o olhava. Nicolai pôs a mão em seu rosto.
_ Saia do meu quarto! _ ordenou a filha do rei. _ Agora!
Nicolai a olhou pela última vez e andou vagarosamente até a porta. Ele passou por ela a fechou. Assim que a porta se fechou, Sarah sentou-se na cama e olhou para sua mão.
Nicolai perambulava pelos corredores do castelo. Sem rumo e sem direção. Ele chegou até uma porta e a abriu, entrando em uma sala. Ela era um depósito de palha. Ele deitou sobre a palha.
_ Sarah.... AGGGHHHHHHHHHHHHHHH!!! _ Chorou e gritou ao mesmo tempo.

.....................

Melvin continuou sentado no banco do jardim. Um pássaro pousou sobre seu ombro. Uma sensação de tristeza o contagiou.
_ Que estranho. Parece que sinto o ambiente triste.

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Mundo Sombrio (Capitulo 6)

Amanhecia em Seylor. Melvin observava a luz matinal entrar pela janela do quarto. Porém, seus olhos estavam bem longe da realidade, sua mente imergia em pensamentos. Aquele momento ainda permanecia vivo na memória.

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_ O que houve com o cristal de aprisionamento? _ perguntou Melvin. Prevaleceu um silêncio no lugar, e finalmente Gina falou:
_ Ele foi roubado!
_ Isso é impossível. Não há como roubarem aquele cristal. Os magos selaram aquele lugar, e só eles sabem como desfazer o selo.
_ Assim como você, ele também afirmou que não havia a possibilidade do cristal ser roubado, já que apenas os magos sabem onde ele está, e como pegá-lo. Por esse motivo acabou criando-se uma suspeita.
_ Suspeita... Entendo... Há uma chance de que um mago esteja por trás desse roubo.
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Melvin: Eu poderia mandar um pássaro mensageiro para a Cidade dos Magos, avisando sobre o ocorrido. Mas com essa suspeita de que um mago esteja envolvido, não seria prudente fazer isso. Preciso ir pessoalmente a cidade e dar esta informação para alguém de minha confiança. Isso, se eu conseguir entrar nela e for bem-vindo. Mas antes, preciso me encontrar com Gina... Cinco dias... O sol já está nascendo. É hora de partir. Preciso apenas me despedir de alguém.

Episódio 6
O ciúme de Nicolai

Em uma floresta, um garoto pegou uma flecha e a pôs no arco. Mirou e atirou. A flecha seguiu até o centro de um alvo circular de madeira pregado numa árvore à frente. Ele deu um breve sorriso, ao ver que a flecha atingiu onde ele queria. Quando ele pegou outra flecha na bolsa presa às costas, ouviu uma voz infantil ao lado.
_ Olhe só quem está aqui. É o “menino sem mira”, Steve _ o menino riu da cara dele.
_ Ei, garoto. Já não me chamam mais assim já faz um tempo. _ disse Steve
_ Ah, você não consegue acertar uma flecha num alvo a um palmo de seu nariz.
_ Você quer ver? _ perguntou Steve apontando para o alvo à frente. Daqui até o alvo tem uns 50 metros. Duvida que irei eu acertar bem no meio?
_ Eu aposto todo o meu dinheiro.
_ Preste atenção garoto! Vou lhe mostrar. _ disse apontando a flecha. Steve mirou e atirou. Logo após de atirar ele fixou seu olhar para o alvo, e de repente sua visão mudou completamente. No lugar da floresta era a escuridão, e no lugar do alvo de madeira era um homem. Steve via a flecha que tinha acabado de atirar seguir em direção ao homem. A flecha seguia até o peito daquele homem. Os olhos de Steve acompanharam o percurso da flecha até ela atingir o coração do homem. Neste instante, tudo ficou às escuras seguido de um som de carne sendo perfurada.
Steve abriu os olhos e no mesmo instante ergueu-se da cama. Quando se deu conta, estava em seu quarto. Estava claro. Já era manhã.
Steve: Foi só um pesadelo?...Apenas...mais um pesadelo.

.......................

Dustin olhava para o espelho enquanto terminava de se arrumar. Via um jovem de estatura normal de cabelos escuros e curtos. Tinha 18 anos, a idade mínima para fazer parte da força militar de Seylor. Mesmo assim, são poucos os que conseguem entrar com tão pouca idade. E Dustin era um deles. Era seu primeiro dia como um arqueiro de Seylor. Sentia-se preparado e confiante. Enquanto olhava-se no espelho, o reflexo de uma criança apareceu ao lado.
_ Irmão, você já vai sair? _ perguntou ela.
_ Sim, Eddie. Hoje é meu primeiro dia como um arqueiro. _ O irmão de Dustin tinha apenas sete anos. _ Vou ser vigia da Torre dos prisioneiros.
_ Minha irmã disse que você não deve ir á esse lugar, porque pode ficar emotivo e fazer uma besteira.
_ Eu não vou fazer nada. Samara se preocupa demais. _ Assim que terminou a frase. Dustin e Eddie ouviram outra voz no quarto.
_ Dustin! Por favor, não vá! _ disse Samara, que tinha entrado no quarto há pouco tempo. _ Peça um outro tipo de trabalho para o Sr. Ralf, mas não vá para aquele lugar. Se você vê-lo, você pode...
_ Isso não tem nada haver com ele. Irei apenas cumprir meu trabalho e trazer dinheiro para essa casa. Eu sou o único que pode fazer isso. Preciso garantir nossa sobrevivência. _ disse Dustin num tom mais firme.
_ Prometa que vai ser apenas isso?
Dustin olhou dentro dos olhos de sua irmã e depois para seu irmão mais novo.
_ Eu prometo...a vocês dois.
....................

Sarah chegou à mesa do café da manhã. A mesa de dez metros de comprimento estava cheia de alimentos. A sala onde ela se encontrava era bem grande também. Apesar de todo o tamanho da mesa, apenas duas pessoas estavam sentadas a ela: Ralf e Nicolai. Apenas a família real do rei e convidados podiam sentar naquela mesa. Mas como a família real se resumi a pai e filha, a mesa acaba ficando vazia. Por isso, os três líderes militares do reino sentam à mesa junto com a família durante as refeições.
_ Bom dia! _ disse Sarah, sentando.
_ Bom dia! _ respondeu os dois.
_ Onde está Baltazar?
_ Hum_ respondia Ralf_ ele deve ter bebido muito ontem à noite e ainda estar sofrendo as conseqüências. Ele não vai acordar tão cedo.
_ Ele é bem irresponsável _ disse Nicolai _ Nem parece um líder de um exército.
_ Você sabe como é o Baltazar. É o jeito dele...infelizmente.
Sarah sentiu falta de mais alguém à mesa.
_ E onde está Francis?
_Ele acordou cedo, e já passou por aqui. _ respondeu Nicolai. Ralf completou:
_ Não notaram que o ar nessa sala parece melhor. Sem ele o começo da manhã se torna muito mais agradável.
_ Também concordo _ disse Sarah _ mas não é sensato expressarmos isso abertamente.
_ Tem razão _ disse Nicolai _ Não podemos ficar falando essas coisas, se não teremos problemas depois.
_ Qual é o problema? _ perguntou Ralf bebendo seu último gole de café_ Estamos sozinhos aqui.
_ Você nunca ouviu falar que as paredes têm ouvidos, Ralf?
_ Só estou expressando minha opinião. Estão cansados de saber que não simpatizo com aquele homem.
_ E você acha que alguém aqui simpatiza? _ perguntou Sarah, de forma irônica.
_ Então estamos entre amigos. Não temos porque nos privar dessa opinião em comum. _ Ralf levantou-se e caminhou para a saída. Com isso, apenas Nicolai e Sarah estavam na sala.
Nicolai: Agora que estamos sozinhos, eu posso saber o que aconteceu entre eles dois ontem.
_ Sarah, o Melvin te fez bem alegre ontem, não foi? O que ele contou a você?
Sarah o encarou por um instante, e depois abriu um sorriso.
_ Ele...me fez abrir os olhos. _ disse ela permanecendo com um sorriso no rosto. Como se apenas lembrando do que houve, fosse suficiente para ficar alegre. Nicolai percebeu isso.
_ Ele apenas lhe deu conselhos?
_ Bons conselhos, por sinal. Me sinto bem mais alegre agora.
_ É os que os amigos fazem, não é? Dão conselhos.
Após a fala de Nicolai, Sarah pareceu viajar em pensamentos. Seu rosto permanecia intacto com uma expressão alegre. Ela recordava a noite passada.


_ Tem razão. Não há com o que me preocupar. Eu tenho amigos em que posso confiar. Amigos como você. E por sinal,...você é o meu melhor amigo.
Melvin ficou com as bochechas um pouco avermelhadas após a fala de Sarah. Ele pôs a mão na parte de trás da cabeça e deu um sorriso meio que envergonhado.
_ Não seja exagerada. Eu sou apenas um amigo conselheiro. Eu só quero ver minha amiga feliz como sempre foi.
Sarah também deu um sorriso. No fundo ela sentia um pouco de amor por aquela pessoa. Olhando o rosto de Melvin, ele também parecia esconder esse sentimento.
_ Fico feliz de ser sua amiga.


Nicolai sempre percebia quando ela fazia aquela expressão.
Nicolai: Ela está pensando nele...
_ Sarah! _ disse Nicolai em um tom alto o bastante para tirar Sarah de suas lembranças. Quando ela o olhou, ele fez uma cara alegre. _ Desculpe, é que você parecia meio distraída.
_ Só estava pensando... _ Sarah levantou-se.
_ Aonde vai?
_ Eu vou pro meu quarto.
_ Mas você não terminou o café.
_ Não estou com muita fome. _ disse ela saindo pela porta. Após entrar no corredor e fechar a porta ela parou por um instante. Olhou para a porta da qual veio.
Sarah: Nicolai... Você não faria essas perguntas, se não estivesse preocupado com o meu relacionamento com o Melvin. Você realmente ainda acredita em nós dois?

....................

O lado direito do castelo de Seylor tem seu corredor do primeiro andar do lado de fora. Há apenas um muro de meio metro separando o jardim do lado de fora e o corredor. Podia-se ver a beleza do jardim para quem andava por este corredor. As belas flores rosadas das árvores preenchiam o belo jardim.
Nicolai andava neste corredor, mas nem sequer olhou para o jardim. Sua mente estava pensativa.
Nicolai: Cada vez mais, eu me afasto da Sarah. Provavelmente, ela sabe que ainda gosto dela. E talvez ela prefira ficar mais com aquele mago do que comigo. Isso se ela já não estiver apaixonada. Tenho que evitar qualquer tipo de contato entre eles. Isso não pode continuar assim.
_ Hã..._ seu pensamento foi interrompido ao ver alguém perturbador vindo da direção oposta. _ Melvin..._ sussurrou ele.
Nicolai: O que ele veio fazer aqui tão cedo? Será que veio ver a Sarah?
_ Olá, Nicolai! _ cumprimentou Melvin ao se aproximar. _ A Sarah já acordou?
Nicolai: A pergunta perfeita para uma mentira.Ele é bem idiota.

_ Não. Ainda continua dormindo. Ela chegou tarde ontem à noite e por isso está bem cansada. Não deve acordar tão cedo.
Melvin: De novo essa expressão... Ele está forçando o rosto para parecer que está sendo sincero.


_A propósito, vim aqui falar com ela. Você sabe onde ela está? _ perguntou Melvin.
_ Não. Eu não a vi. Mas acho que ela está no castelo. _ respondeu Nicolai.


Melvin: Ontem, quando fui procurar pela Sarah, ele mentiu. Será que ele está mentindo novamente? Mas por que?
_ Nicolai..._ disse Melvin, suavemente_ Será que posso dar uma olhada no quarto dela?
_ Hã...Por que? Ela está dormindo agora.
_ Apenas quero ter certeza. _ Melvin fez uma expressão séria.
Nicolai: Por que ele está me olhando desse jeito? Será que sabe que estou mentindo? Mesmo assim irei continuar.
_ Melvin, eu não estou entendendo. _ disse dando uma risada sem graça _ Eu já disse. Ela está dormindo. A porta está trancada. Ninguém pode entrar lá.
_ Talvez eu possa forçar uma entrada.
Nicolai: Ele quer mesmo vê-la.
_ Se fizer isso, terei que prendê-lo por invasão a propriedade real. Não vou repetir mais uma vez. Sarah está neste exato momento em seu quarto... _ Nessa hora, uma outra voz apareceu. Vinha de trás de Nicolai.
_ Melvin! _ disse Sarah vindo de um corredor à direita. _ Que bom que veio cedo! _ Sarah andou até ele. Ela estava longe o bastante para não perceber que os dois discutiam sobre ela. Nicolai estava com a cara travada. Melvin deu um pequeno sorriso, e depois olhou para Sarah.
_ Olá, Sarah! Acordou agora? _ perguntou Melvin.
_ Faz mais de uma hora.
_ Verdade? Parece que uma hora passa bem rápido aqui, não é Nicolai? _ Melvin virou-se novamente para Nicolai, que tirou sua cara de gelo, para uma séria. Um pingo de suor vindo da testa, resvalou sobre seu rosto.
_ Eu tenho mais o que fazer. _ disse se virando e afastando.
Nicolai: Droga! Minha ação agora foi patética.
Melvin o observava ir embora.
Melvin: Por que ele está agindo assim?Por que estava mentindo?


CONTINUA...

Referências:
http://seriemundosombrio.blogspot.com (Site do autor)
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