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Verde

Todos os personagens aqui apresentados não me pertencem.






Verde




Brisas. Ele consegue ser mais doce que açúcar. Como pode ?

A grama era macia, verde, limpa, viva. Braços, cruzados atrás da cabeça. Olhos entreabertos num tom sonolento. Ora ou outra pegava-se sorrindo. Algumas boas lembranças lhe vinham a mente e lhe faziam abrir os dentes.

Azul. Shun mergulhava num azul profundo, pacífico e tão calmo quanto seu coração e respiração. O céu. As suaves brisas batendo no rosto. Suspirou permitindo que os bons pensamentos governassem o momento.

"É bonito ..."

Sentou-se espriguiçando-se. Os cotovelos apoiados nos joelhos dobrados e movimento nos cabelos verdes. O vento. Era tão puro e inocente. Incapaz de matar.

Pegou-se novamente em sorrisos enquanto as pétulas dançavam no gingado das brisas. As folhas tremulavam pacificamente no topo dos galhos. O jardim do santuário jazia em paz como o resto do mundo. Tão pacífico quanto seu coração.

Os olhos alcançaram o céu enquanto as mãos apoiaram-se para trás com todo seu leve peso. Que paz contagiante. O Sol no topo do céu apenas alumiava abaixo. Alumiava o santuário. O momento era agradável a ele até uma voz sussurrar :

- Bonito, não é ?

Amigável. Pacífica. Animadora. A voz era doce e foi diretamente ao seu ouvido enchendo-o todo. Manteu a cabeça erguida. Shun ao menos se virou, somente suspirou uma vez mais. Mesmo não tendo olhado nos olhos de quem começara a mover-se para sentar-se ao seu lado, Shun conhecia bem a voz.

- Sim, é bastante bonito, Seiya ... ah, - respirou fundo com calma, fechou os olhos - sinta essa paz...

- É, isso é mesmo bom.

Enfim, olhou-o nos olhos castanhos como o cabelo. Viu um belo e pequeno sorriso nos lábios. Convidativo, doce, corajoso. Seiya. Shun comoveu-se. Seu coração era puro, e como sempre, incapaz de matar.

Seiya, sentando-se ao seu lado, com seu sorriso de desmontar, sobre aquela grama da cor do cabelo de Shun, ergueu a cabeça :

- É mesmo uma coisa fascinate. Ainda bem que acabou.

- Guerra ... Eu não entendo.

- Ninguém entende, e é por isso que eu estou feliz ...

- Feliz pelo que, Seiya ?

- Por ter acabado, todo o sangue inocente que não deveria ser derramado, por você ...

A última frase proferida estampou um sorriso de lábios entreabertos no rosto de Shun. Bonito, delicado e macio. O amável Shun.

Os olhos não desgrudavam do céu, céu azul e tão bonito quanto o momento. Fechou os olhos uma vez mais e as boas lembranças vieram. Deixá-las vir e acomodar-se em qualquer parte de seu cérebro era o jeito. Shun somente estava ligado ao momento, as brisas, as folhas verdes e trêmulas no topo dos galhos, o Sol, em Seiya. Sem ter encarado-o por algum tempo, só notou o contato sobre sua mão quando sentiu o calor na superfície. A mão corajosa e protetora de Seiya estava sobre a sua.

Agora sim, Shun encarou-o melhor e sorriu. Desde a última frase, não houve qualquer palavra senão os pensamentos e sentimentos que não conseguiam ser expressos em suas palavras, e sim, em ações. Beijos.

O rosto de Seiya quebrava cada centímetro com uma aproximação corajosa. Ele estava dedicado, então, os lábios encostaram na pele macia de Shun. Plantou um pequeno beijo em sua bochecha. O garoto corou e sorriu arrepiando-se todo. E novamente, um sussurro ao pé do ouvido :

- Eu te amo, Shun ...

Bonito, era só seu. Seiya era somente seu. O garoto de cabelos verdes conseguiu entender bem, muito bem. Agora a mão quente sobre a sua tentava encaixar os dedos. Shun entreabria os seus permitindo.

Aqueles cabelos castanhos, brilhantes e cheirosos se moviam com o vento, e era bonito de se ver. Era bonito e puro através dos olhos de Shun. E aqueles olhos fitando seus cabelos verdes. Por que ? Só então o garoto percebeu ao ouvir :

- Espere, Shun.

- O que foi ?

- Tem umas folhas aqui no seu cabelo.

Shun levantou uma mão em direção aos cabelos, mas foi interrompido or um gesto de Seiya :

- Espere, deixe que eu tiro.

E os dedos entravam dentro dos fios verde com cuidado. Emaralharam-se adentro. Ele não continha um risinho lateral satisfátorio ao tirar as folhas daqueles cabelos tão macios quanto a pele do garoto.

- Pronto. Agora não há nenhuma.

- Obrigado, Seiya - e sorriu.

De repente, a mão quente e dourada passeou pelo rosto depois de acariciar os cabelos verdes. Como era bom. O sorriso de Shun cessou. Ambos os olhos encontraram-se. Agora estavam se encarando profundamente.

- Você tem olhos lindos, sabia Shun ?

E o calor do rosto estava a altura das mãos. Agora eram duas mãos segurando seu rosto firmemente. Ficou sem palavras. O vento somente balançou seus cabelos verdes de lado. Agora sentiu o rosto além de avermelhar e esquentar, ser puxado para os lábios descoloridos e brilhantes de Seiya. Ele não reprimia o desejo, o pensamento e o ato. O melhor era permitir.

E então foi. Lábios nos lábios. O jeito como Shun movia os seus era tão inocente quanto a maneira calma de Seiya. Os olhos fecharam-se e então sentiram-se fora de si. Lábios fora do controle.

Separaram-se como algum dia deveriam, mas não queriam. No momento, os rostos somente se afastaram.

"Doce ..."

Esse era o pensamento de ambos. Era o que ambos haviam sentido, e esquecido dentro de cada um de si. Uma mão ao peito de Seiya,e Shun sentiu seu coração descompassado. Era por causa dele, de seu garoto. Sorriu. Juntos sorriram, e novamente Seiya plantara outro beijinho em sua bochecha quente de rosto corado.

Outro sussurro ao pé do ouvido :

- Eu te amo, Seiya ...

E arrepiou-se todo. Agora era Seiya que tinha ouvido. Melodiosa, açúcarada, inocente, a voz de Shun era agradável aos ouvidos. E a mão sobre o peito de Seiya precionou-o com calma. Mais um sorriso.

Cairam sobre a grama macia. A brisa teimava em fazer seus cabelos cairem de lado. Era suave, bom. E então, os braços de Seiya haviam cruzado-se atrás da cabeça, e sobre seu peito, Shun havia adormecido.

"O dia realmente está bonito hoje ..."

Era o que pensava enquanto sentia a respiração calma do garoto sobre si. Ele dormia como um anjo sobre o gramado. Um anjo doce de cabelos verdes sobre o peito de Seiya.







By Christie





[Fim]




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É aí gente ? O que acharam dessa mais nova insanidade ? Estranho ... ? sei não, ocês que sabem. Então comenta aí, eu juro que não dói [=3]

Toda dor que eu sinto

Toda a dor que eu sinto





N/A: Música incidental: Israel´s Son, do Silverchair




A opulenta mansão dos Malfoy nunca vira dias tão tristes: outrora um lugar de luxo e riqueza, seu ar agora era quase o de uma casa abandonada. O mato que crescera na primavera não fora podado e resquícios do inverno terminado há muito ainda residiam nos montes de lixo e refugo acumulados nos passeios.

O crepúsculo cuidava do resto. Quando o sol se punha, as vidraças opacas das janelas mais pareciam espelhos que refletiam aos passantes um brilho perdido. Isto é, se os eventuais transeuntes conseguissem ver a casa: ela estava protegida, nesse verão, por muito mais do que as árvores frondosas que cresciam rente ao muro.

Nesse instante, três figuras altas cruzavam os jardins mal-cuidados: um rapaz loiro, de feições delicadas e olhar decidido, parecia liderar o grupo; logo atrás, uma mulher quase da sua altura, com os mesmos traços requintados, mostrava-se relutante em prosseguir, embora conhecesse o caminho. Por último, estava uma morena de olhos frios, que recaíam sobre a nuca do rapaz. Parecia estar feliz com alguma coisa.

- Draco, não entre! – pediu a primeira mulher, segurando o menino pelo braço. Estavam diante da enorme porta de carvalho inglês que dava acesso à mansão.

- Como não, Cissa? – A segunda se aproximou e afastou os dois – Draco é quase um homem, sabe se decidir sozinho. Não é, Draco? – Fixou os olhos negros nos azuis de Draco.

“Eu sei que você tem medo, Draco. É um fracassado, assim como seu pai...”


Hate is what I feel for you,
Ódio é o que eu sinto por você

And I want you to know that I want you dead
Desejo que saiba que eu quero você morto

You're late for the execution...
Você estava atrasado para a execução...

If you're not here soon, I'll kill your friend instead
Se não aparecer em breve, Vou matar seu amigo em seu lugar


- Sim. Já me decidi. – Draco fitava os olhos da mulher, com vontade de piscar. Sabia o que ela estava tentando fazer...

“Não me importo com o medo. Ele me chamou, estou aqui. Não tenho medo”.

Quando sentiu que seu olhar fraquejaria, a morena deu uma risada alta, quase histérica:

- Isso mesmo, garoto! Tenho orgulho de tê-lo como sobrinho! Agora acalme-se, Cissa, ou não vão nos deixar entrar.

- Não me interessa! – Cissa gritava agora – Bella, não vê o que ele pretende? Por que chamou Draco aqui?

Bella abriu um sorriso enorme – Sim, eu sei. Fico contente que Draco tenha alcançado essa honra...

Cissa explodiu:

- HONRA?!? Draco é uma criança, Bella! Como ele pode ser útil... se Lúcio...

- Lúcio falhou. Deixou a profecia quebrar. O Lord das Trevas precisa de mãos para trabalhar pela sua causa, Cissa, não de lamentações.

“Você deixou meu pai ser preso... VOCÊ! Se eu pudesse, faria você sentir dor agora, com minha própria varinha...”


All the pain I feel,
Toda dor que eu sinto

couldn't start to heal,
Não pôde começar a sarar

although I would like it to
Embora eu quisesse


“ Você não é capaz, moleque. Vai morrer, eu sei. Mas vai morrer tentando, e isso é tudo o que importa”.

O momento de tensão pareceu ceder quando a porta foi aberta por um homem grande e quadrado. Tinha o rosto duro e marcado pelo tempo, como uma rocha atingida constantemente pelo mar.

- Bellatriz, Narcisa! – cumprimentou ele – E também... Ah!

- O Lord das Trevas o chamou aqui, Amico – esclareceu Bellatriz – Podemos entrar?

- Claro, claro! Você é esperado, Draco... – garantiu Amico, abrindo mais a porta e olhando de modo estranho para as duas mulheres – e sozinho.

- Você não pode me impedir de entrar na minha própria casa, Amico! – Narcisa puxou a varinha de dentro das vestes e apontou para o bruxo à sua frente. O homem apenas sorriu:

- Você é quem sabe, Narcisa. O Lord das Trevas não anda muito contente com os Malfoy ultimamente, não é? Faria melhor ao Draco se vocês duas – encarou Bellatriz diretamente – Ficassem aqui fora.

Bellatriz quase sacou a varinha também, mas controlou-se no ultimo instante. Um músculo em sua face tremeu, mas ninguém notou:

- Não seja estúpido, Amico. O Lord das Trevas nunca me negaria entrada em seus aposentos. Sou a maior, a mais fiel...

- ...Sei, sei – Amico interrompeu, com um aceno zombeteiro – A melhor, a única, etc... Quer saber? Por mim, você pode entrar e ver com seus próprios olhos. E você também, Narcisa. – disse ele e abriu caminho. Draco deu uma ultima olhada para trás e cruzou o portal. Narcisa guardou a varinha e o seguiu imediatamente, Bellatriz quase esbarrando no homem ao entrar.

“Você me paga por isso, Amico!”

“Adeus, Bellatriz. Foi um prazer lhe conhecer”. Amico sorriu e fechou a porta.




As três sombras seguiram por corredores decorados com suntuosidade, embora o pó já começasse a se acumular nos cantos. Subiram a escadaria e viraram à direita, dando de frente em outra porta enorme, onde ficava, em outros tempos mais amenos, o escritório de Lúcio Malfoy.

Draco e Narcisa hesitaram, mas Bellatriz avançou confiante e empurrou as portas duplas com ambas as mãos. Entraram os três.

A sala era uma mistura de local de trabalho e biblioteca: estantes imensas cobertas de livros iam do chão ao teto, deixando espaço apenas para a porta e dois janelões. Uma escrivaninha atulhada de pergaminhos separava os convidados do anfritrião.

- Milorde... – saudou Bellatriz, com humildade e em voz baixa.

O homem a quem se dirigia estava de costas, olhando pelas janelas sujas. O último raio de sol daquele dia agourento se fora e era difícil divisá-lo na sala, com suas vestes longas e negras. A parte mais visível de seu corpo era a cabeça – Uma nuca muito branca e sem pêlos, onde a pele parecia papiro velho.

- Estive observando sua chegada... – disse o homem, que se virou e encarou os visitantes. Seu rosto era uma máscara: Olhos oblíquos e vermelhos como os de uma serpente, e um nariz que eram apenas duas fendas, completavam o horror que ele emanava além do nome: Voldemort.

-...e ouvi por alto a discussão que tiveram com Amico. – Completou ele, olhando nos olhos de cada um, mas demorando-se em Draco.

“Tão superior... e mesmo assim, não passa de um inútil, como Lúcio... você merece morrer?”


I hate you and your apathy,
Odeio você e sua apatia

you can leave, you can leave, I don't want you here
Pode ir, pode ir, Não quero você aqui

I'm playing this pantomime,
Estou brincando de pantomima

but I don't see you showing any signs of fear
Mas não vejo você mostrar nenhum sinal de medo


“Não tenho medo de você... não tenho medo de você...”

Voldemort deu a volta com rapidez na escrivaninha e aproximou-se de Draco. O rapaz evitou recuar instintivamente, pois o homem sacara sua longa varinha, apontando displicentemente para o chão.

- Ora, ora, ora... O filho de Lúcio... – ele examinava Draco atentamente, ignorando as mulheres por completo.

- Milorde, foi tudo culpa de Amico! – tentou justificar Bellatriz – Se eu não tivesse insistido...

- CALE-SE!!! – bradou Voldemort – Acha mesmo que você teria sido autorizada a entrar, se eu não quisesse?

Bellatriz recuou chocada. Parecia ter sido afetada pelas palavras duras.

- Amico apenas fez o que eu lhe mandei fazer – continuou o bruxo – Barrá-las. Incitá-las. Assim eu poderia avaliar a sua lealdade.

- Minha lealdade, Milorde? – Bellatriz assustou-se ainda mais. – Mestre, deve saber que minha lealdade...

- Não a sua, Bella. Sei como você é! Um cachorrinho fiel e esperto, pronto para lamber ou morder, conforme minha vontade...


This time I'm for real,
Dessa vez é sério

my pain can not heal,
Minha dor não pode sarar

you will be dead when I'm through
Você vai morrer quando eu te pegar


Virou-se então para a mulher loira e completou - Não... Apenas a lealdade de sua irmã!

Narcisa ficou mais pálida do que já era. Será possível que ele soubesse?

- Vi você sacando a varinha, Narcisa. – acusou Voldemort – Teria coragem de atacá-lo?

- Mestre, eu... – gaguejou Narcisa, mas foi interrompida quando o bruxo levantou sua varinha própria e apontou-a para a testa dela.
- Porque EU teria! – garantiu o homem, com uma fúria crescente – Então com Lúcio preso e você morta, talvez eu pudesse confiar um pouco mais nos servos que me restassem...

- NÃO!!! – Draco gritou. Voldemort riu baixinho, e sem olhar para o rapaz, baixou a varinha. O menino empalideceu também.

- Realmente não, Draco, – garantiu o bruxo – tenho trabalho para vocês três.

Afastou-se novamente, e Narcisa pôde respirar aliviada. Ele voltou para detrás da escrivaninha, mas dessa vez espalhou os pergaminhos, procurando um em especial: abriu-o e leu.

- Temos planos de retirar Lúcio e os outros idiotas de Azkaban em breve – falou, para ninguém em particular. Momentos depois continuou, - Os Dementadores já debandaram, mas o Ministério permanece lá. Nossos aliados estarão fracos demais para viajar com magia. Vocês duas estarão na equipe de resgate, que voará até a prisão.

- Sim, Milorde – as mulheres concordaram em uníssono.

- Quanto ao nosso jovem Draco... Tenho um trabalho que pode lhe agradar – sacudiu a varinha num gesto indolente, e Draco se aproximou da mesa. Encararam-se mais uma vez.

“NÃO TENHO MEDO DE VOCÊ!”

- Sei que não tem, Draco – Voldemort respondeu à exclamação não-verbalizada, e o rapaz gelou – é isso que me levou a escolher você para essa missão.


Hate is what I feel for you,
Ódio é o que eu sinto por você

And I want you to know that I want you dead
Desejo que saiba que eu quero você morto

You're late for the execution...
Você estava atrasado para a execução...

If you're not here soon, I'll kill your friend instead
Se não aparecer em breve, Vou matar seu amigo em seu lugar


“Vai realizá-la graças à sua imensa coragem ou ao seu medo igualmente grande? Decida-se!”

A noite caíra por completo, e o silêncio que se seguiu durou quase uma eternidade. Foi Narcisa quem o quebrou:

- Milorde... Posso eu perguntar... Que missão seria essa?

Voldemort riu:

- Uma missão fácil, minha cara Narcisa. Uma missão muito fácil. Vai provar para mim que Draco é capaz de consertar os erros do pai, ao mesmo tempo que me prestará um grande serviço

Um sussurro de conversas pôde ser ouvido no andar térreo, mas Voldemort ignorou-o. Mantinha o olhar fixo nas reações do rapaz à sua frente.

- Draco deverá matar meu pior inimigo – concluiu.

- Harry Potter? – sussurrou Bellatriz, mas Voldemort a ouviu. Apontou a varinha para ela e gritou: “Crucio!”

A mulher caiu, seu corpo tremia com espasmos involuntários. E berrava a plenos pulmões.

Segundos depois (que pareceram uma eternidade a Bellatriz), o homem baixou a varinha e o silêncio voltou. A mulher arrastava-se no chão como um verme, seus cabelos negros como uma cortina encobrindo sua face.

- Nunca mais repita isso, Bella! – vociferou o bruxo – Harry Potter não é nada, ouviu? NADA! Eu mesmo cuidarei nele no momento adequado. Draco eliminará Alvo Dumbledore.

Narcisa, que estivera prestes a ajudar Bellatriz a se levantar, parou no meio do caminho: virou a cabeça rapidamente em direção ao Lord das Trevas. Draco estava igualmente pasmo.

- Sim, Draco! Alvo Dumbledore, o amante de trouxas! Alvo Dumbledore, o tolo que acredita no amor! Chegou a hora dele partir... Ah! E antes que vocês comecem a ter idéias – Voldemort emendou, com um sorriso ofídio e perigoso – Vou explicar os motivos que me levaram a escolher Draco para essa missão.

Ajudada pela irmã, Bella havia se levantado, embora balançasse precariamente, as pernas ainda bambas. As duas não tiravam os olhos de seu senhor...

E nem Draco.

- Primeiro de tudo... – enumerou Voldemort – Draco é estudante em Hogwarts, portanto, um espião válido infiltrado no seio do inimigo. Segundo, é bem capacitado em Oclumência, além de ser capaz de usar nossas...Armas.

“Terá coragem de usar uma Maldição Imperdoável, moleque? Pagaria pra ver isso!”

- Terceiro e último: eu quero que assim seja. Concorda com isso, Draco?

Os lábios do rapaz tremeram ligeiramente, mas sua voz era firme quando respondeu:

- Sim, Milorde.

- Ótimo! Estenda seu braço esquerdo.

Era o momento que ele mais almejava durante toda a sua vida. Já vira a marca em Lúcio, queria ser igual ao pai, e limpar o nome de sua família, trazer glória e honra para seu próprio nome. E um momento desses não deveria ser manchado pelo medo que tingia cada parte dele. Pela primeira vez considerou que, no fundo, talvez não quisesse ser um Comensal da morte. Pena que fosse tarde demais.

“Eu não tenho medo!”

- Seu braço, Draco – repetiu Voldemort.

Segundos de angústia...

“Me perdoe, mãe...”

“Sim, Draco, Sim!”

“Draco! NÃO!!!”

Um lampejo verde-esmeralda precedeu um grito de dor lancinante, seguido de uma gargalhada insana. Quando seus olhos entraram em foco novamente, Draco olhou para o ponto onde a varinha de Voldemort tocara seu braço. E ele viu.

A Marca Negra.


All the pain I feel,
Toda dor que eu sinto

couldn't start to heal,
Não pôde começar a sarar

although I would like it to
Embora eu quisesse


- Conhece as regras agora, Draco – Voldemort parecia decidido, por um momento deixara de ser frio e sarcástico – sabe aparatar?

- Sim... Digo, não muito bem, Milorde...

- Não importa. Você está dispensado de aparatar para cá quando eu tocar qualquer outra marca, já que é impossível fazer isso em Hogwarts.

- É, eu sei – confirmou Draco – a Granger...

- Não me interrompa! Como eu dizia, dispenso-o de aparatar aqui quando sentir a marca queimar. Só não tenho como dispensá-lo da dor.

“Dor?”

- Então, vá! – ordenou o bruxo – Creio que precise fazer... hum... Certos preparativos para seu ano letivo. E vocês duas – acrescentou, apontando para a mãe e a tia do garoto – podem ir também.

Draco estava assustado demais para sequer olhar a mãe, então saiu da sala o mais rápido que pôde. Narcisa o seguiu, e Bellatriz fez uma reverência para o Lord das Trevas, que estava novamente de costas para a porta.


This time I'm for real,
Dessa vez é sério

my pain can not heal,
Minha dor não pode sarar

you will be dead when I'm through
Você vai morrer quando eu te pegar


Saiu correndo da sala e conseguiu alcançar a irmã no topo da escadaria. A porta da frente estava escancarada.

- Draco – chamava Narcisa –Draco, volte!

- Cissa, espere!

- Me solte, Bella! – pediu a outra – Tenho que ir!

- Aonde vai, sua tola? – Bella perguntou – Draco está sozinho agora!

- Não vou atrás de Draco... Vou procurar ajuda... Vou procurar Severo Snape!

- QUÊ? Severo? Você é louca? Confia nele? – mas falou para as paredes; Narcisa desceu as escadas, correu até o gramado defronte à casa e desaparatou.

Sem pestanejar, Bella fez o mesmo. Os jardins da Mansão Malfoy ficaram novamente desertos, entregues a um luar tímido que se esboçava por entre as nuvens, e um vento frio que trazia consigo o aroma de alguma coisa doce e acre ao mesmo tempo:

Catástrofe.


FIM



Autor: Rodrigo

Um monte de lesmas

N/A: Gostaria de agradecer a todas as betas que se dispuseram a ler e comentar essa fic: Larctique, Marília Móvio, Suzi e Ferfa. Mas quero agradecer especialmente à Dark Angel, pelos momentos de risadas quando eu leio essa fic, agora. Ela sabe o porquê...




Eram cerca de oito da noite, e escurecera há pouco. Normalmente, Rony Weasley estaria encrencado por andar sozinho à essa hora pelos corredores de Hogwarts. Hoje, não faria diferença: ele já estava encrencado.

“Eu sou mesmo uma besta...” pensava ele, “Por que diabos eu fui inventar essa estória de carro voador... Olha só o Harry! Vai ficar umas duas horas com o Lockhart, respondendo cartas dos fãs...” Nesse ponto, Rony fez uma careta. Pensando bem, talvez seu castigo não fosse tão ruim assim.

Antes que pudesse perceber, já havia chegado à sala de troféus. Com um suspiro profundo, empurrou a porta e entrou, arrastando seus enormes pés. Argo Filch, o temido zelador da escola, já se encontrava lá.

– Ah, você! – resmungou ele, e acenou com um espanador. – Venha, seu pestinha, temos trabalho a fazer.

– Temos? – Rony ficou esperançoso.

– Na verdade, você tem. – Filch acrescentou, com um sorriso sombrio – Afinal, você é quem está detido.

O homem deu as costas e caminhou para um ponto no centro da enorme sala, cheia de taças poeirentas e brasões enferrujados. Uma nesga de luar penetrava por uma janela no alto, e incidia diretamente num tipo de armário baixo de vidro, lotado de escudos, medalhas e condecorações, todas descansando num forro de veludo vermelho.

A um sinal de Filch, Rony se aproximou. Antes de mais nada, viu, em cima do tampo de vidro, um frasco tamanho grande de removedor multiuso da Sra. Skower e uma flanela amarrotada. Mas não era isso que Filch apontava:

– Esses são os prêmios especiais por serviços prestados à escola. – esclareceu Filch – Por isso, tenha cuidado. Vou começar por ali, tirando o pó. Você vem em seguida e dá o brilho.

Rony riu:

– Brilho? Nesse ferro velho?

Mas Filch não gostou:

– Isso mesmo. E se não estiverem tinindo até o fim da noite, vou me encarregar de que sua próxima detenção seja com o Barão Sangrento.

Imaginando qual dos dois seria pior, Rony resignou-se. E já ia se afastando quando o zelador o chamou novamente:

– Um momento. A Profª. McGonagall me autorizou a confiscar sua varinha. Passe pra cá!

Corando violentamente, Rony sacou a varinha e a entregou.Ela emitiu um guincho agudo e soltou fumaça, a ponta quebrada balançando precariamente, presa apenas por um fiapo de fita adesiva. O garoto tentou justificar:

– Ela... Está meio estranha desde... Desde o acidente. Eu aconselharia ao senhor não tentar usá-la...

Então foi Filch quem ficou vermelho como um tomate, enquanto embolsava a varinha. Mas Rony não percebeu.




Duas horas depois, com o braço direito já doendo de tanto esfregar as pratarias encardidas, Rony teve completa certeza de que preferia o Barão Sangrento. Além dos costumeiros comentários asmáticos de Filch sobre como nos tempos do Prof. Dippet a palmatória era bem utilizada, mais chato ainda era ser chamado de “pivete imbecil” ou “adolescente inútil” de cinco em cinco minutos.

– ... E sonho com o dia em que eu vou dar uma lição bem-merecida naqueles seus irmãos insolentes! – Completou Filch, com um olhar furioso. Parecia capaz de aproveitar a presença de Rony para descontar toda sua frustração com os gêmeos.

– Não tenho culpa que eles desrespeitem os regulamentos! – Retrucou o garoto.

– Mas não pensou nos regulamentos quando atingiu o Salgueiro Lutador com aquele Ford do seu pai, não é? – O zelador acusou, enquanto tirava o pó de uma velha armadura, já cheia de marcas oxidadas.

– Não me orgulho disso – respondeu Rony, cabisbaixo – Mas já basta o berrador que minha mãe mandou, ainda tenho que ouvir você lamentar que aquela árvore maluca não tenha me amassado?

Filch riu pelo nariz, e continuou a limpar. Rony lembrou do desgosto que causara em casa, ainda mais quando comparado com seus outros irmãos: Carlinhos havia sido capitão da equipe de Quadribol, Gui fora Monitor-Chefe... E Percy agora era Monitor. Teria melhores chances se comparado a Jorge e Fred, mas nem isso lhe consolava: se continuasse nesse ritmo, poderia ser expulso. Aí seria o fim.

E na Floreios e Borrões? Todos olhando para Harry, quase o idolatrando... Certo, fora ele que dera um jeito em Você-Sabe-Quem, mas pra que tudo isso? Mione era outra que o fazia se sentir mal: sempre a melhor da classe, sempre a primeira. Será que ele ficaria eternamente à sombra dos irmãos e dos amigos?

– E onde você está, lindinha? – Filch chamava Madame Nor-r-ra, olhando para o chão e quase derrubando o elmo com o espanador. – Está escondida?

– Ela não está aqui. – garantiu Rony, infeliz.

– Bem, deve estar caçando alguns de seus amiguinhos arruaceiros, não é? – deixou o serviço pela metade e dirigiu-se ao outro lado da sala.

Chateado porque deveria tirar o pó que Filch deixara na armadura, Rony foi até o balcão de vidro, com a intenção de molhar novamente a flanela no removedor, mas seu olhar recaiu sobre os escudos guardados ali.

Eram realmente muito bonitos. Apesar da inegável idade, alguns ainda guardavam certa beleza venerável. Quando estava prestes a se afastar, leu o sobrenome “Weasley” num dos brasões.

Com seu estômago dando pulinhos, Rony afastou a tampa de vidro, mantendo um olho em Filch, que nesse momento se agachava penosamente à procura daquela gata enxerida. Meteu a mão dentro da caixa e tirou um velho escudo de bronze, onde se via claramente o nome “Septimus Weasley”.

– O Vovô Set! – Rony sorriu, – Caramba, nunca imaginei que ele havia ganhado um prêmio especial!

Deslumbrado com aquilo, o menino praticamente devorava o brasão com os olhos.
Porém, depois de um momento, a sensação de inferioridade se acentuou novamente.

“Mas que droga...” pensou, enquanto recolocava o escudo com cuidado no forro, sem que Filch visse que parara de limpar. “Vou ser o único da família que não vai ser lembrado?”

Então, com um solavanco na garganta e os olhos subitamente marejados de lágrimas, lembrou-se do pai.

“Ninguém se lembra dele” assustou-se Rony, quase indo ao desespero “No trabalho... Meus irmãos... Eu mesmo, não me preocupo se ele está bem...”

Era verdade. O Sr. Weasley trabalhava noite adentro para conseguir o minguado ganha-pão da família. Era ridicularizado entre os bruxos puro-sangue, motivo de piadas para os companheiros de trabalho no Ministério... E quase de vergonha para seus filhos...

“Não” Rony decidiu-se, “Papai é uma pessoa honesta. Se for para ser esquecido como ele, prefiro que seja”.

E sentiu novamente o solavanco na garganta, mas dessa vez nada tinha a ver com seus sentimentos em relação ao pai. Uma nova enxurrada de lesmas, resquícios do feitiço mal-feito que tentara lançar em Malfoy pela manhã subiu pela sua goela com um arroto, e caíram direto no armário com os prêmios especiais. Filch, com seus ouvidos treinados, percebeu:

– Moleque imbecil! O que você pensa que está fazendo?!?

– Foi sem querer... – Rony queria desculpar-se, mas outra golfada de lesmas o impediu. A maioria dos brasões estavam cheio delas.




– Falta esse aqui, Weasley – Filch apontou – O maior.

Uma hora de trabalho extra. Limpar e polir todos os prêmios especiais. “Bom, pelo menos eu agora sei o nome de um bocado de bruxos famosos...” tentou brincar, mas não conseguiu. Sabia que Hermione era a única que podia se sentir feliz por ler nomes como Alguma-coisa Dawlish, ou Glanmore Qualquer-coisa. Contentou-se com o fato de que, ao contrário da amiga, esqueceria deles em menos de vinte minutos.

Pegou o último escudo e aplicou-lhe generosas quantidades do produto de limpeza.

“Esse aqui é um tal de Riddle... Tom Riddle... vai ver foi um ótimo polidor de troféus...”




Duas da manhã, Torre da Grifinória.

“Querido Papai:

Eu sei que o senhor está bravo comigo por eu ter roubado o carro. Sei também que está enfrentando um inquérito no Ministério por minha causa. Minhas desculpas. Só lhe escrevi para garantir uma coisa: vou me emendar e tentar honrar o bom nome da nossa família, que apesar de pobre, ninguém dela anda chamando os outros por aí de Sangue-ruim, ou algo do tipo.

Diga à mamãe que a amo também, apesar do Berrador.

Ronald Bilius Weasley”


Autor: Rodrigo

Para entender Cedrico Diggory


A porta da "Gemialidades Weasley" abriu com um dobrar ensurdecedor de sinos de bronze, que ecoaram por toda a loja e por todo o Beco Diagonal como um anúncio de missa. Lino Jordan tapou os ouvidos com as mãos e procurou de onde vinha aquela balbúrdia.

Nesse instante, Jorge Weasley avançou de uma sala escura, com a varinha em punho. Ele gritou alguma coisa e um raio fino cruzou o ar, atingindo um enfeite de urso panda acima da porta. O silêncio se fez novamente.

– Que foi isso, cara? – perguntou Lino, com um ar chocado.

– Idéia do Fred... - respondeu Jorge, guardando a varinha – Vivo dizendo a ele pra consertar esse troço, ele acha muito legal...

– E é realmente legal. – interrompeu Fred, saindo de trás de uma estante, os braços cheios de caixas – Ele só fica louco assim quando detecta a entrada de bruxos medíocres na nossa loja.

– Vai se ferrar, Fred! – Disse Lino, rindo com os gêmeos.

– E aí, cara? Tá passeando e veio visitar os amigos? – perguntou Jorge, puxando uma cadeira para Lino se sentar rente ao balcão da loja quase deserta. Era início de setembro e as aulas em Hogwarts haviam recomeçado, deixando a “Gemialidades Weasley” e outras lojas do Beco Diagonal vazias, mais ocupadas com entregas por correio-coruja. Vera, a funcionária da loja, estava recebendo os formulários com pedidos numa sala no andar de cima. Fred usou a varinha para convocar três garrafas de cerveja amanteigada que estavam num armário e os três amigos começaram a beber.

– Bom, não vim aqui só a passeio. – continuou Lino, dando um gole em sua garrafa – Estou desenvolvendo uns projetos e quero que vocês me ajudem.

– Que projetos? – quis saber Fred, se sentando também.

– Quero escrever um livro. Sobre o Tribruxo.

– Ah, meu! Não gosto de falar desse torneio idiota. – Jorge reclamou, com um aceno de cabeça – Me traz más lembranças.

– É! – concordou o outro gêmeo – Primeiro o Bagman, depois a linha etária do Cálice de Fogo nos deu uma barba branca...

– Mas isso foi engraçado... – Jorge assentiu, pensativamente.

– Bom, foi! – Fred concordou – Mas no final de Junho, Você-Sabe-Quem voltou e ainda matou o Diggory... aquilo foi péssimo pro meu humor. Passei um mês sem ter nenhuma idéia pro Kit Mata-Aula...

– Falando no Diggory... ele é uma das pessoas que eu quero, tipo, fazer um perfil emocional. – Lino falou depressa – Sabe, o cara era um dos Campeões do Torneio.

– “Perfil emocional”? – riu Fred, olhando exasperado para o irmão, e Jorge continuou: - Qualé, Lino? Pra quê você precisa da gente pra fazer isso? Acha que somos um daqueles “Posogólogos” trouxas?

– É “Psicólogos”, Jorge. – o irmão corrigiu.

– Que seja. Não tenho jeito pra essas coisas.

Lino sorriu. Mas sabia que os seus grandes amigos acabariam ajudando e soltando a língua. Era só colocar as coisas do modo certo...

– Ok. Mas, me digam: por que vocês odiavam o Diggory, pra começo de conversa?

– Por quê? O cara venceu a Grifinória no quadribol! – justificou Fred, exasperado – Precisa mais?

– Mas tem mais. – garantiu o outro gêmeo – Ele venceu com Harry no chão! Foi uma covardia ao extremo, isso sim!

Um cliente abriu a porta da loja e um sino de volume normal soou. Jorge saiu da sala para atendê-lo e Fred se debruçou sobre o balcão, para se aproximar de Lino:

– Escute, eu sei o que o Olívio disse naquela época, que foi justo. Mas concorde comigo: poderia ter havido outra partida, ninguém disse que os Dementadores poderiam assistir ao jogo!

– Não me convenceu, Fred. – Lino sacudiu a cabeça e cruzou os braços – Diggory era um ótimo jogador de quadribol, e sei que vocês prezam isso em primeiro lugar. Além do mais, ele já morreu. Morreu há um ano. Conheço vocês, não sustentariam esse ódio tanto tempo.

Fred continuou calado. Lino desconfiava de alguma coisa? O amigo tinha aquela curiosidade insaciável, que algumas vezes trouxeram-lhes problemas. Certa vez, durante uma aula de Poções no segundo ano, ele misturara alguns ingredientes estranhos para “testar o efeito”, como ele mesmo disse. Resultado: uma explosão dos diabos, duas semanas de detenções e alguns miligramas de cuspe de Snape nas suas caras...

– Eu andei pensando... – Lino continuou.

– Jura? Desde quando? -– interrompeu Jorge, já de volta.

– ... e descobri que aconteceu algo no sexto ano que eu não presenciei. Naquele ano, depois dos N.O.M's, tanto eu quando vocês desistiram de algumas matérias. – Fred lançou ao irmão um olhar sinistro, e o riso sumiu do rosto de Jorge como um sorvete derretendo no calor. --– Sexto ano, o ano do Tribruxo. Cursamos matérias com alunos das outras casas. E a única matéria que vocês estiveram com Diggory sem minha presença foi...

– Trato das Criaturas Mágicas, certo... – concordou Fred. Parecia ter recuperado a voz. – E daí?

– O que aconteceu nas aulas de Hagrid? – Lino insistiu.

Jorge se mexeu inquieto e evitou o olhar do irmão. Tinha sido culpa de Fred, ele que se explicasse. Fred suspirou:

– OK, Lino. Vou contar. Mas peço que você me desculpe. E depois, tente convencer o Jorge a fazer o mesmo, ele ainda não conseguiu.

Lino colocou a garrafa vazia no balcão e esperou. Não sabia o que deveria desculpar, mas, se forçasse a explicação, poderia estragar as chances de ouvir a verdade. Por isso, esperou pacientemente.

– Cedrico Diggory – começou Fred – não era nada do que as pessoas pensavam. Era um trapaceiro!

-– Por que você diz isso? – Lino assustou-se – O próprio Dumbledore disse que Diggory era bom, leal e justo! De onde você tirou essa idéia?

– Porque eu vi, companheiro! E quando eu vi, não acreditei. Mas agora meus olhos estão abertos. – bateu a garrafa com raiva no tampo do balcão, com um ruído surdo. – Está pronto para abrir os seus?




O mês de outubro de dois anos atrás fora ensolarado, mais do que esperado por todos em Hogwarts. As últimas abóboras de Hagrid foram colhidas naquela mesma manhã, nos preparativos finais para a festa das bruxas e abertura oficial do Torneio Tribruxo. Fred e Jorge vinham conversando animadamente, junto com Angelina Jonhson, que acabar de colocar seu nome no Cálice de Fogo.

– Aquelas barbas estavam realmente bonitas, Fred. – disse Angelina, com um sorriso – Dumbledore tinha razão, vocês ficam melhores com elas...

– Nem vem, Angelina! – Fred parecia conformado – Concentre-se no Torneio, porque você é quem vai representar a Grifinória nele.

– Falando em barbas, olha só quem já está ali... – Apontou Jorge.

Alguns alunos da Lufa-Lufa pareciam afastados do resto do grupo. Um deles era Cedrico Diggory, o apanhador do time que vencera a Grifinória no ano anterior e que muita gente dizia que seria o Campeão escolhido pelo Cálice de Fogo na festa de logo mais à noite. Conversando com ele estava Rafael Summers, que também tentara enganar a linha etária de Dumbledore, mais cedo.

– Olha só aquele babaca... – Fred indicou Diggory com um aceno de cabeça -– Se achando o máximo porquê vai se inscrever no Tribruxo... eu queria que crescesse uma barba nele também!

-– Vai sonhando... – o outro gêmeo fechou a cara – Ele já fez 17. E mesmo assim, não estou vendo nenhum sorriso naquele rosto. Ele parece meio... indeciso, sei lá!

– Que nada! – teimou o irmão – Ele está é com medo, o covarde. Não tem tutano!

Jorge franziu a testa para o irmão. Entendia o motivo da animosidade, mas achava que Fred estava pegando pesado demais.

– Sério, Jorge. Se ele for escolhido Campeão de Hogwarts, eu juro que pego minha vassoura e caio fora daqui!

– Caramba, boa idéia essa! – Jorge arregalou os olhos, um ar brincalhão no rosto – Desencana, Fred. Pode ser pior, o Warrington se inscreveu também.

– Vocês são impossíveis! – Angelina riu e se afastou dos dois.

– Muito engraçado... – Fred se aproximou do cercado, tentando escutar o início da aula de Hagrid sobre os crupes, espécie de cão terrier com duas caudas. Mas sua atenção foi desviada por uma risada alta de um dos companheiros de Diggory. O apanhador lançou um olhar pressuroso para os gêmeos e disse alguma coisa em voz baixa. Aquilo foi a gota d’água para Fred. Puxou um fio cor de carne do bolso das vestes, enfiou uma das pontas no ouvido e jogou a outra, que parecia uma orelha, em direção aos alunos da Lufa-Lufa. A orelha falsa pareceu ganhar vida e deslizou sorrateiramente. Jorge viu e sussurrou:

– Fred! Orelha extensível! Você sabe que não está pronta, é um protótipo!

– Sei que não está pronta! – sussurrou Fred em resposta. – Fica quieto, quero tentar ouvir do que eles estão rindo! E acabei de ter uma idéia...




– E o que era, afinal? – perguntou Lino, curioso.

– Uma coisa... bem... – tentou explicar Fred, parecendo confuso. – Injusta. Definitivamente injusta.

– Ele estava pedindo pro Summers convencer alguns alunos da Lufa-Lufa do 7° ano a colocar o nome de Cedrico ao invés dos deles próprios. – Jorge revelou. – Summers estava tentando fazer isso naquela manhã, usou um Confusus na linha etária, mas como sabemos, não deu certo também...

– Mas que droga! Pra que o Diggory queria tanto entrar nesse Torneio? – Lino estava chocado. Nunca imaginou que Cedrico faria uma coisa daquelas.

– Ele disse. Mas não acreditamos. Era simplesmente impossível!

– Pensamos que Diggory estava delirando, ou mentindo, e não ligamos. – Fred afirmou, enrubescendo – Mas aí, a gente pegou um crupe sem Hagrid ver, fomos pra Floresta Proibida e então...




– Fred! Jorge! – chamou Hagrid com um grito – onde e que vocês pensam que vão?

Os gêmeos estavam rindo à beça, enquanto amarravam o crupe numa árvore, bem longe dos demais alunos. Pretendiam examinar o bicho com as varinhas, esperando encontrar alguma habilidade mágica interessante que servisse para compor um dos doces do Kit Mata-Aula. Foram interrompidos no meio da travessura por Rúbeo Hagrid, que avançou da clareira para a Floresta Proibida em busca deles.

– Aprontando alguma, eh? – o meio-gigante sorriu complacente – Vamos voltar, se vocês fizerem algo errado, vou ter que punir vocês.

– Ah, qualé, Hagrid? -– Jorge reclamou – Vai dizer que esse bicho não tem nada além desses dois rabos?

– É, você falou e falou, mas não disse o que ele faz! – Fred deu um nó bem apertado na corda e olhou para o professor.

-– Mas eu já disse, ele não faz nada! – Hagrid afirmou, com um ar cansado. Tentou desamarrar o bicho, mas acabou partindo a corda. Desconcertado, ele começou a puxar o crupe de volta à clareira em frente à sua cabana, Jorge e Fred no seu rastro.

Nesse momento, uma forma imensa saiu de trás de uma árvore. O corpo baio, a pelagem luzidia e castanha. Um tronco saindo da parte superior. E um rosto.

Um rosto feroz.

Fred e Jorge deram um pulo para trás, assustados. Nunca tinha visto um centauro tão de perto, apesar de saber da existência de um rebanho deles perambulando pela floresta. Sabiam também que seriam castigados (pelos professores ou pelos próprios centauros) se fossem pegos sozinhos fora dos limites permitidos. A coincidência é que tinham acabado de ouvir falar em centauros. Será que...?

– Ah, é você, Firenze! – Hagrid pareceu aliviado – Não se preocupem, garotos, é só o Firenze, ele é meu amigo.

– É com esses alunos que eu quero falar, Hagrid – a voz de Firenze era limpa e direta; parecia um sopro de vento cortante. E não tirava aqueles olhos penetrantes dos gêmeos.

Os garotos deram involuntariamente um passo para trás e, antes que Hagrid pudesse reclamar, Firenze se aproximou e falou:

– Só vou dizer isso uma vez: não tentem interferir no destino do menino Diggory. O que vocês ouviram é verdade. Saiam do caminho do destino, ou ele acabará atropelando quem se intrometer! – dito isso, se virou e voltou para a floresta fechada, a galope.

– O quê? Que destino? Firenze, volte aqui! – o professor gritou, mas foi em vão. O barulho de cascos morreu na distância e Hagrid encarou os meninos, parecendo furioso:

– Podem se explicar!

Engolindo em seco, os gêmeos se entreolharam. Não tinha saída, a não ser uma mentira imensa...

Ou a absurda verdade.

– A gente... ouviu Diggory pedir aos amigos que o ajudem a ganhar a vaga no Tribruxo – Jorge começou.

– Ajudar? Ajudar como? – perguntou Hagrid. – Ele já está inscrito, não? Ele pode se inscrever sem problemas e...

– Ele ainda vai se inscrever, mas quer mais de uma chance para ganhar. – Fred interrompeu – Quer que outros alunos maiores de idade coloquem o nome dele no Cálice. E disse que foi o tal do centauro seu amigo que o mandou fazer isso!

– É! O centauro disse a ele que “haveria obstáculos no caminho, mas ele deveria impedir que uma pessoa errada fosse a escolhida”. – concluiu Jorge – Isso é trapaça, não?

Hagrid riu a valer, e os irmãos estranharam aquela atitude diante de uma coisa tão séria. O meio-gigante gargalhou e continuou a andar, os gêmeos quase correndo para acompanhar suas passadas.

– Meninos, não é assim que funciona! Tanto faz você colocar o nome uma vez quanto mil; o Cálice escolhe pela qualidade, não pela quantidade! – isso pareceu desconcertar os dois. Mas Jorge ainda perguntou:

– E como você tem tanta certeza, Hagrid? Quem foi que lhe disse isso?

– Ninguém. Eu sei. Me inscrevi clandestinamente no último torneio antes desse, então... – Hagrid pareceu corar e tentar desconversar, mas o estrago estava feito. Aquelas palavras acenderam uma luz na cabeça dos dois maiores bagunceiros da escola:

– Caramba, Hagrid! Conta aí, como você fez isso? – pediu Fred, fervorosamente.

– Esqueçam o que eu disse, vocês dois. Não funcionaria mais. – continuou, em voz baixa. –Naquele tempo, Dumbledore ainda não era o diretor.

Os três começaram a se aproximar da orla da floresta, Fred e Jorge ainda bastante pensativos sobre tudo que ouviram. Fred sentia com se alguma coisa tivesse lhe escapado... mas o barulho crescente tirou sua atenção.

– E vocês dois têm que parar com esse negócio de ficar me desobedecendo. – o professor baixou a voz, temendo ser ouvido pelos outros alunos que aguardavam na clareira – Gosto muito dos dois, mas se eu continuar fechando os olhos pras traquinagens que vocês fazem, vou arranjar problemas.

– “Traquinagens”, Rúbeo? – Jorge riu – Isso é do tempo da minha avó!

Os três riram e alcançaram o resto da turma, que se debruçava no cercado sobre os animais restantes.




– Quer dizer que vocês planejavam inscrever Cho Chang no torneio, ao invés de Diggory? – Lino estava completamente surpreso.

– Isso. – confirmou Jorge, com pesar. – Queríamos pregar uma peça no Dumbledore, no Bagman e no resto dos organizadores. Pensávamos que o Crouch desceria do salto se um menor de idade se inscrevesse no Tribruxo. E era perfeito pro nosso verdadeiro propósito: todo mundo sabia que ele era gamado nela, não despertaria desconfiança.

– E também tiraria o Diggory da parada. – Fred continuou -– Nós nos encarregamos de tudo. Azaramos os caras que ele escolheu para colocar o nome dele; Eles esqueceram de colocar o papel e foram jantar.

– E Cedrico? – quis saber Lino.

-– Fred pegou-o na saída da aula de Hagrid. – explicou Jorge – Colocou um pedaço de pergaminho com o nome da Chang no bolso dele e o confundiu também. Ou seja, nenhum papelzinho escrito “Cedrico Diggory – Hogwarts” deveria ter entrado no Cálice. Maaaas...

– Mas Diggory virou Campeão da escola. – Lino completou – Foi escolhido, competiu e morreu no labirinto. Como? O que deu errado?

– Não sabemos. – garantiu Fred, encolhendo os ombros. – Mas não importa mais, não é? Eu errei. Deveria ter posto meus princípios de lado e avisado um professor que acreditasse em mim. Hagrid bebeu um barril de quentão naquela noite, remorsos também.

– Esquece isso, você não poderia ter feito nada. – consolou o irmão – Mas também não deveria ter se metido. Eu lhe avisei.

– Por que está dizendo isso, Jorge? – quis saber Fred.

– Não sei, estou com um mau pressentimento...




Cedrico Diggory estava escondido numa sombra da escadaria do saguão principal deserto, iluminado apenas pela luz mortiça que emanava do Cálice de Fogo. A maioria dos alunos já se encontrava no jantar que revelaria o nome dos três Campeões que disputariam a Taça Tribruxo. Mas Cedrico esperava por uma pessoa, aquela que motivara sua vinda até ali.

De repente, duas outras sombras avançaram até a luz e pararam no limiar da linha etária traçada no chão. A sombra menor incentivou, e a maior entrou no círculo e depositou um pedaço de pergaminho no cálice, que ardeu em chamas vermelhas e consumiu completamente o papel. As duas afastaram-se lentamente, Cho Chang agradecendo efusivamente a amiga por ter posto seu nome no cálice, coisa que ela própria não poderia fazer, pois era menor de idade.

Quando as duas garotas sumiram, Cedrico saiu da penumbra e pôs a mão no bolso das vestes. Esperava encontrar apenas um papel, mas puxou dois. Num deles estava escrito seu próprio nome, com sua letra. No outro, uma letra garranchosa escrevera “Cho Chang – Hogwarts”. Ele sabia o que queria: viera colocar o nome de Cho no cálice, não?

Não?

Algo em seu íntimo se partiu, e as palavras do centauro, que encontrara por acaso na floresta, pareceram ressoar em seus ouvidos, como tivessem acabado de ser ditas:

“Os inocentes serão os primeiros a serem sacrificados”.

“O lugar dela não é o torneio”.

“Haverá obstáculos no caminho, mas você deve impedir que uma pessoa errada seja a escolhida”.

“Consiga amigos que coloquem seu nome no Cálice, por precaução. Os inimigos dificultarão sua tarefa”.

“O destino é uma serpente que engole a si mesma”.

Cedrico olhou em volta. Seus amigos não vieram. E Cho já depositara o nome dela. Mas ele tinha que pôr o nome dela no Cálice. Foi para isso que viera aqui essa noite.

Não foi?

Ele riu, e seu riso pareceu ecoar pelo saguão vazio. Amassou o papel com a letra desconhecida, cruzou a linha etária e depositou o outro papel. O nome “Cedrico Diggory” ardeu por alguns instantes antes de sumir. Ainda rindo, ele foi jantar, despreocupado e em paz consigo mesmo.

Fizera a coisa certa.




Rúbeo Hagrid chorava copiosamente, agarrado a um grande garrafão de quentão. Sentara-se à soleira da porta de sua cabana, e olhava para o castelo que era sua casa desde os onze anos. Não acreditava que Cedrico morrera, era um menino tão bom! E Harry quase morrera também, duas vezes no mesmo dia!

Estava ali, completamente sozinho e desconsolado com todas as coisas terríveis que ocorreram desde que os Campeões entraram no labirinto. Mas um lento tropel de cascos lhe informou que logo teria companhia...

– Diggory fez a coisa certa, Hagrid. – Firenze surgiu e bloqueou a luz suave que vinha do castelo adormecido.

– VOCÊ! – vociferou Hagrid, pondo-se de pé com dificuldade – Sabia que você vinha, seu traidor! Você instigou Cedrico a se inscrever, não? Você é o culpado por ele estar morto!

Firenze continuou impassível. Sua cauda longa balançou com o vento e ele olhou para o céu, ao mesmo tempo em que seu dedo indicador apontava para cima.

– Não escrevo o movimento das estrelas, Hagrid. Apenas leio o que está escrito nelas. Os inocentes primeiro. Depois os outros.

– Não me importo com suas estrelas! – O meio gigante continuava a gritar, os pés oscilando.

– Ele não ia participar. – Firenze baixou o olhar e explicou, o que deixou Hagrid mais furioso ainda – E se ele não participasse, a menina seria escolhida e morreria.

– Mas ele também morreu! Que diferença faz isso para suas estrelas? Eram inocentes, os dois!

Firenze deu mais uma olhada no céu estrelado. Demorou por um instante e depois voltou a fitar os olhos furiosos do seu amigo. E disse:

– Não sei. Temo que o destino não esteja satisfeito com apenas uma morte. Ele não gosta de ser atrapalhado nos seus desígnios. Mas eu avisei. O destino pode atropelar os intrometidos, não se esqueça. Boa noite, Hagrid.

O centauro partiu, e deixou em Hagrid uma impressão de desgraça iminente. Ele não gostava desse negócio de destino. “Atropelar... quem era que o destino ia atropelar mesmo?” O excesso de quentão não o deixava pensar direito. Desistindo, fechou a porta e foi dormir.

Firenze olhou por um instante para a porta fechada. Olhou pela terceira vez para o alto, seus olhos buscando alguma coisa que ele sabia que estava faltando. Murmurou consigo mesmo:

– Eu entendo. Sim. Um dos dois. Mas qual?

Foi embora sem olhar pra trás.

FIM




N/A: A trilogia continua em “Para entender Fleur Delacour” e “Para entender Vítor Krum”, em breve...


Autor: Rodrigo

A Macieira de Liz

A Macieira de Liz


Liz estava degustando a mais suculenta das maçãs a qual acabara de
apanhar no galho mais alto da macieira. Sua macieira.

Balançava os pés para frente e para trás tão calmamente. E era alto.
Ela não demonstrava a menor aversão por altura. Não
quando tinha um pensamento mais elevado.

O horizonte levemente pincelado de laranja tinha atenção de seus olhos
de veludo. O vento soprava gentilmente fazendo as
mechas castanhas mover-se sobre a testa inteligente.

As maçãs eram tão vermelhas e tentadoras, não deixavam a desejar.

Mais duas mordidas. Hum ... Realmente são deliciosas.

Um amável pensamento veio a sua mente. Uma doce lembrança. Sim, sim,
ela deixou-o vir.

Liz sonhou com Samantha no último verão. Ficava apenas imaginando o que
poderia ter acontecido a ela, ou , o que estava
acontecendo. Pequena Sam.

O 1° ano era comumente chato. Os professores tinham um "blá blá blá"
que não lhe entrava na cabeça e por mais que tentasse,
não passaria do mesmo "blá blá blá" costumeiro.

A manhã de Agosto havia saído de acordo com o roteiro. O sinal havia
tocado nos horários de sempre. Exatamente nos ponteiros,
sem nenhum atraso ou um pouco adiantado. Nada era estranho. Dois anos
foram bem vividos sentando-se ao lado de Sam. O que
resultou em dedos entrelaçados, sorrisos doces e uma maré de
sentimentos enferrujando dentro do peito. Todos os desejos de
Liz.

Por que ela sorria assim tão gentilmente chamando atenção para os
lábios puros sem cor ? E o seu andar era tão
desajeitado quanto gracioso. O anjinho doce com o olhar sonolento.

Oh sim, o verão. Os chuveiros de Janeiro molhavam a cidade e a macieira
de Liz. Isso havia sido muito bom. Sim, ela tinha
aquela amável lembrança de verão que a fez sonhar pelo resto dos dias
sem parar de comer suas maçãs suculentas.

Liz deixou escapolir um sorriso lateral ao mesmo tempo que a maçã
encostava em seus lábios. Doces lábios, suculentos e tão
vermelhos quanto suas maçãs. Eram somente suas e de Sam.

A tormenta da tarde de sexta-feira, Janeiro, molharam-nas toda. As
gotas de chuva eram terrívelmente impiedosas. O guarda-
chuva preto de Sam abrigavam as duas. O pobre não havia suportado o
suficiente até a porta de Liz, infelizmente não resistiu.

As gotas podiam ser contadas pingando sobre o carpete. Elas não
continham o riso de si próprias. Embora chovesse
furiosamente, a tarde havia sido agradável no quarto de Liz. E lá,
sorriram, conversaram sobre qualquer coisa, encararam-se
até Liz não conter mais um "eu te amo" sendo empoeirado durante dois
anos no coração.

Vários pequenos beijos foram plantados na lateral de seus lábios. Tão
inocente. Aquela lembrança a mente, a fez trazer as
pontas dos dedos àquela lateral fazendo-a esquecer-se da maçã.
Lembrou-se que o último beijinho havia sido plantado ali.

Embora estivesse mastigando os últimos pedaços da maçã a qual se
desfez,teve a impressão de sentir o sabor que Sam havia
deixado ali. Framboesa.

Liz apanhava-lhe as maçãs mais desejáveis arriscando-se a cair, pois as
mais bonitas eram as mais dificéis e sempre estavam
no topo. Aquilo estampava um largo sorriso nos lábios de Sam e faziam
seus dedos entrelaçarem sobre os galhos daquela
macieira. Um pequeno palco sobre as árvores.

Aquele verão não poderia ter sido melhor. Tampouco agora, esquecido.

E foram as férias. De volta a escola, aquele mesmo "blá blá blá"
incompreensível, o sinal sincronizado de acordo com o
horário. Nunca mudava. E sim, o lugar de Sam vazio.

Duas semanas, seis semanas, três meses, sete meses ... Onde ela está ?

O sabor de framboesa sumiu da lateral amargando-se todo. Pelo tempo que
Liz havia esperado por Sam, sentiu o desejo de cortar
os pulsos. Liz nem ao menos havia lhe oferecido uma última prova de
amor, seu corpo, quanto mais uma despedida descente.

O sabor de framboesa havia sumido para a lágrima salgada escorrendo
sobre os lábios. O galho sobre o qual estava sentada era
bastante alto. Propício a um suícido.

Por que as coisas funcionavam assim ? Por que o seu anjinho sonolento
vôou para longe ? Onde estaria agora, aquele sabor de
framboesa ?

Com a angústia envolvendo-se em seu coração magóado, Liz foi perdendo a
firmeza sobre o tato, a força nos dedos e deixou a
maçã pela metade escorregar de sua mão até alcançar a grama. Aquele
verde vivo, limpo havia aparado a doce maçã tocada
pelos lábios vermelhos.

Mas por que Liz veio em seguida ?

VAMOS BRINCAR ?

Gênero :Yuri
Séria : Banda/ t.A.t.U
Classificação : +18


Aviso : Este fic é impróprio para menores de 18 anos por haver insinuações homossexuais. Caso o leitor sinta-se incomodado com este gênero ou é menor de idade, lhe é aconselhável que não leia.


t.A.t.U

VAMOS BRINCAR ?



"All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
Running trhought my head
Passando pela minha cabeça
Running trhought my head
Passando pela minha cabeça
Running thought my head
Passando pela minha cabeça"




Yúlia provoca. Tem framboesa nos lábios e o mar nos olhos. Delicioso. E aquele olhar convidativo e ordinário a uma putaria. Lena não recusava.

Aquele quarto havia sido um palco antes, muitas vezes antes. Yúlia tinha uma caneta, um papel despido de pautas e pouca inspiração na escrivaninha. Estava frustrada consigo mesma. Enquanto escrevia três palavras, rabiscava furiosamente cinco.

Lena tem um artigo em mãos, e, deitada na cama ligeiramente bagunçada , ela o apreciava. Com as pernas cruzadas em movimento e barriga para cima , ela está despreocupada.

- Veja o que escreveram sobre nós dessa vez, Yúlia ...

Ela tinha uma mão apoiando a cabeça enquanto não virava-se para Lena, ao menos para dar-lhe um pouco de sua atenção. Pareceu não ter ouvido uma só palavra, e, justamente por isso, não houve resposta de sua parte.

- ... "Mais uma vez as t.A.t.U demonstram beleza, glamour e sensualidade em sua última sessão de fotos, da revista DOROGOYE UDOVOLSVIYE na qual foram capa" ...

Lena apenas tinha lido um pequeno trecho do artigo. Aquela revista tinha aumentado um pouco. Novamente palavras sem retorno. Abaixou a revista que lhe cobria o rosto e espreitava a visão de Yúlia . Viu-a indiferente na escrivaninha.

- O que foi Yúlia ?

Lagou a caneta, suspirou furiosamente e desistiu de continuar. Levantou-se da escrivaninha. Com passos vazios, ela atravessou o quarto e alcançou a borda da cama, ali sentou-se sem proferir uma palavra. Sentiu alguns movimentos, o barulho que o lençol fazia e o peso sentido cada vez mais perto, indicava que Lena aproximava-se. Yúlia não tinha o sorriso de todos os dias hoje. Acariciou-lhe os ombros ,e com uma mão livre, fazia as mexas negras envolver entre seus dedos. De repente, havia pousado o queixo no ombro direito de Yúlia. Lena encontrava-se por trás, sob seus joelhos na cama.

- Estou um pouco preocupada.

- Com o quê ?

- Não consigo escrever uma letra. Tudo saiu um lixo.

- Isso não é motivo para precupação.

- Esqueceu que assinamos um contrato, Lena ? Temos um prazo.

- Ainda assim, não se preocupe tanto.

Yúlia levava seu rosto abatido às palmas das mãos, inclinada. Estava bastante preocupada. Lena massageava seus ombros.

- Você está tão tensa ...

Yúlia já sentia-se um pouco mais confortável com aquelas mãos subindo e os lábios finos, hoje sem gloss, afagando-lhe o pescoço.

- Quer brincar Yúlia ?

- Não sei ... Deixa eu pensar ...

- Vamos vai.

Lena insistia. Ela precisava de um sorriso hoje, faria qualquer coisa para tê-lo. Até mesmo "brincar". Yúlia torceu o pescoço para Lena. Abriu um sorriso, enfim. Geralmente quem fazia o convinte era ela, mas hoje foi diferente.

- Tá bom. Já pensei : vamos brincar.

Lena puxou-lhe pelo ombro para baixo. A cabeça de Yúlia ficou entre as pernas da ruiva (Yúlia ficou de cabeça p'rá baixo) que sorriu ao descer e ficar numa boa aproximação entre os lábios da morena. A valsa das línguas. O beijo era frenético, excitante, sedutor, provocativo e "sapeca". Elas tinham rostos e corpos de meninas, embora fossem mulheres.

A mão de Lena passeava pelo ombros de Yúlia até escorregar para dentro do decote da regata preta da morena.

Os sorrisos satisfeitos de ambas eram beijados. Os cabelos ruivos de Lena cobriam o rosto de Yúlia, enquanto a mesma, segurava o seu.. Levantou-se. Aquela posição havia lhe cansado. Era impossível praticar tais movimentos daquele jeito. Por isso, avançou sobre a ruiva, que, já esperava ser "devorada".

"Abocanhou-lhe" o pescoço com leves mordidas e boas lambidas. Agora Yúlia tinha o controle sobre Lena, que via-se por baixo, presa dentro de suas pernas. Encaram-se sorrindo. Yúlia realmente provocava. No silêncio, sobre Lena, ela acariciava-lhe a barriga vagarosamente. Ameaçava despí-la mas não o fazia. Agora era a vez do cinto. Desabotoou, a alça principal foi passada por dentro da fivela. Pronto ! Agora o zíper. Desabotoou e abriu-o com aquele vagar provocativo. Yúlia já estava passando dos limites. Debruçou-se sobre o corpo de Lena para os beijos enquanto segurava sua cintura. A ruiva não continha-se com tamanho êxtase que arranhavam as costas da morena. Culpa de sua provocação.

Para cima e para baixo. Vai e vem. Os primeiros movimentos eram para aquecer, e, depois de ter a regata preta arrancada, Yúlia sentiu-se no direito de fazer o mesmo com o jeans desabotoado de Lena. E foi o que fez. Puxou até os joelhos quase desistindo de continuar, Yúlia não estava compondo nada para fazer o mesmo que fez com as letras, então continuou até que a calça estivesse fora dos pés. Novamente sorriam satisfatoriamente. Lena com sua calcinha preta "meiga" de caveirinhas vermelhas e brancas e Yúlia com seu sutiã preto. Quanto tempo elas ainda poderiam agüentar assim ?

Ela deveria ter arrancado a calcinha junto com a calça, assim, lhe pouparia trabalho. Contudo, ela o fez. Agora com seu sexo totalmente despido, Lena abriu as pernas. Outra vez a cabeça de Yúlia estava no meio. Sem mais cerimônias, a morena fez exatamente como a ruiva esperava. Por algum tempo, Yúlia teve que usar a língua enquanto Lena gemia e agarrava o lençol. Já estava quase lá, e quando estava p'rá se satisfazer, Yúlia diminuía a velocidade que a levaria para o sétimo céu. Isso é que é provocar.

Não suportando mais, e tendo se satisfeito, Lena gozou em sua boca. Já era o suficiente e ela estava exausta. Com a respiração ofegante, ela largou o lençol, fitava o teto e desdobrava os joelhos esticando-os. Yúlia limpava as laterais de sua boca com a própria língua enquanto deitava-se ao seu lado. Uma ou duas respirações fundas, ela se recuperava muito rápido de um orgasmo a La Yúlia . O simples movimento para o lado chamou atenção do mar nos olhos da morena. Mais um sorriso e o silêncio quebrado. Lena fitou a framboesa em seus lábios :

- Revanche





* * *
ALL THE THINGS SHE SAID
(TODAS AS COISAS QUE ELA DISSE)


All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
Running throught my head
Passando pela minha cabeça
Running throught my head
Passando pela minha cabeça
Running throught my head
Passando pela minha cabeça

All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
Running throught my head
Passando pela minha cabeça
Running throught my head
Passando pela minha cabeça
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
This is not enought
Isso não é o suficiente

I'm in serious shit, i feel totaly lost
Eu estou em uma merda séria, me sinto totalmente perdida
If i'm asking for help it's only because
Se eu estou pedindo ajuda é somente porque
Being with you has opened my eyes
Estar com você abriu meus olhos
Could I ever believe such a perfect surprise ?
Eu poderia acreditar apenas em uma surpresa perfeita?

I keep asking myself, wondering how
Eu continuo me perguntando, imaginando como
I keep closing my eyes but i can't block you out
Eu continuo fechando os meus olhos, mas não consigo tirar você da cabeça.
Wanna fly to a place where it's just you and me
Eu quero voar para um lugar onde exista apenas eu e você
Nobody else so we can be free
Ninguém pode nos livrar

All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
Running throught my head
Passando pela minha cabeça
Running throught my head
Passando pela minha cabeça
Running throught my head
Passando pela minha cabeça

All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
Running throught my head
Passando pela minha cabeça
Running throught my head
Passando pela minha cabeça
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
This is not enought
Isso não é o suficiente
This is not enought
Isso não é o suficiente

All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse

And i'm all mixed up ,feeling cornered and rushed
E estou totalmente confusa, sentindo-me encurralada e acometida
They say i'ts my fault but i want her so much
Eles dizem que é minha culpa mas eu quero tanto ela
Wanna fly her away where the sun and rain
Quero voar prá longe com ela onde o sol e a chuva
Come in over my face, wash away all the shame
Venha sobre o meu rosto e lave toda a vergonha

When they stop and stare - don't worry me
Quando eles param e olham - eu não me preocupo
'Cause i'm feeling for her what she's feeling for me
Porque eu estou sentindo por ela o que ela está sentindo por mim
I can pretend, i can't try to forget
Eu posso sentir, eu não posso me esquecer
But i'ts driving me to mad, going out on my head
Mas isso está me enlouquecendo, estou perdendo a cabeça

All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
Running throught my head
Passando pela minha cabeça
Running throught my head
Passando pela minha cabeça
Running thought my head
Passando pela minha cabeça

All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
Running throught my head
Passando pela minha cabeça
Running throught my head
Passndo pela minha cabeça
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
This is not enought
Isso não é o suficiente
This is not enought
Isso não é o suficiente

All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the thing she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
Things she said
Coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse

Mother, looking at me
Mamãe olhando para mim
Tell me what do you see ?
Me diga o que você vê ?
Yes, i've lost my mind
Sim, eu perdi a cabeça

Daddy looking at me
Papai olhando para mim
Will i ever be free ?
Eu serei livre ?
Have i crossed the line ?
Eu passei dos limites ?

All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
Runninig throught my head
Passando pela minha cabeça
Running throught my head
Passando pela minha cabeça
Running throught my head
Passando pela minha cabeça

All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
Running throught my head
Passando pela minha cabeça
Running thought my head
Passando pela minha cabeça
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
This is not enought
Isso não é o suficiente
This is not enought
Isso não é o suficiente

All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse
All the things she said
Todas as coisas que ela disse...




Lena & Yúlia

Tea

Gênero : Yuri/ Shoujo-ai
Série : Strawberry Panic ! [Anime]
Classificação : +18

Aviso : Se sente-se mal com este gênero ou é menor de idade, lhe
aconselhável que não leia.
---




Strawberry Panic ! - Tea


Bebericar o chá quente a vista dos olhos verdes faziam Nagisa corar.
Sentir-se bem sob os próprios joelhos era a segurança
de Shizuma. O vapor subia enquanto o silêncio era mais forte que o
desejo.
Mais dois goles acompanhados de nenhum sorriso, Shizuma é bastante fria
com seu olhar baixo.
A xícara de Nagisa jazia vazia havia dois minutos. Olhar para baixo era
a solução, os olhos verdes são frios e cativantes.

- Mais chá ?

- Não. Obrigada, Shizuma-Sama ...

Recusava a levantar os olhos, a cabeça não tinha uma altura descente.
Os olhos verdes eram pacificos, porém, arrebatadores.
Nagisa tinha medo do desejo ou de desejar ?

- Está tudo bem, Nagisa ?

Os olhos castanhos nunca se levantavam, por isso não houve resposta. Um
dedo ao queixo, pronto ! Sorriu docimente, Nagisa
desmontou.

- Nagisa ...

Abandonou a xícara, agora vazia, sobre a mesa no centro do quarto
iluminado por um simpático abajur. Shizuma é provocante.
Por que o passeio da mão fria no rosto quente era tão bom assim ? O
jeito inocente de Nagisa era inspirador.

Roubava-lhe os sussurros :

- ... Nagisa ...

Por que ela desmonta com o desejo e luta contra ?

O pijama kawii denunciava uma menina pura. Shizuma no entanto estava
dentro de uma camisola, mas sua mão fria afastava
as mexas ruivas do rosto corado e quente com o novo passeio do
indicador aos lábios entreabertos.

- ... Nagisa ... Por quê ?

- Shizuma-Sama ...

Shizuma diminuia a distância, quebrando cada centímetro. Por que Nagisa
recuava quando ela queria também ?

- ... Shizuma-Sama ... Eu ...

- Shh !

Calou-a com o dedo e um beijo subto. A noite brilha com a lua
mingüante, o vento é agradável e o momento é propício. Com o
vagar que os olhos castanhos se fecharam ,Shizuma já havia aproveitado
o melhor do mel da boca de Nagisa. Deixou estar. As
mãos frias e pálidas seguravam-lhe os ombros encolhidos enquanto tinha
sua boca explorada. Sem escapátoria, Nagisa.

Agora, fora de seus joelhos, sem chá. Nagisa estava fora do controle.
Se soubesse que o convite para o chá no quarto de
Shizuma terminaria com seus botões abertos, de certo, ela nunca o
aceitaria. Mas ela não negava o sentimento a ela mesma.
Ela não poderia e nem deveria.

Aqueles mesmos lábios suculentos já haviam tocado muitos outros antes
de chegar a vez de Nagisa. Mas esta era a noite e ela
o faria. Kaori havia sido a única, mas a página deveria ser virada, não
era por essa razão que Nagisa fora jogada na cama.
Os corpos desejavam um ao outro.

Tornaram-se distantes os rostos, encararam-se. Fora de si, Nagisa era
vunerável. E com as pernas afastadas, Shizuma prendia
a pureza. Os arrepios eram bons, suaves, excitantes, inocentes. uma a
um foram sentidos por Nagisa.

Sem nenhum plano, o primeiro a ser feito, era desabotoar aqueles botões
que escondiam o corpo perfeito a ser tocado. Despir.
Agora Nagisa não lutava. Embora o rosto vermelho denunciasse corado,
ela realmente não tinha uma ação.

O segredo era se concentrar no presente, no momento, em Nagisa, e não
no passado, nas dores, em Kaori. Aquela primeira
tentativa havia fracassado por conta desses fatores. Dessa vez tudo
deveria ser diferente.

Caricias, nenhuma palavra trocada até o momento. As alças de Shizuma
desciam ao meio dos ombros com todos os movimentos.
Ombros agora tão despidos quanto o tronco de Nagisa. Pequeno corpo
lindo. Não havia nenhum beijo senão a contemplação do
mar. O caminho que o indicador de Shizuma tomava era indeciso.
Alcançava os seios e voltava ao umbigo. Aqueles arrepios
eram deliciosos.

E ela gostava de provocar. Ora lhe oferecia os lábios aos beijos, ora
acariciava-lhe o membro. Entrelaçava as pernas,
enroscava, mas nunca satisfazendo.

O crepúsculo da manhã fora pintado no horizonte. Os primeiros raios
solares subiam pela parede através da grande janela.
O quarto de Shizuma foi levemente iluminado pelos feixes.

Havia algumas peças de roupas espalhadas pelo chão, outros poucos
movimentos debaixo do lençol branco. A cabeça de Nagisa
encontrava-se confortávelmente aprofundada e presa ao peito de Shizuma,
que, afagava-a com as mãos os cabelos ruivos. Os
olhos de ambas encontravam-se fechados de modo satisfatório e sereno.

A noite do chá realmente havia feito de Nagisa, agora, uma mulher.






---
Nota : Nenhuma das personagens aqui apresentadas me pertence. Fanfic
sem fins lucrativos. Todos os direitos reservados.

Autora: Thais de S. Alencar

Bombom, Meu Amor !

Bombom, Meu Amor !


Não se agüentava mais em pé, ria de tudo, cabaleava, mas não soltava a
garrafa de Bacardi pela metade, sempre ameaçando
vir ao chão e tornar-se em pedaços. Dentes brancos, bonitos, bem
abertos, sorriso bêbado !
Luz piscando, música alta, uma multidão de pessoas drogadas e
embriagadas que vez ou outra ela esbarrava-se e não fazia
idéia de quem poderiam ser, mas todos ali tinham apenas o mesmo
objetivo em comum além de beber e dançar : Trepar !
Soltava gargalhadas enquanto bebericava seu Bacardi. Mal conseguia
enxergar o chão e os pés que pisava, contudo, ela pisava.
Estava escuro e a luz flosforescente a confundia com flashs espreitando
tudo. A pista de dança estava oculpada, ela
estava a fim de chacoalhar e agitar.
Ficou séria, fechou a cara, Joanna fitou um rosto distante de onde seus
pés desequilibrados estavam. Tomou uma atitude.
Abandonou sua garrafa, agora vazia, no balcão.
Sozinha, quieta, sóbria. Ingrid estava em um bar gay ou em uma missa ?
Ela não estava se portando como deveria.
A mesa estava vazia e seu copo preenchido de Whyskey parecia não ter
sido tocado à horas.

- Quer dançar ? - Apossou-se do copo esvaziando-o por completo numa só
golada digna.

Ingrid a olhou de cima a baixo, tinha a impressão de que a mulher à sua
frente estava bêbada. Não respondeu.

- Vamo bora !

Joanna agarrou sua mão, puxando-a de sua cadeira. Agora estavam na
pista.

- QUal é o seu nome ?

- Quê ?!

Música alta, não se consegue ouvir nada. Ingrid tentou uma vez mais
enquanto era apalpada. Dessa vez grudou no ouvido que
nunca parava de mover-se de um lado p'ro outro :

- Qual é o seu nome ?!!

Ela ouviu. Deu uma gargalhada arremeçando sua cabeça para trás de vez.
Grudou no ouvido da sóbria a qual apalpava e não
fazia idéia de quem era, sem conter uma lambida nos glóbulos :

- Joanna, e o seu ?

- Ingrid.

Dançaram, balançaram, colaram, abraçaram-se e beijaram-se. Tudo o que
deveriam saber uma da outra, era apenas os nomes. Isso
já era o suficiente, e estava suficientemente bom.
De volta em seu canto, Joanna acompanhou Ingrid. Agora estava sorrindo,
só estava um pouco mais livre.

- Vou buscar uma bebida.

Ingrid puxou a cabeça de Joanna quase que a obrigando tocar seus
lábios. Sugou a língua da outra e a libertou para o que ela
tinha que fazer. Sorriram.
Os minutos que Joanna levou para buscar dois Camparis foram os minutos
para Ingrid querer ir embora. Dito e feito. Joanna
não dirigiu seu próprio carro hoje, estava sendo levada p'rá casa por
alguém que ela só sabia o nome. Sem problemas.
A frente de uma porta, ela foi carregada para dentro. Ainda estava
consciênte, só um pouco mais bêbada.
Ao ser deixada no sofá, sorriu para a sóbria. Levantou-se com fontes de
forças desconhecidas.

- A noite ainda não acabou.

Preparou a lingua e lançou-a para dentro da boca de Ingrid. Um ou dois
arrepios foram sentindos. Chupou seu pescoço
despindo-a e convidando-a abrindo mais espaço no largo sofá. Jogou-a,
afundou-a nele, subiu sobre seu colo e mordiscou
seus lábios tocando inseguramente. Ela cedeu. Os beijos bêbados
faziam-a apalpar a embriagada desconhecida sobre ela. E
pôde ouvir o sussurro enquanto tinha sua orelha mordiscada, chupada e
lambida seguido de risos baixos e excitantes :

- A noite é uma criança.



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Nota: As personagens aqui apresentadas me pertencem, cuja idéia
original é de minha autoria. Qualquer semelhança é
mera coisidência.


Todos os direitos reservados

Autora:
Thais de S. Alencar

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