Capítulo XVI – A câmara secreta
Após o seqüestro, Alvo se deu conta que a locomotiva atrás de si começava a fumegar, iria partir. A próxima coisa que conseguiu enxergar foi sua prima, Rose chamando-o, muito nervosa.
- Alvo, entra no trem, estamos partindo! – gritava ela para o primo.
- Não posso! Minha irmã! Aquela mulher horrível...
- Meu irmão também foi pego, mas precisamos ir para a escola - Rose chorava, olhando para a mãe histérica na plataforma. Hermione xingava a seqüestradora a altos berros, no meio da aglomeração de pais assustados.
Alvo cedeu e entrou no trem, com a prima. Seus amigos não estavam lá, provavelmente o esperavam em alguma cabine.
- E agora? – perguntava Alvo para uma chorosa Rose, que não parava de andar, quase tão histérica quanto à mãe.
-Nossos pais vão prender a desgraçada, e Hugo vai ser salvo. – respondia ela entre os dentes. – E Lily, é claro.
- Bom, vou procurar meus amigos, eles devem estar por aí – disse Alvo. Não tinha mais o que conversar com Rose.
- Alvo, será que nem assim você consegue enxergar? – disse a prima, impedindo Alvo de se retirar.
- O quê? Como assim, enxergar o que? – perguntou Alvo, não muito humorado.
- Alvo, você vai me ouvir, agora. – disse ela decidida, conduzindo o garoto confuso para uma cabine próxima.
Ao abrir a porta, Rose revelou uma cabine ocupada por um garoto e uma garota: Colin e Patrícia, os dois melhores amigos da garota.
- Eu não vou me juntar a vocês, se é isso que você quer, Rose. – rosnou o sonserino, entre os três grifinórios.
- Calma Al, só queremos conversar com você – disse o menino de cabelos castanhos e baços – se você quiser sair depois, nós não vamos te prender.
Alvo entrou na cabine e se sentou sem discutir. Em algum lugar, os seus amigos o esperavam.
Rose, Patrícia e Colin fitavam o sonserino como se ele fosse alguém muito interessante; e pareciam não saber quem deveria começar.
- Alvo, nós temos de te contar algumas coisas que você deveria saber antes de se juntar com certas pessoas. – começou a prima.
- Ah não. Pensei que tinham algo de importante a me dizer, e vocês querem é começar a falar mal dos meus amigos? Dá licenças, vou-me embora. – disse, se levantando. No entanto, uma mão o segurou pelo ombro.
- Al, você vai ouvir! – disse Colin, impedindo Alvo de deixar a cabine.
- Está bem, eu vou ouvir. Não vou fugir, agora me solte – respondeu o sonserino, se desvencilhando do outro garoto.
- Para começar, vou te falar algumas verdade sobre o seu tão adorado amigo. Malfoy. – disse Rose, ignorando as caretas de Alvo – Você sabia que Draco Malfoy era inimigo do seu pai?
- E desde quando isso me importa? – falou Alvo um tanto grosseiro. – Isso é problema dos dois, Corp e eu não temos nada a ver com isso.
- Se era inimigo do seu pai, é porque não presta, Al! – disse Rose teimosa – Quantas pessoas boas são inimigas de seu pai?
- Ah, francamente Rose, vou-me embora. – falou Alvo, tentando se levantar mais uma vez e mais uma vez sendo impedindo por Colin. Patrícia estudava atentamente o garoto por trás dos cabelos escuros.
- Espere Al. Se você não quer saber de Malfoy tudo bem, - falou o grifinório empurrando Alvo para o assento - mas precisa saber quem é Lestrange.
- Alvo, você se lembra de Belatriz Lestrange? Seu pai provavelmente já a comentou. – perguntou Rose.
- Não. – mentiu Alvo. O garoto sabia que se tratava de uma comensal da morte que morrera a muitos anos atrás.
- Alvo, essa mulher foi assassinada pela vovó, na Guerra de Hogwarts. – explicou Rose – Ela era uma das mais fiéis servas de Voldemort, e chegou a duelar com sua mãe. E com a minha também.
- Então está explicado. Belatriz Lestrange não tem nada a ver com Lysa. – disse Alvo, em tom de conclusão.
- Não Al, não é tão simples assim – continuou Colin – Belatriz tinha um marido, Rodolfo Lestrange, que foi assassinado por meu pai. E a gente andou pesquisando sobre tudo isso, e descobrimos que há mais um Lestrange. Só mais um. Rabastan, irmão de Rodolfo e cunhado de Belatriz está vivo, e tudo indica que está trancafiado em uma cela de Azkaban.
- E vocês acreditam que Rabastan é pai de Lysa. – concluiu Alvo finalmente, pensativo.
- Exatamente – falou Rose, segurando um sorriso enviesado.
- Querem saber a verdade? – falou Alvo menos satisfeito do que nunca – Asneira. Tudo asneira de vocês. E sugiro que parem de colocar asas em Rês-ma, porque não vão conseguir me separar de meus amigos. Meus verdadeiros amigos são eles, e nada vai mudar isso.
- Eu não pensaria isso se fosse você Alvo Severo – Patrícia disse, ainda estudando Alvo muito atentamente. Estava calada até o momento, e uma aura obscura cercava a cabine. A voz de Patrícia estava um tanto etérea, e ela parecia querer impressionar pelo tom.
- O que você está dizendo? Você me conhece, por algum acaso? – perguntou Alvo, se enfurecendo com a garota.
- Alvo, será que você não entende? Você é filho de Harry Potter! – zangou-se Rose – Existe gente que adoraria te fazer mal. E os Lestrange são gente assim. A filha provavelmente é só um meio para chegarem em você.
-Rose, eu não vou mais ouvir suas besteiras, pra mim acabou – Alvo se levantou para se retirar, e desta vez não foi impedido, porém, parou para ouvir as últimas palavras da prima.
- Tudo bem Alvo, então eu vou apelar para a última saída. – disse a garota com ar de superioridade - Vamos comunicar seu pai do que está acontecendo, e tenho certeza que ele não vai permitir essa situação.
- O que? Você não seria capaz...
- Pode apostar que seria. E você tem idéia de qual seria o resultado de tudo isso?
- Você não vai fazer... – relutou Alvo, sem cerimônia.
- O resultado – cortou a prima, fazendo Alvo calar-se – será que seu pai vai abrir investigação contra a maldita víbora, e ela vai acabar definhando em Azkaban.
Alvo se retirou da cabine sem dizer nem mais uma palavra, e foi atrás de seus amigos.
Alguns minutos mais tarde, Alvo encontrou seus amigos, na última cabine do trem. Scamander e Malfoy conversavam animadamente, em contraste com uma tristonha Lysandra, recostada à janela.
- Você não morre mais, Al! Acabei de sugerir ao Corp para te procurarmos – disse Ana, deslizando para o canto da cabine para oferecer espaço para o amigo sentar.
- Vocês não sabem, não é mesmo? – perguntou Alvo aos amigos, fazendo o rosto de Lysandra virar-se de curiosidade. – Do que ocorreu com a minha irmã.
- Sua irmã? Não, não sabemos – respondeu o loiro. Seu semblante de descontração acabou rapidamente, encarando o amigo que estava muito sério.
- Minha irmã foi seqüestrada, juntamente com meu primo, Hugo. Por ninguém mais nem menos que Umbridge.
- Dolores Umbridge, a fugitiva? – perguntou a garota loira, muito espantada – Como assim? Como se atreveu a seqüestrar a filha do chefe da Seção dos Aurores? Minha mãe me contou tudo sobre essa mulher, ela é horrível.
- Bom, não acho que ofereça tanto perigo. – adicionou Malfoy mais calmo do que os outros dois.
- O que? Uma mulher que foge de Azkaban e seqüestra garotinhas por aí é o que então? – descontrolou-se Alvo. – Você não está nem aí, não é mesmo Escórpio? Lembro-me muito bem de que seu avô defendeu Umbridge no julgamento. É isso. Você deve achar divertido conhecer alguém que tem sua irmã seqüestrada. Você...
- Ei, Al! Pára com isso! Eu sou seu amigo, sou o Corp, nunca desejaria mal à sua irmã. – Escórpio estava indignado com a ação do amigo. – Simplesmente acho que Umbridge não é tão perigosa.
- Olha Al – começou Ana, tranqüilizando o amigo - , não sei o que sua prima andou dizendo para você, mas acima de tudo, nós somos os seus amigos, e estamos ao seu lado.
- Eu... eu... err... eu sei que são meus amigos, mas...
Ao desistir de tentar bolar a desculpa, Alvo reparou que a outra garota tentava esconder o rosto, olhando para fora da janela. Indiscutivelmente, uma lágrima sorrateira descia pelo seu rosto fino e ferido, e o garoto acabou conduzindo a atenção dos outros para Lysandra.
- Lysa, acho que mais cedo ou mais tarde, você acabará conversando com a gente – disse Escórpio, inesperadamente.
A garota não resistiu, e teve de levar as mãos ao rosto, ocultando o choro reprimido. Mechas de cabelos negros e luzidios tentavam inutilmente ocultar seu rosto.
- Eu sou fraca. É isso que eu sou. – grunhiu a garota penosamente – Não mereço vocês como amigos.
- Lysa, vocês não é fraca. Ei, você é a Víbora! – consolou Alvo. Ana parecia recear as palavras, não sabia como ajudar a amiga -Não repita isso na nossa frente. Você só teve a desgraça de nascer onde nasceu. E isso não diminue o seu valor de modo algum.
Alvo não sabia como, mas agora podia aceitar o que acabara de dizer. Odiou-se, por um único segundo por ter ouvido as palavras de sua prima, e agora tinha certeza de que podia confiar em Lysa. Mais do que isso, tinha de ajudá-la, apoiá-la, estender a mão. Nunca mais poderia dar ouvidos a Rose, e não a perdoaria por tentar destruir sua amizade.
A próxima coisa que Alvo sentiu, foi o lançar de braços sobre seus ombros, não somente de Lysandra, mas também de Anastácia e Escórpio. Ficaram alguns instantes do mesmo modo. Seus braços cruzavam os pescoços uns dos outros, e as cabeças recostadas, os quatro amigos juraram lealdade um ao outro. Lealdade essa, que seria maior do que qualquer acusação sem fundamento de Rose ou qualquer outra pessoa que tentasse quebrar o forte laço que os envolveu naquela tarde, ao sol nublado e insistente do meio-dia.
Hogwarts ficou muito mais divertida com a aproximação dos amigos. Os três primeiros dias na escola foram realmente divertidos e agitados. O grupo curtia as tardes frias nos jardins da escola, ora falando mal dos professores, ora fofocando uns dos outros. Rose deixou definitivamente de ser assunto pelo grupo de Alvo, e os três estavam muito satisfeitos desse modo.
No entanto, as aulas começavam a exigir mais, e o tempo de lazer começava cedo a cessar, e logo os quatro começavam a freqüentar a biblioteca, com todas as pesquisas que tinham de fazer sobre transfiguração de objetos rochosos, sobre poções para retirar cravos e espinhas, sobre os principais representantes do Conselho de Astronomia de 1152, e...
Sobre um dos ramos mais fascinantes e complexos da Transfiguração. A animagia virou tema de discussão entre a turma não só de Alvo, mas o primeiro ano em geral. Certa vez, Alvo viu um gato circulando por um corredor do quarto andar. Não era madame Nor-r-ra, não podia ser, pois havia marcas muito escuras em volta dos olhos, então, ao dobrar um corredor, Alvo reconheceu imediatamente o gato. Tratava-se da diretora, que era a única animaga que o garoto chegara a conhecer. Tinha vontade de perguntar sobre a transformação para a professora McGonagall, mas faltava-lhe coragem.
Em outra ocasião, ao saírem de uma chata aula de História da Magia (não tão chata para Anastácia), Alvo e Escórpio foram direto à biblioteca, para cumprirem as tarefas que entregariam na próxima aula (“Redija um texto em 30 cm de pergaminho sobre feitiços embelezadores na Grécia Antiga”), então, Alvo não pôde deixar de reparar que o local estava vazio, exceto pela bibliotecária e um garoto da Corvinal que Alvo não conhecia. Anastácia e Lysandra não acompanharam os garotos porque ficaram discutindo a matéria com a professora Skeeter, mas iriam aparecer mais tarde.
Os dois amigos se sentaram não muito distantes do outro garoto, solitário, e logo começaram a tirar os pergaminhos e resmungar da dificuldade da redação.
- A professora Bones passou uma tarefa muito mais simples para a Lufa-lufa! – protestou Escórpio, desconcentrando a leitura do amigo.
Então, a voz do garoto corvino foi logo ouvida de trás de Malfoy.
- E vai ficar muito mais complicado se vocês não procurarem informação nos livros certos!
O garoto levantara-se de sua mesa, e se aproximava dos dois com um pouco de receio.
- Ah! Olá! Você é da Corvinal né!? – disse Malfoy, estudando o garoto.
- Sou sim! Meu nome é Alex, prazer.
- E então Alex, você conseguiu fazer a redação da Bones? – perguntou Alvo, animando-se. Era óbvio que o garoto conseguira, já estava guardando seu material.
- Acabei de terminar, vocês precisam de ajuda? – disse Alex, prestativo.
- Senta aí! – falou Malfoy imediatamente.
Os dias se passavam, e as tarefas aumentavam numa certa proporção por matéria. Foi mais de uma vez que Alex ajudou Alvo e seus amigos com as tarefas complicadas de defesa contra as artes das Trevas, e o amigo se mostrava um colega muito presente. Alex não andava muito com os colegas de casa, e, sempre que podia estava atrás de Alvo e Escórpio.
Em geral, Malfoy era o que mais procurava o garoto para resolver os exercícios, e Alex não negava pedidos. Às vezes Alvo se incomodava com isso, porque lhe passava uma impressão que Escórpio tinha uma amizade um tanto interesseira com o garoto, mas Alex estava muito satisfeito.
Ao sair da aula de astronomia, na quarta-feira, depois de cinqüenta minutos de devaneios da professora Leavitt, Lysandra fez uma coisa que impressionou bastante os amigos. Tocou num assunto que evitava acima de tudo. Sua situação com os pais. Havia comunicado que precisava ter uma conversa séria com os amigos, mas Alvo nunca imaginara que fosse sobre isso.
Alguns instantes depois de deixarem a Torre de Astronomia, o grupo estava reunido num cubículo secreto que descobriram atrás de um espelho do quarto andar. Lysandra pestanejou para começar, mas não demorou muito.
- Preciso falar com vocês algumas coisas. Não vou voltar para a casa. Nunca mais. E preciso de algum lugar para ficar.
- Você quer fugir de casa? – falou Ana primeiramente - Talvez não seja muito sensato, Lysa.
- Eu concordo plenamente com ela – contrapôs o loiro – O que Lysa nos contou sobre seus pais é o suficiente para aceitar a idéia.
- Não é tão simples, Corp. Fugir tudo bem, mas se esconder de alguém é complicado. – retrucou Ana, decidida.
- Eu concordo...- começou Alvo - com o Escórpio e a Lysa. Podemos procurar algum lugar para Lysa se esconder.
- Preciso dizer para vocês que não vai ser fácil, e precisarei de ajuda – falou Lysa lentamente – Não é fácil se esconder deles. Eles vão me achar em qualquer lugar.
- Não conhecemos muitos lugares bons, não é mesmo? – perguntou Ana, tentando concluir a impossibilidade do caso.
- Aháh! – exclamou Alvo, surpreendendo a todos – Errado, minha cara Anastácia. Vocês não conhecem. Eu conheço.
- O que? Não há lugares seguros, Al. – contrapôs mais uma vez a garota - Estamos falando de se esconder de bruxos que conhecem as Artes das Trevas. Não é qualquer casinha por aí que vai nos servir. Se quiser saber, só considero realmente seguros, dois lugares. Gringotes e Hogwarts.
- Exatamente, Ana! – exclamou o amigo – Não sei nada de Gringotes, mas conheço Hogwarts melhor do que qualquer um de vocês. Não é a toa que sou neto de um maroto – adicionou o garoto, admirando as carinhas curiosas dos amigos.
- Maroto? Que é isso? – perguntou Malfoy, sem entender.
- Os marotos foram um grupo de quatro alunos, que formularam um mapa impressionante de Hogwarts. Vocês têm que conhecer o Mapa do Maroto... Mas isso não vem ao caso... ainda. Eu posso garantir que conheço algumas localidades na escola muito secretas.
- Localidades? – perguntou Ana, tentando entender.
- Sim. Eu vou sugerir algumas, que meu pai já me contou. Há a Sala Precisa, que só se revela pra quem realmente necessita dela. Mas esta, acho que foi destruída na Guerra de Hogwarts, anos atrás. Há também, a Casa dos Gritos, cuja entrada está dentro de uma árvore nos jardins. E, por fim, tem a Câmara Secreta, de Salazar Slytherin.
Os olhos de Lysandra brilharam ao ouvir o nome de Slytherin, e Alvo percebeu instantaneamente a excitação da garota.
- Sério mesmo? – perguntou ela imediatamente – Você conhece a entrada da lendária câmara secreta?
- Sim! – respondeu Alvo sorridente. Porém, logo se desanimou.
- Isso é simplesmente perfeito! – exclamou Lysa.
- Não! Não é! – Ana agora interrompia a alegria da amiga em tom conclusivo. – Há uma condição para entrar na câmara. Tenho certeza de que Al sabe qual é. Para se entrar na câmara secreta, deve-se falar a Língua das Cobras. Slytherin era ofidioglota, e esse dom era hereditário.
- Voldemort era ofidioglota! – falou Alvo, provando que conhecia bem o assunto – E meu pai também foi, antes de tê-lo destruído.
- Não há problemas, pessoal. – explicou a garota ainda contente, embora misteriosa - Talvez eu devesse ter contado isso há algum tempo atrás, mas eu tenho que revelar.
Lysandra abriu um largo sorriso, e falou:
- Eu sou ofidioglota. Eu posso entrar na Câmara Secreta.
Alvo Severo e o Segredo da Víbora (Capítulo 16)
25 de mar. de 2008 | Postado por Lucas Izumi às 01:20 19 comentários
Marcadores: Aventura, Daniel, Harry Potter
Alvo Severo e o Segredo da Víbora (Capítulo 15)
Capítulo XV – A Prisioneira de Azkaban
Mais um sol clareava a nublada manhã em Cedric’s Hollow, e logo cedo, o filho do meio dos Potter se levantava de sua cama, num bocejo longo. A manhã estava fria e silenciosa, embora a claridade já entrasse pelas janelas. Provavelmente o elfo Monstro já as abrira, para entrar ar e claridade. Era manhã de Natal, e como todos os anos de Alvo em Cedric’s Hollow, ele se levantaria, desceria as escadas eufórico e rasgaria a embalagem de mais um presente que o Papai Noel lhe trouxera.
Ao se levantar, a primeira coisa que o garoto fez foi urrar de dor, pois pisara bem no cabo da espetacular vassoura que sempre estava jogada abaixo de sua cama. Muitas pessoas poderiam condenar o ato de Alvo Severo ignorar ter a posse de nada mais nem menos do que a melhor e mais famosa vassoura de toda a Grã-Bretanha.
No Natal passado, Alvo ganhou a tão invejada vassoura, fazendo Tiago, seu irmão, delirar. A Star Generation possuía um design futurista, e seu cabo aerodinâmico incrustado de pedras lunares apresentava uma beleza única, e que aumentava significativamente o custo no mercado. As pedras apresentavam um peso maior à raridade, mas nem por isso a Star era lenta.
Tiago bem sabia disso, pois usara a vassoura durante seu segundo ano letivo todinho na Escola de Magia, o que lhe rendera muitas goleadas para o time da Grifinória. Porém, numa lendária performance da apanhadora da lufa-lufa - que por acaso era prima de Alvo Severo -, Victoire apanhou o pomo de ouro antes mesmo de Tiago poder marcar a primeira pontuação no último jogo de final da Copa das Casas em Hogwarts.
Ao abrir a porta do quarto, uma coisa assustou Alvo: Ed passeava elegantemente pelo corredor iluminado, com uma bola de pêlo na boca. O gato, filhote, era magrinho e branquelo, seus pêlos muito curtos alvejavam o piso acinzentado. Ed passara em frente ao quarto de Alvo, e entrara por uma frestinha no quarto ao lado. Lily já estava acordada, e algumas luzinhas em tons vermelhos passavam pelas frestas de sua porta. Provavelmente já vira seu presente de natal, e já estava se divertindo com ele.
Quando descia as escadas, Alvo viu Monstro arrumando as meinhas penduradas na porta da frente de casa, e deu um “olá” que lhe pareceu mais um bocejo do que cumprimento.
- Hmm... – Alvo procurava seu presente em meio a poucas outras embalagens que atulhavam o sofá da sala. – Tiago.... err, esse não.... Gina.... também não... aqui está! Alvo Severo Potter! Mas que embalagem pequena!
Alvo tirou uma embalagem pequena e roliça do meio das outras, envolta em papel preto com listras amarelas. Havia algo duro lá dentro. Parecia feito de madeira.
- Uma Flauta? – indagou o menino, surpreso. Abrira a embalagem, e o objeto escorregara da embalagem para sua mão. Estava certo, era uma flauta, e era de madeira.
Alvo reparou que a flauta fora feita à mão, e lhe parecia bem velha, embora esteja limpa. Não pôde deixar de reparar que havia uma letra "H", toscamente talhada, próxima ao bocal. Haviam também alguns desenhos de patas no corpo do instrumento que chamaram a atenção de Alvo. Admirou os contornos do objeto por alguns instantes, até ser interrompido pelo irmão, que descia alegre, ansioso para abrir seu presente. Logo depois, o pai de Alvo desceu as escadas, e, ao ver o garoto com a pequena flauta nas mãos, um saudoso sorriso surgiu em seu rosto.
- Feliz Natal Alvo! O que achou do seu presente? - perguntou Harry, se aproximando do filho.
- Uma flauta, papai? Eu não sei tocar flauta. - surpreendeu-se Alvo, olhando para o pai.
- Eu também não sabia tocar quando a recebi, filho. - explicou Harry olhando por cima dos óculos redondos para um curioso Alvo Severo.
- Mas do que vai ser útil uma flauta, então?
- É uma lembrança muito bonita, meu filho. Foi o primeiro presente decente de natal que eu ganhei.
- Uma goles nova, papai! - gritou Tiago, repentinamente, do outro lado do sofá. - Ah valeu papai, agora meus treinos serão bem melhores.
- Quem talhou esta flauta, papai? - perguntou Alvo, ainda curioso.
- Meu amigo Hagrid, o meio-gigante. E acho que ele vai ficar satisfeito de saber que o novo dono é você meu filho.
- Você sabe tocá-la, papai?
- Nunca tentei - respondeu Harry, desapontado com si mesmo. - mas gostaria de saber que meu filho tentou.
- Pode deixar papai - respondeu Alvo orgulhoso - Olha quem vem descendo, pai, é a Lily! Feliz natal Lily!
- Feliz natal Al! O que você ganhou de Natal? - perguntou a pequena e meiga irmã de Alvo Severo, sentando-se no sofá, e se reunindo à família na nublada manhã.
Os Potter ficaram rasgando pacotinhos de todos os tamanhos e revelando seus presentes natalinos por um bom tempo, até o velho elfo aparecer na sala, para chamar a todos para um apetitoso almoço de natal.
Após um almoço muito saboroso e muita conversa, Alvo se lembrou de que teria despachado a alguns dias atrás uma coruja para sua amiga Lysandra, que provavelmente não estaria tendo um natal tão contente. Então, ao ver a coruja da família vir voando com algo preso no bico, Alvo se levantou e abriu a janela da sala-de-jantar, deixando a coruja entrar e largar um pacote na mesa.
Alvo não conseguiu entender. O pacote de bolinhos que enviara à amiga voltara do mesmo jeito que o garoto mandara. Talvez a coruja não tivesse encontrado Lysa, ou talvez simplesmente estivesse velha para entregas complicadas.
- Droga! - resmungou o garoto, pensando no natal de Lysa.
- O que foi querido? - perguntou sua mãe intrigada.
- Nada mãe, nada. - respondeu Alvo nervoso.
- Eu sei o que é. - exclamou Lily, inesperadamente. Alvo olhou para a garota com curiosidade.
- Rose me contou tudo, mamãe - disse a garotinha, incapaz de olhar para Alvo - tem uma garota, que é amiga do Al, e ela tá levando ele para as artes das trevas. Anda enfeitiçando ele de algum modo.
- O quê? - Alvo ficou surpreso de ouvir a irmã falar tanta bobagem.
- Ah, eu sei quem é... - falou Tiago entre risos - É uma garota esquisita. Vive com aquele loirinho maluco e a menina biruta, e, é claro, com o Al. Ah Alvo, a fama de vocês não é das melhores lá na escola não viu. Todo mundo diz que vocês são esquisitos.
- Esquisitos? - indignou-se Alvo - Nós simplesmente não somos babacas exibidos que nem você, o Freddy e aquela Jordan.
- Eu sei o que você sente Al. - respondeu Tiago, se levantando da cadeira muito inesperadamente - Você morre de inveja do nosso trio. Nós somos os mais populares da escola, e todo mundo se dá bem conosco. Já os doidões do castelo...
- Parem com isso agora! - exclamou Harry, alteando a voz - Alvo e Tiago, sentem-se.
Tiago sentou-se, emburrado, mas Alvo continuou em pé.
- Obedeça seu pai, Al - disse Gina para Alvo, mas este se recusou.
- Não vou me sentar com vocês. - a mão de Alvo vacilou, e foi em direção ao bolso da calça onde estava sua varinha. - Pra mim já chega. - e voltou-se para a irmã - De você eu não esperava isso, Lily.
Alvo saiu da sala-de-jantar e saiu pela porta para uma melancólica tarde de natal. Seus amigos, Escórpio e Ana estavam com os primos do loiro, mais adiante. Jogavam Snap explosivo animadamente ao lado de um arbusto florido.
- Feliz Natal Al! - cumprimentaram os amigos, ao verem o amigo se aproximar. Traziam uma cesta nas mãos, e pelo que Alvo podia ver, estava abarrotada de sapos de chocolate.
- Este é o nosso presente para você, Alvo - disse Anastácia Scamander, oferecendo a cesta ao amigo. Os irmãos MacLaggen ficaram para trás, entretidos com o jogo.
- Vamos dobrar sua coleção de figurinhas... é, meu amigo, acho melhor você começar a trocar as figurinhas com o pessoal, senão não vai agüentar levar sua caixinha para Hogwarts. - falou Escórpio, convidando Alvo com um gesto a se juntar aos MacLaggen.
Alvo colecionava figurinhas de sapos de chocolate desde pequeno. Possuía uma caixinha de madeira onde tinha um arsenal com um número realmente alto delas. Gostava de conhecer os grandes nomes da bruxaria, e sempre as revia, quando não tinha nada para fazer. Em Hogwarts, nunca tentara trocar nada, pois se limitava ao grupo de amigos de sua casa. Era tímido, e poucas pessoas o viam como uma pessoa boa para ter como amigo.
- O que é isso, Al? - perguntou Anastácia, referindo-se à flauta, que estava embrulhada e enfiada no bolso da frente.
- Meu presente de natal. É uma flauta. Foi do meu pai, e quem a fez foi o Hagrid. - explicou o amigo, se juntando ao jogo.
- Interessante... E você sabe tocar, Al? - perguntou Escórpio, tentando adicionar uma carta do Snap na torrinha que construíam.
- Nunca tentei - respondeu Alvo, rindo-se a valer, ao ver o amigo derrubando a pilha de cartas, que explodiram fazendo fumaça de cinzas que não queimavam para todo o lado.
Após a passagem do Natal, finalmente chegava o dia em que Alvo e todos os outros alunos regressariam à escola. Alvo acordou cedo para arrumar suas coisas, e a primeira coisa que viu foi a flautinha de madeira tosca que ganhara do pai, numa mesinha de quarto ao lado de sua cama.
Ainda não tentara tocar, e agora seria uma boa hora para experimentá-la. O gato de Lily, Ed, estava passeando pelo quarto de Alvo, e parou para ouvir a melodia.
Alvo encostou a flauta em seus lábios, e começou com um leve assopro, que deu início a sua confusa melodia. A flauta tocava em um som baixinho e suave, que lembrava um pio de coruja. Alvo tocava o instrumento e melhorava cada vez mais seu desempenho, e sem se dar conta, ficou tocando por quase dez minutos no mesmo pio. Pelo jeito, Ed não gostara muito do som, porque adormecera ao pé de Alvo, e precisou ser empurrado para levantar e rumar para o quarto ao lado, onde Lily o chamava.
Algum tempo depois, Alvo desceu com o seu malão para a sala, onde Tiago aguardava no sofá, ao som de uma discussão entre Harry e Gina, por causa de alguma notícia que saíra no Profeta Diário.
- Mas como ela conseguiria, Gina? - discutia Harry, a altos brados - Tudo bem que não há dementadores, mas os guardas também não são completos inúteis.
- Harry, essa é mulher é perigosa, e te odeia. - dizia Gina, insistentemente.
- Ela não teria coragem de enfrentar o chefe da Seção de Aurores do ministério, ou teria? - rejubilou-se o pai de Harry, caçoando da foto de alguma mulher muito mal arrumada na página do jornal.
- E Hermione? Imagino que ela já tenha sabido. Oh, ela deve estar preocupadíssima. - Gina estava nervosa, e o marido tentava acalmá-la.
- Hermione não tem medo dessa gárgula! - disse Harry pensativo.
- Mas eu tenho! Você e eu sabemos do que ela é capaz, Harry. E ela simplesmente odeia a nossa família.
- Ela que tente algo com meus filhos! - ameaçou o pai.
- Posso saber de quem vocês tanto falam? - perguntou Alvo, interrompendo a discussão e pegando a folha do jornal em cima do console.
Na capa do Profeta Diário, havia uma foto realmente grande de uma mulher gorda e um tanto excêntrica. Suas vestes eram felpudas e espessas, mas estavam esfiapadas e um lacinho imundo prendia seus cabelos meio desgrenhados.
Era baixinha e seu olhar denotava profundo ódio. Estava sendo segurada por dois bruxos fortes, que a erguiam do chão o suficiente para suas delicadas sapatilhas sequer roçarem o chão de pedra da Fortaleza de Azkaban. Acima da foto, a manchete informava:
"DOLORES JOANA UMBRIDGE, A MAIS NOVA FUGITIVA DE AZKABAN"
- Quem é essa tal de Umbridge, mamãe? - perguntou Alvo, percebendo que a mulher representava algum perigo à sociedade somente por seu olhar maléfico.
- Uma mulher horrorosa, que chegou a diretora em Hogwarts - respondeu a mãe, ainda preocupada - Não sei como, mas conseguiu fugir da prisão. Seu pai vai ao ministério cuidar do caso, e quem vai levá-los à estação hoje sou eu.
- Ela pratica artes das trevas? - perguntou Alvo, curioso.
- O poder de Umbridge estava em sua influência ministerial, na época de Fudge. Mas estamos salvos disto com Shacklebolt. - explicou Harry, pegando um punhado de pó de Flu e jogando na lareira - O Ministro nunca foi com a cara da Umbridge, e nunca ouviria nada vindo dela. Tchau, e boa viagem para Hogwarts - e desapareceu por trás das chamas esverdeadas da lareira.
- Vamos? - perguntou Gina, seu olhar meio vago.
Quando chegaram na estação, os Potter, com exceção do Potter pai, atravessaram a plataforma nove e meia e logo encontraram os pais de Rose e Hugo. O tio Ronald avançava a estação alegremente conversando com o filho caçula, enquanto Hermione mordia os lábios de mãos dadas com Rose.
- Gina, como vai? Receio que já esteja sabendo... - cumprimentou a tia preocupadamente.
- Já sim! - indagou a mãe de Alvo, correspondendo preocupação - Harry foi cuidar do caso no ministério, e pensei que Rony também tinha de aparecer por lá.
- Não, não Gina, não ia perder a chance de deixar Rose no trem. E a sapa velha não é tão preocupante assim, ou é? - Rony tinha um tom de gozação quando se referia à mulher horrorosa que Alvo vira no jornal.
- Ronald, por favor, aquela mulher nos odeia. Ou você esqueceu que eu fui a principal responsável por trancafiá-la todos esses anos em Azkaban. - disse Hermione, muito sensata, apesar das preocupações - Ela tinha contatos úteis que a defendiam no tribunal, e se não fosse eu apresentando todos os argumentos para o ministro, ela se safaria.
- Se safar? Dolores Umbridge nunca se safaria. Não com Rony e Harry na Seção dos Aurores, pelo menos. - disse Gina, tentando disfarçar a preocupação.
Hugo e Lily se juntaram e iam se sentar mais distantes, numa conversa animada. Alvo aguardava com a mãe, ouvindo a conversa dos tios atentamente, e Tiago provavelmente já estava à bordo do Expresso. Rose acabava de ver uma amiga chegando, e foi de encontro a esta, cumprimentando-a.
- Eu sei que temos que investigar incansavelmente o que Umbridge fez para conseguir fugir da prisão. - discutia Hermione, energicamente - Eu diria que tem algo a ver com corrupção. Maldita Gárgula! Sempre teve seus contatos confiáveis... Troca de favores... Aposto que alguém de Azkaban devia algo para ela...
- Bom, só podemos especular, não? - concordou Gina.
Naquele momento, uma visão desfocou Alvo totalmente da tia e da mãe. Uma garota de cabelos longos e lisos, embora muito escuros acabara de entrar na estação, sozinha, com seu malão surrado e vestes muito amassadas. Havia uma grande marca roxa que Alvo não reconheceu no momento, e, ao se aproximar, percebeu que era um grande hematoma de algo que parecera alguma pancada realmente dolorosa.
- Ei Lysa! O que é isso? - perguntou o garoto, ao correr em direção da garota. Um ar sombrio escondia seu rosto, e os cabelos escondiam metade de sua face.
- Me deixe, Al - respondeu a garota sem desviar o olhar. Sua voz era de inconfundível choro reprimido.
Lysandra continuava a andar na direção do trem, e, na aglomeração de alunos, Alvo a perdeu, muito confuso. Seus pais tinham feito alguma covardia com a garota, e isso era imperdoável. Alvo não se contentava em saber que poderia ter um natal tão aconchegante em seu casarão e uma garota como Lysa teria de agüentar o inferno que era viver com os pais.
Então, o próximo barulho que ocorreu, fez o garoto sobressaltar-se. Um som ensurdecedor de algo pesado caindo com estrondo e muita poeira.
Hermione corria e gritava na aglomeração de pais, acompanhada de Gina. As duas estavam descontroladas, e de cada um de seus lábios saíam sons diferentes. Hermione gritava por Hugo, e Gina, por Lily. Os primos haviam sumido, e uma coluna da estação havia sido explodida. Demorou alguns segundos para Alvo absorver a informação, mas ao ouvir a tia gritar o nome da fugitiva, entendeu tudo.
Hugo e Lily haviam sido seqüestrados, pela prisioneira Dolores Umbridge.
Postado por Lucas Izumi às 01:19 0 comentários
Marcadores: Aventura, Daniel, Harry Potter
Alvo Severo e o Segredo da Víbora (Capítulo 14)
Capítulo XIV – Um natal muito “Dursley”
Alvo Severo pensara que seu natal iria ser intensamente chato sem os melhores amigos por perto, mas em pouco tempo percebeu que estava errado. Sempre fora tímido e quieto, mas Hogwarts despertara uma animação oculta dentro de si, e ele sabia que tinha tudo para passar um natal muito alegre ao lado de sua família.
O pai de Alvo lhe abarrotava de perguntas todos os dias sobre o trimestre na escola, e o garoto estava tão próximo de Harry quanto nunca esteve antes. O pai e o tio Rony passavam mais tempo dentro de casa com Alvo ao crepitar da lareira do que com Tiago, que divertia-se jogando bolas de neve nos vizinhos e amigos.
Os Weasley estavam sempre por lá, embora Rose estivesse evitando Alvo, preferindo a companhia de sua irmã. Lily, Rose, Hugo e Colin ora participavam das lutas de bola de neve, ora podiam ser vistos sentados conversando no centro da vila. Colin também não viera falar com o amigo , e isso incomodava Alvo, que não compreendia a revolta.
Naquele dia, os tios Gui e Fleur, juntamente com a filha mais velha foram a Cedric’s Hollow, a fim de despedirem-se dos Potter, pois iriam à França visitar os irmãos de Victoire, que estudavam na Escola de Magia e Bruxaria Beauxbatons. Chegaram cedo, e Alvo acordou com a voz suave de sua prima, no patamar abaixo.
Alguns minutos depois o garoto se revirou na cama para ver o dia no calendário preso à porta. De um salto levantou-se, surpreso ao ver que o calendário trazia o dia 24 pintado magicamente. Era encantado para brilhar em dias comemorativos. Uma bonita lembrança dos amigos inundou a mente de Alvo, que saiu do quarto e desceu para a sala-de-estar, depois de se trocar. No corredor, passou por Ed, o gato, que ronronava brincando com um emaranhado de lã escarlate. Na sala, seus pais conversavam animadamente com os pais de Victoire.
- Bom dia Al! Como vai? – disse Victoire, ao ver o primo descendo as escadas.
- Bom dia prima! Vou bem... e vocês? – indagou o garoto.
Neste momento, Tiago surgiu no corredor que levava à cozinha.
- E o professor Teddy, Victoire? Como ele vai? – perguntou Tiago entre risinhos.
Victoire exibiu um largo sorriso e respondeu com fingida timidez.
- Estamos muito bem também! Ele é maravilhoso! Inclusive, tomou uma bronca feia da diretora quando ela nos pegou juntos...
Alvo não estava prestando atenção, pois acabara de ouvir uma voz muito familiar, então correu para a porta da frente e abriu-a. Será? Não podia acreditar...
Indiscutivelmente eles estavam lá. Escórpio Malfoy estava lívido de raiva, acompanhado de perto por Anastácia, que tentava acalmá-lo. Rose Weasley estava em frente à casa de Alvo, juntamente com Colin e Lily. Brigava com o loiro, berrando a plenos pulmões, dizendo para ir embora.
Quando a dupla viu Alvo abrindo a porta, um sorriso de satisfação apareceu em seus lábios, e Alvo correu ao encontro dos amigos, enterrando fundo os pés na espessa neve da rua. Rose chamou Alvo, que a ignorou para se juntar a Malfoy e Scamander. Escórpio debochava da prima de seu amigo, enfurecendo Lily e Colin. Hugo, que estava sentado mais atrás, levantou-se inconformado. O loiro puxava Alvo e Ana para longe.
- Você estava pensando em passar o natal longe de nós, Al? – perguntou Malfoy animadamente.
- Esperem um pouco. Como vocês chegaram aqui? – perguntou Alvo, ainda surpreso, porém feliz.
- A tia do Corp é sua vizinha, Al! Não é genial? – disse Ana olhando para Alvo com seus olhos saltados de constante surpresa.
- Vizinha? Como assim? Quem é a sua tia, Corp? – perguntou Alvo confuso.
- A Sra. Malfoy é irmã de Daphne MacLaggen – explicou Ana ao ver Escórpio abrir a boca.
- Você é parente dos MacLaggen? Quer dizer, do Beto e da Mirza? – perguntou Alvo, desejando que desta vez o loiro o respondesse.
- Eles são meus primos, oras! – respondeu Escórpio, impedindo Anastácia de se interpor.
- Nós estamos na casa deles, embora o Sr. Malfoy não vá muito com a cara do cunhado. – disse Ana, satisfeita de expor sua opinião.
- A Mirza é da turma da sua prima, aquela... – começou Escórpio. Um risinho desdenhoso e satisfeito demonstrava o prazer que sentia de brigar com a arquiinimiga.
- Pode ir parando por aí! – Alvo interrompeu-o – Que vocês briguem tudo bem, mas não venha trazer isso para nossas conversas.
- Até que a Rose parece uma pessoa legal, Corp. Ao menos sensata, ao contrário de você. – disse Ana, rindo do amigo.
- O que? Aquela sujeitinha nos odeia, e você ainda quer defendê-la? – disse Escórpio indignado.
- Eu já avisei Corp. Estou sem falar com a minha prima, e é por sua culpa.
- Não, não, Al. Você sabe porque sua prima e o Colin estão te evitando, e Corp não tem nada a ver com isso. – corrigiu a loira. Seu olhar deteve-se no bolso do garoto. Parecia procurar algo.
- Se você estiver falando do que ocorreu com o Colin na aula... – Alvo irritou-se.
- Ora, Alvo, o Colin não ficou todo machucado por nada! – debateu Ana com cuidado.
- Aquele feitiço não saiu da minha varinha! E esperem um pouco... Minha varinha! Eu a esqueci. Tenho que buscá-la. Esperem aqui, já volto. – Alvo saiu correndo, e deixou os amigos sentados nos bancos cheios de neve na praça.
- Mas Al... Para que a varinha agora? – a voz de Malfoy foi ouvida pelo garoto ao entrar em casa, exasperado.
- Oi Al, aonde vai com essa pressa, menino!? – perguntou Gina, ao ver o filho passar correndo pela sala.
Ao entrar em seu quarto, Alvo viu primeiramente que não estava sozinho. Tiago, seu irmão, estava sentado na cama do sonserino, e, em sua mão estava ela. Cada adorno rúnico cintilando à luz solar, que banhava o quarto através da janela aberta.
- Ei! O que está fazendo? Quem te deu permissão para tocar em minha varinha? – enfureceu-se Alvo.
Tiago não desviou os olhos. Admirava a varinha cor de vinho, muito escura.
- Tiago, solte a minha varinha agora! – ordenou o sonserino, odiando cada dedo do irmão fechado em torno da varinha.
- Ela é tão... tão... bonita... - disse o grifinório muito lentamente. Seus olhar não abandonava o objeto nem por um segundo.
- Eu sei o que ela é. Ela é minha! – berrava o sonserino. Imagens da mão do garoto queimando em brasas passavam pela cabeça de Alvo.
- Deixe-me experimentá-la, Al. Deixe-me usá-la, por favor. Só uma vez... – Tiago se recusava a olhar para o irmão.
- Me dê ela agora! – gritou o sonserino mais uma vez, indo para cima do irmão.
Então... a porta se escancarou, despertando Tiago do transe.
- Ei meninos, vocês estão brigando? O que é isso? – a tia de Alvo, Hermione entrara no quarto. Alvo continuou a gritar para o irmão.
- Pare com isso Alvo! Está assustando seus tios lá embaixo. – continuou a tia – Tiago, entregue a varinha para mim.
- Não tia.
- O que? Tiago, vou chamar seu pai...
- Não vou entregar a ele também. Quero experimentá-la. – teimou o sobrinho, girando a varinha nos dedos.
- Você sabe que não pode executar feitiços fora da escola, Tiago. – falou a tia estudando a situação - Vai complicar a situação de seu pai no ministério, pare com isso e entregue a varinha.
Alvo percebeu um sinal de medo em Tiago. Nunca havia acontecido alguma situação em que Tiago demonstrasse medo. Em geral ele fazia coisas sem pensar em conseqüências.
- Rictumsempra! – bradou Tiago, direcionando a varinha para a tia.
Hermione deu um salto para o lado e o feitiço errou seu rosto por pouco. Atingira uma estante de velhos brinquedos de Alvo, fazendo-os voar para todos os lados.
- Expelliarmus – gritou Hermione. O feitiço atingiu a mão de Tiago, e a varinha de Alvo Severo foi retirada da mão do outro. Caíra com um baque leve do outro lado da cama.
O dono correu para sua varinha, e a apanhou. No momento em que seus dedos se fecharam em torno da madeira “nem tão maleável, nem tão rígida, porém muito leve”, Alvo sentiu um alívio profundo. Estava seguro agora, e não permitiria que ninguém se apossasse de sua varinha.
- O que está acontecendo aqui? – Harry entrou no quarto, surpreso ao ver Hermione levantando-se do chão, repleto de brinquedos – Eu ouvi feitiços. Estamos numa casa ou num clube de duelos?
- Boa papai! Vamos abrir um clube de duelos! – disse Tiago animado. Mudara da água pro vinho ao ser desarmado.
- Tiago! Isso não tem graça! – disse Hermione irritada – Você me atacou a pouco, e agora está assim?
- O que você fez Tiago? Atacou sua tia? Você não pode...
- Tudo bem, Harry, estou bem.
- Mas...
Alvo não queria participar da discussão, então, de fininho deixou o quarto e saiu de casa sem responder as insistentes perguntas da mãe, que aguardava na sala com os convidados.
- O seu irmão atacou sua tia? Enquanto empunhava a sua varinha? – perguntava Anastácia, após o amigo ter explicado tudo que se sucedera no quarto – Muito suspeito...
- Não há nada de suspeito nisso! – ralhava Alvo com a amiga - Só que o meu irmão é um imbecil cabeça-dura que adora se meter no que não é da conta dele.
- Se eu não te conhecesse diria que morre de inveja do irmão... – disse Escórpio com ar de deboche enquanto se sentavam.
- Ah é, senhor Escórpio? E se eu não te conhecesse, diria que morre de amores pela Rose – retrucou Alvo, arrancando gargalhadas de Ana.
- Rose? Sua prima me enoja, Al. Ela não passa de uma preconceituosa metida a besta. – disse Escórpio com escárnio.
- Vamos parar com isso, okay? – interrompeu Ana sensatamente – O caso é que há algo muito esquisito com essa sua varinha, e temos que descobrir.
- Ana, amanhã é Natal! Não temos tempo para investigar nada hoje, então vamos deixar isso para depois – falou Malfoy olhando para trás. Alguém se aproximava em passos fundos na neve.
Beto e Mirza MacLaggen estavam se aproximando, até interromperem a conversa.
- Escórpio, papai está te chamando para o almoço. Você e sua amiga – disse o garoto com feições carrancudas.
- Está bem Beto, já vamos. Até mais tarde, Al – disse o amigo desanimado.
- Acho que não vai dar para nos vermos mais tarde, Corp. Nós vamos visitar um primo do meu pai. Eles não se vêem há muito tempo, sabe. E... e... eles são trouxas. – disse Alvo mais desanimado que o loiro.
- Feliz natal, então, Al! E boa sorte com os trouxas! – falou Anastácia não tão desanimada.
- Digo o mesmo. – concordou o amigo, se levantando com Ana e indo para a casa de sua tia, atrás dos primos.
Após ter passado a tarde com os amigos, Alvo teve de ir se arrumar para saírem. Os Potter vestiram-se de trouxas para irem à ceia natalina, e Harry parecia entender bem das esquisitas vestimentas, pois estava usando um terno e uma gravata dignos de admiração de Artur, o avô de Alvo. O garoto também teve que vestir um terno, e se sentia bem desconfortável dentro das vestes.
Tiago achava engraçado ficar puxando a sua gravata e as dos outros. Gina estava com um belo e longo vestido roxo, muito chamativo e um pouco justo. Era presente do marido, que precisou de uma ajudinha da amiga Hermione para a escolha. Lily, que estava usando um conjunto vermelho não parava de chatear o pai, pedindo para poder levar Ed, seu pequenino gatinho para o encontro.
- Não podemos levar animais, Lily. Tia Petúnia os odeia, e ela pode estar lá. – respondia o pai.
Chegaram à estação de trem com o dia já escurecendo, e desembarcaram numa outra estação muito parecida. Alvo ficou encantado com as estruturas metálicas gigantescas, e com o sistema de tickets das catracas.
A família pegou um ônibus trouxa e desceram num monótono bairro de subúrbio, repleto de casas quadradas e muito iguais. Em geral, todas tinham uma garagem, carros coloridos à frente e um jardim de arbustos, além da forma quadrada.
Então eles passaram por algumas ruas, até Harry parar de chofre em frente a uma casa igual a tantas outras.
- Estão vendo essa casa? – disse saudoso - Era da Sra. Figg, que certa vez me ajudou muito em um julgamento no ministério. Depôs a meu favor.
Os Potter dobraram mais duas esquinas e entraram na Rua dos Alfeneiros. As casas continham decorações com pisca-piscas de todas as cores e formas. Logo na esquina, havia um barzinho sujo, o qual o pai de Alvo não reconheceu, então os cinco se aproximaram do local para darem uma olhada.
Havia um bando de maltrapilhos malvestidos e cambaleantes. Cada um tinha uma latinha na mão e rostos mal encarados. Quando Harry e a família se aproximaram, um deles, que tinha cara de rato valentão, apesar de magricela parou de rir com os amigos, olhando para a cara do pai de Alvo.
- Harry Potter? – disse o maltrapilho encarando o pai de Alvo – Não posso acreditar que você é aquele garoto maluco que morava com os Dursley. Olhe Malcolm, quem apareceu aqui no bar, venha ver. – um homem gordo e feioso se levantou para dar uma espiada indiscreta nos Potter.
- Pedro Polkiss – falou Harry sério – Vejo que minhas expectativas sobre você se concretizaram. Um bêbado inútil de esquina. Ainda agarra criancinhas desavisadas por aí, Pedrinho? – o pai de Alvo olhava para o homem e os seus amigos como se eles fossem montes de dejetos fedorentos num lixão.
- E você, Potter? Ainda passeia em carros voadores? Ou você acha que o Duda não me contou nada no dia seguinte? E ainda liberta cobras de zoológicos por aí? E quem são esses com você? Vai dizer que são sua família?
Pedro riu do rosto assustado de Lily. Gina tentava conduzir o marido para fora do local. Alvo estava vendo um homem particularmente nojento arrotar alto, arrancando risadas dos outros.
- Carros voadores? – respondeu Harry com selvageria – É, Pedrinho, acho que agora podemos perceber quem é o maluco por aqui. E sugiro que lave sua boca para falar de minha família.
Vários dos maltrapilhos debocharam de Polkiss, que começou a brigar com cada um. Tiago colaborou com as risadas, parabenizando o pai. Harry cedeu e levou a família adiante.
- Quem são aqueles idiotas, papai? – perguntou Tiago ao passarem direto pelo número onze.
- Panacas que andavam com meu primo na nossa infância. – respondeu Harry prontamente.
- Seu primo é como eles, papai? - perguntou Lily preocupada.
- Espero que não tenha chegado a esse ponto, filha. – respondeu o pai ao passarem pelo número seis.
Quando chegaram ao número quatro, Harry parou para admirar a casa, que era idêntica a tantas outras na rua. Haviam luzes acesas e um gritinho fino e feminino podia ser ouvido de longe.
- Chegamos à casa dos Dursley, é aqui.
Harry passou pelos arbustinhos muito bem cuidados e pressionou um botãozinho ao lado da porta. Um “ding-dong” tocou em algum lugar, Tiago arrancou uma folha do arbusto, e a porta se escancarou.
Uma magra mulher , de cabelos louros muito lisos e curtos abriu a porta com um sorriso nos lábios maquilados com batom extravagante.
- Boa noite – disse, esgueirando-se pelo hall – Vocês devem ser os Potter. Entrem, por favor, e sejam bem-vindos. – a mulher tinha um tom de quem passou horas treinando para apresentar os cumprimentos.
- Muito obrigada! – respondeu Gina com simpatia – Vamos crianças, vamos entrando – Tiago, pare de mexer nas flores.
Os Potter entraram no hall, repleto de vasinhos de parede e de teto, e Alvo pôde ver uma garota baixinha e gorducha, que berrava para o pai.
- Ah Duda, como vai? – seu pai cumprimentava o pai da garota, enquanto Gina abria conversa com a Sra. Dursley. A garota sentou-se, chateada com o pai.
- Harry! Há quanto tempo... Essa é minha esposa, Eleonor, e minha filha, Isla. Mamãe já está descendo, ela está no telefone com uma amiga. – explicou Duda.
Alvo teve a impressão de que o Sr. Dursley fosse mais simpático que a mulher, que não escondia o fingimento na voz. A garotinha Dursley parecia estar querendo armar um ataque de nervos, e Tiago olhava para ela com um risinho malicioso que dava medo em Lily. Alvo tinha certeza que o irmão tinha algum plano em mente.
A tal Tia Petúnia não demorou a descer, muito elegante. Era magra e pescoçuda, e o rosto fino e cavalar lhe dava uma aparência um tanto animalesca, não fosse a maquiagem e a pele enrugada pelo tempo. Os cabelos brancos estavam amarrados e um adorno prateado os prendia. Seu olhar demorou em Harry ao descer as escadas, se juntando ao grupo na sala-de-estar levemente aquecida pela lareira.
Alvo vislumbrava os vários retratos no console e nas mesinhas. Eram parados, e as pessoas retratadas sequer piscavam. Haviam muitas Islas acompanhadas do pai e da mãe, e em geral estavam experimentando uma boneca nova ou um farto sorvete de chocolate. Alvo pensou que os trouxas se petrificavam para tirar fotografias, até sua mãe explicar a diferença de fotografia bruxa e fotografia trouxa.
Alguns minutos de conversa se passaram, e logo a Sra. Dursley veio chamar a todos com sua falsa simpatia para a ceia natalina.
Quando o relógio à pilha da sala marcou zero hora, as duas famílias começaram a se deliciar com todas as comidas dispostas à mesa. Havia realmente muita coisa diferente para comer, e Alvo logo pôde perceber o motivo da excessiva obesidade do Sr. Dursley. A filha desprezara a comida e revirava impacientemente a pilha de embalagens natalinas que estava sob um pinheirinho rodeado de luzinhas pisca-piscas. Isla resmungava abertamente para os pais da pequena quantidade de presentes que o “bom velhinho” trouxera. A mão tentava acalmá-la, dizendo que ela ganharia o dobro no aniversário.
- E o Tio Válter, não veio? – perguntou Harry ao mordiscar um pêssego.
- Papai não está passando bem – respondeu o primo, desapontado – Nunca mais foi o mesmo depois do acidente com as brocas na Grunnings.
- Válter está passando por tratamentos psiquiátricos, não pode conviver com muita gente... Comemorações natalinas não fazem nada bem a ele... – comentou tia Petúnia deprimente.
Tiago não conseguiu esconder um risinho de satisfação, quando Isla parou de contar os presentes para tentar abocanhar uma coxa de peru todinha de uma só vez. Ao se engasgar, Tiago levou um beliscão da mãe.
- E Guida, como vai? Ainda cuida de muitos cachorros? – perguntou Harry, querendo adentrar um assunto que tornasse o sorriso da Sra. Dursley um pouco mais convincente.
- Faleceu – respondeu Duda com tristeza – Há uns cinco anos, se não me engano.
- Nossa! Mas o que aconteceu? – perguntou Gina, solidariamente, ao cortar seu bolo de frutas.
- Acidente de carro – informou tia Petúnia com amargura – Foi atropelada enquanto corria atrás de um de seus buldogues. Ela era forte, a Guida... mas não agüentou o impacto... quase mata o motorista junto...
A conversa não conseguia chegar em um ponto mais descontraído, e quando Lily convidou a filha do Sr. Dursley para folhearem uma revistinha para garotas bruxas, a Sra. Dursley logo inventou uma desculpa para separar as duas.
- Querida, olhe, você esqueceu de abrir este seu outro presente.
Parecia que Duda contara à esposa sobre o fato dos Potter serem uma família de bruxos, e definitivamente Eleonor se comportava como uma legítima Dursley. Tiago se deliciava com algumas balinhas carameladas em forma de concha, a um canto da sala; e Isla fitava o garoto com seus olhos gulosos e nunca satisfeitos.
- Mamãe, eu quero uma bala daquelas – disse ela descaradamente em alto e bom som, quando Alvo terminava seu suco de melancia.
- Tiago, querido, ofereça uma bala a Isla – falou Gina antes que a Sra. Dursley abrisse a boca. Petúnia olhava com preocupação para Tiago.
- Claro, mamãe! – obedeceu Tiago prontamente. – Espere, eu tenho uma aqui no bolso que você vai gostar...
O inconfundível risinho de satisfação de Tiago dizia tudo: iria aprontar alguma de suas travessuras.
Isla pegou a bala colorida da mão do garoto sem agradecer, abriu o embrulhinho e enfiou de uma vez na boca, sorrindo bobamente. Harry trocou olhares aflitos com Gina, e a mão de Lily foi à testa.
Tudo ocorreu muito rapidamente. A garota engoliu a bala caramelada após mastigá-la gulosamente, então em poucos segundos levou as mãos às orelhas e começou a berrar e guinchar feito um leitão faminto. Suas orelhas cresciam e tornavam-se rosadas e muito claras, tornando a forma de orelhas de porco. Isla ora chorava a altos berros, ora guinchava feito porco. A avó deu um gritinho de desespero, e a mãe foi logo acudir a filha descontrolada. O Sr. Dursley brigava com Harry, exasperado.
- MAS O QUE É ISSO? O QUE ESSE SEU BRUXINHO FEZ COM A MINHA FILHA?
- Calma Duda, vou tentar um contra-feitiço. Tenho um que é “tiro e queda”, só um pouco demorado. – Harry tentava diminuir a gravidade da situação, apesar de não conseguir esconder um breve risinho das orelhas suínas da garota-porco.
Gina estava arrasada. Largara-se numa poltrona gritando com o filho. O garoto rolava de rir, ouvindo as ameaças da mãe.
- Olha o que você fez, garoto. Vamos ter uma boa conversa quando chegarmos em casa, e muito obrigada por estragar nosso natal. – gritava ela vergonhosamente. Não conseguia olhar para a cara de Eleonor.
Alvo não pôde negar que eram realmente engraçadas as orelhas , e que provavelmente essa era mais uma das geniais e veneradas invenções do tio Jorge, mas guardou o riso para si até o fim.
Lily parecia profundamente desapontada, sentia pena da garota. Olhava para o irmão como se ele fosse um dos maltrapilhos do bar de Polkiss, e aprovava cada palavra da mãe.
O pai de Alvo ficou quase dez minutos “consertando” as orelhas de Isla, enquanto ouvia os desaforos do primo e sua esposa e, ao terminar, foram embora sem se despedirem.
Alvo percebera que era importante para seu pai se dar bem com o primo, e acontecera justamente o contrário. Gina estava escarlate de vergonha e raiva, e, mais tarde, Alvo pôde ouvir de seu quarto, lá em sua casa, os gritos do irmão. A surra de sua mãe deixaria marcas em Tiago, embora este não fosse mudar tão cedo.
Na intimidade de seu quarto, Alvo pegou a bela varinha, que permanecera o tempo todo no bolso do terno, e uma felicidade muito satisfatória varreu seu rosto, ao som dos gritos do irmão no andar abaixo.
Poucos minutos depois, Alvo pôde vislumbrar momentos de terror para o irmão. Via o grifinório em brasas, numa grande fogueira, e ria muito satisfeito de sua desgraça. Os gritos de Tiago o acompanharam a noite toda, até Alvo Severo acordar, derrubando a varinha no chão e se dar conta de o que desejara para o próprio irmão.
Postado por Lucas Izumi às 01:18 0 comentários
Marcadores: Aventura, Daniel, Harry Potter
Alvo Severo e o Segredo da Víbora (Capítulo 13)
Capítulo XIII – Beijos e abraços
Não tardou muito a chegar o mês de novembro, com a temperatura mais amena na escola, e Alvo Severo e seus amigos estavam evoluindo muito em seus estudos. Geralmente Ana ajudava os colegas nas matérias História da Magia e astronomia, pois os outros não tinham paciência com a professora Skeeter e menos ainda com a maluca professora Henrietta Leavitt.
Escórpio Malfoy era fabuloso em poções, e o professor Slughorn tinha um crescente interesse no garoto. Ninguém superava Alvo em suas transformações, e o professor Lupin colaborava muito bem com isso. Ajudava Alvo dando instruções nos finais das aulas, e antes de acabar o primeiro trimestre Alvo já sabia metade dos feitiços de transformação que constavam em seu livro.
Ao cair de uma fria tarde de novembro, Anastácia ajudava a turma primeiranista da sonserina com um dever complicado sobre os videntes Mopsus e Calchas, que tiveram uma disputa de predições na Grécia Antiga. A professora pedira para o próximo dia uma redação sobre o acontecimento, de meio metro de pergaminho.
- O que devemos saber, é que Calchas se matou por ser uma farsa e nunca ter previsto nada. É assim que a Skeeter quer que nós pensemos, pessoal – explicava Ana animada por reter os dez alunos atentos. – Se quiserem, eu passo a minha redação a vocês e vocês copiam alguns trechos, mas tem que ter cuidado, porque a Rita não perdoa.
- Professora Skeeter, Ana – ralhou Malfoy.
- Bom, que seja... – respondeu Ana rindo-se da admiração que Corp tinha por Skeeter – Então, Tyrand, você tem que escrever mais, sua redação está pequena.
Uma garota com rosto atarracado pedia ajuda a Ana. Não era muito gentil, e tratava a todos com selvageria. Tinha uma aparência meio selvagem e seu rosto metia medo. Seu nome era Tyrand Bulstrode, e ela só andava com sua amiga, Belvina.
Belvina uma vez foi flagrada com uns objetos muito suspeitos e pagou detenção com a professora Bones. Havia mais um garoto, que falava com Belvina e com uma menina que sempre andava com um monte de revistas de quadribol.
A turma da Corvinal era a que menos conversava com as das outras casas. Podiam ser encontrados na biblioteca freqüentemente, e sempre estavam fazendo suas tarefas. Alvo conhecia poucos alunos da casa. Falava com Hesper, uma descendente oriental muito bonita, que uma vez o ajudara com um complicado mapa estelar que a professora Leavitt dera para os alunos analisar.
Da lufa-lufa, Alvo conhecia a filha do professor Longbottom, Alice; a garota Sprout, que logo se apegou aos sonserinos, apesar de todos os amigos a estranharem por isso, e uma garota simpática chamada Melania MacMillan, muito amiga de Alice e Artemísia. Em geral, nas aulas de herbologia de segunda-feira, o grupo de Al se juntava ao trio de Alice e conversavam muito.
Os sonserinos mantinham mais distância dos grifinórios, e eram freqüentes as brigas entre os alunos destas casas. Rose, Colin e Patrícia não conversaram mais com Alvo depois do incidente na aula de feitiços. Evitavam passar perto do garoto, por influência de Rose, e Alvo não entendia o porquê.
Uma vez, um garoto chamado Vincent Goyle foi para a ala hospitalar numa briga feia que teve com Tiago por causa da última partida de quadribol. Tiago, o artilheiro da grifinória, fora derrubado da vassoura por Goyle, o batedor sonserino. Tiago só não se machucou feio no chão porque Freddy o salvara em tempo, perdendo a chance de marcar pontos. Após o término da partida, Tiago foi tirar satisfações e acabou fraturando o braço do inimigo e quebrando o próprio pulso.
Entrementes, Alvo não melhorava muito nas aulas de vôo em vassoura, enquanto Ana e a Víbora tiravam resultados admiráveis. Corp também não tinha muita facilidade, apesar de gostar bastante de quadribol.
Uma vez, numa aula de poções, Escórpio foi o único aluno que conseguiu terminar com êxito a poção tônica para ratos. Ganhara vinte e cinco pontos para sua casa e um convite para ir participar de um clube, levando Alvo junto.
Desde a data em que Alvo Severo conheceu o famoso Clube do professor Slughorn, teve de comparecer sempre ao lado de Escórpio para mais uma comemoração. Os dois amigos convenceram Ana a ir junto numa ocasião, por insistência do chato professor Slug (como preferia ser chamado). Lysa era exclusa das reuniões, e o professor sequer se aproximava da garota nas aulas. Era a única aluna que mesmo tendo resultados bons em sua matéria, não era comentada pelo professor.
O grupo estava reunido animadamente no saguão de entrada, juntamente com Artemísia, Alice e Melania, no dia em que os alunos tomariam o Expresso de Hogwarts para voltar para suas casas, a fim de passarem o Natal com suas famílias. Lysa estava muito quieta, e olhava saudosa para a escadaria do castelo.
O plano de passarem a temporada com os Malfoy havia fracassado, pois uma semana atrás, Harry mandara uma carta a Alvo e seu irmão dizendo que iriam passar o Natal com um primo dele. Anastácia fora a única a ganhar permissão para passar o Natal com os Malfoy.
Sorrisos de alegria varriam os rostos ansiosos de todos os alunos, mas entre eles, um olhar cabisbaixo se erguia abaixo do imponente castelo. Todos conversavam animados contando como seriam seus Natais. Alguns cheios de aventuras, outros iriam caçar bandinhos, e outros iriam conhecer o Occami, na Índia.
Todas as histórias eram muito descontraídas, e todos estavam bem empolgados. Porém, em meio a tanta alegria, uma Víbora, sentada em um banco, pensava melancolicamente no seu Natal.
Provavelmente iria passar o Natal com sua mãe, o pai, e os amigos destes. Iria ficar trancada em seu quarto, deitada sob uma cama muito desconfortável, ouvindo as brigas de seus pais e um monte de pessoas malévolas comentando suas torturas e maldades que cometiam. Se pudesse ao menos estar na casa dos Malfoy, que sua mãe tanto odiava, poderia ter a companhia de Corp e Ana. Os últimos três meses constituíam a época mais feliz de sua vida, e não queria deixar o castelo, mas, ao ser questionada pela diretora se desejava permanecer no castelo durante o natal, optou na mesma hora por ir para a casa. Porque será que Lysa iria para a casa, já que seu Natal iria ser o pior possível? Seus pais a obrigariam... Seus pais não deveriam permitir uma coisa dessas...
- Vamos, suas pestes bagunceiras, vamos para fora, sigam-me, vou levá-los ao Expresso. – ouvia-se a voz pestilenta de Argo Filch de longe, com a gata sobre os calcanhares.
Alvo e seus amigos foram atrás do mar de alunos que enchia os terrenos da escola. Alvo teve uma visão muito peculiar na volta. Podia jurar que viu um centauro (daqueles das histórias de seus pais e tios) à beira do lago conversando com uma criatura esverdeada e feiosa. Mas quando pediu para Ana olhar, os dois não estavam mais lá.
- Que estranho Al, não faço a mínima idéia do que pode ser... Minha mãe me disse que no tempo dela tinha um centauro professor em Hogwarts, mas não sei... nunca vi nenhum por aqui. – respondeu Anastácia muito confusa à pergunta do amigo.
Os alunos chegaram à estação e partiram para um dia muito atribulado. Alvo e sua turma não foram para uma das cabines, pois reuniram alguns alunos para uma rodinha muito divertida, onde todos discutiam sorridentes como foi o trimestre na escola. Era composta em maioria por primeiranistas, e Alvo ficou feliz por ver que sua prima se juntara a eles. Colin e Patil também estavam lá, e bem animados.
Quando chegaram no assunto aulas da professora Skeeter, todos contaram como tiveram de encher de besteiras e invenções cada um de seus trabalhos escolares e como Skeeter mudava as histórias que seus pais contavam. O clube do Slug também rendeu assunto. Muitos alunos puxavam saco do professor para conseguirem entrar, mas logo se arrependiam.
Lysa conseguiu exibir um breve sorrisinho quando eles comentaram o medo que o professor de poções sentia da garota, apesar de alguns alunos ficarem sérios nesta parte.
À noite, quando chegaram em King´s Cross, Harry e Gina aguardavam Alvo e seu irmão, muito ansiosos para escutar como foi a escola. Tiago saiu correndo na frente de Alvo e deu um abraço no pai. Rony e Hermione estavam por perto. Conversavam animadamente com Gina e uma mulher loira e alta, com um colar tão esquisito quanto o que Ana usava. Alvo se aproximou, muito sorridente.
- Pai, eu caí na sonserina! Você leu as minhas cartas!? – Harry estava muito alegre.
- Eu falei Al, a sonserina não é ruim. – O pai abraçou o filho muito forte.
- Ruim!? Não, papai. De jeito algum! A sonserina é maravilhosa! – Alvo estava muito feliz em rever os pais. Nunca passara tanto tempo longe. Sua irmãzinha estava com Hugo Weasley, e acenava freneticamente para os irmãos.
Quando Alvo foi perceber, Anastácia, sua amiga estava perto dos Potter, com a tal mulher alta e loira. Era sua mãe, a tal da Sra. Luna Scamander. Havia um velho amalucado com Luna, que parecia ser avô de Ana. A lourinha sorriu para Al, deu um abraço e um beijo de despedida na mãe e no avô e saiu correndo para um excitado Escórpio que não parava de gritar do outro lado da estação.
- Venha Ana, meu pai ta esperando lá fora! Tchau Al, feliz Natal! – os dois saíram correndo, após Ana desejar um feliz Natal para Alvo junto com Escórpio, e deixaram a estação.
A garota morena, dos olhos negros e luzidios ficou lá, sentada num banquinho, olhando Ana e Corp sumirem por trás de uma escadinha. Quando Rose chegou, abraçou os pais; e os Potter e os Weasley deixaram a estação. Lysa ficou sozinha, aguardando alguém.
Postado por Lucas Izumi às 01:17 0 comentários
Marcadores: Aventura, Daniel, Harry Potter
Alvo Severo e o Segredo da Víbora (Capítulo 12)
Capítulo XII – Chá na cabana
A repercussão no dia seguinte foi mais irritante do que Alvo pôde imaginar. Alguns determinados alunos cuidaram para que a notícia chegasse ao ouvido de todos os que estavam no castelo, e Alvo foi visto mais de três vezes discutindo com os quadros nas escadas que ralhavam com o garoto, recomendando que ele comportasse bem na escola.
- Vamos logo Al, o professor Lupin já está na sala esperando a nossa turma – Lysa disse ao garoto ao dar de cara com ele quando discutia com mais um quadro, desta vez o de uma velha fofoqueira com um ferret no colo. – Se você quiser, não tocamos no assunto hoje, mas você não vai nos evitar mais, não é?
- Tudo bem, mas não quero ouvir mais ninguém inventando histórias no meu ouvido! – Alvo se rendeu, pois não agüentava mais ficar sem conversar com os melhores amigos. Deu um breve sorriso enviesado muito bem correspondido e os dois entraram para a aula.
Alvo se divertiu, transfigurando espetos de churrasco em pregos metálicos, e obteve os melhores resultados da aula de transformação. O professor ficara realmente impressionado com a facilidade que Alvo tinha para produzir os feitiços da matéria. Escórpio, Lysa e Anastácia só conseguiram com a ajuda do garoto, apesar de que o de Escórpio mais parecia um espeto de metal do que um prego.
Rose não falou com Alvo durante a aula. Cochichou em segredo até o fim com a amiga Patil, e sequer conseguiu mudar de cor o seu espeto.
Na dupla aula de poções, foi o dia de o professor encher a paciência de uma garota gordinha e inteligente da lufa-lufa com perguntas sobre seus parentes. Seu nome era Artemísia Sprout, e pelo que o professor deixou bem claro para todos, sua avó era excepcional com o cultivo de ervas, tendo até mesmo lecionado em Hogwarts por um tempo.
Após o professor ter dispensado os alunos, a garota até conversou um pouco com Alvo, dizendo que não suportava as perguntas do professor. Alvo concordava com tudo, pois tentava ao máximo evitar nos últimos dias estar muito próximo de Slughorn, para não ter que entregar o formulário sobre seus pais.
Artemísia estava com as unhas repletas de terra, e seu cabelo acinzentado era um tanto desarrumado, mas parecia uma pessoa muito simpática. Foi uma das poucas que conversou com Alvo sem mencionar o ataque da varinha, e ela se juntou ao grupo até a hora do jantar, quando se despediu para ir à mesa da Lufa-lufa. Ao sentar-se, metade dos lufos aglomeraram-se em volta de Sprout para perguntarem sobre Alvo.
Até cartas chegaram, mais tarde, dos tios e pais de Alvo, perguntando o que ocorrera, mas este ignorou a maioria, respondendo só a dos tios Ronald e Hermione e a dos pais. Escreveu informando que tudo não se passara de um mal entendido.
Entrementes, Lysandra começou a ser conhecida no colégio como Víbora, o apelido dado hostilmente por Rose à garota, na aula de feitiços. As pessoas chamavam-na assim, e ela aceitava, e parecia gostar. Logo tornou-se mais popular entre os alunos do mesmo ano.
Numa nublada tarde de sexta–feira, ao regressar da aula de feitiços para a Sala Comunal com os amigos, Alvo leu num mural de recados um bilhete que informava a todos sobre a comemoração de Halloween que ocorreria em menos de uma semana. Os sonserinos animaram-se bastante, até lerem o finalzinho do artigo, onde dizia que a festa seria organizada pelo professor Horácio Slughorn, e que haveriam os mais diversos convidados: desde ex-alunos da escola até chefes de departamentos do Ministério. O grupo de Alvo partiu para a aula de Defesa contra as Artes das Trevas numa discussão animada sobre os métodos que utilizariam para esconder Alvo do professor.
- Hoje vamos praticar um pouco o feitiço que aprenderam na última aula do professor Flitwick! Peguem suas varinhas, e abram na página dezesseis para aprenderem os passos de uso do feitiço Lumus. – dizia a professora para a turma animada com a aula.
A professora acenava com a varinha para as janelas, que fechavam a cada floreio. A sala ficou escura, e todos os alunos foram seguindo os passos de pronúncia, posição e movimento de varinha até conseguirem irradiar luz da ponta de cada uma. Alvo não conseguira o efeito na aula de feitiços, porém teve facilidade na aula da professora Bones, e sua luz foi tão intensa ao bradar a fórmula mágica (“Lumus”) que a luz ofuscou a todos, iluminando mais do que qualquer outro feitiço dos demais alunos.
- Caramba Al! Você foi incrível! A minha é tão fraquinha... – indignava-se Escórpio ao fim dos aplausos que a professora pedira para o garoto.
- Eu também fui bem – disse Ana animada – mas não consegui manter por muito tempo...
- Ora, mas é tão simples... – insistia Alvo, rindo-se dos amigos de algo tão fácil onde não havia maiores complicações e que tanto dava trabalho para os colegas. Lysa ficava nervosa por não conseguir nem um fiapo de luz. “Calma, eu te ajudo”, confortava o amigo, rindo-se.
Não tardou para chegar a tão comentada data de Halloween do ano, onde Slughorn comemoraria ao lado de todos os seus velhos amigos no Salão Principal de Hogwarts. Alvo recebera uma carta de seu pai com alguns doces de manhã e um pedido: para Alvo fazer uma visitinha ao meio-gigante Hagrid, que foi um velho amigo seu.
Alvo sabia que era um professor da escola, porém eles nunca se viam, pois a maior parte do tempo, Alvo estava com os amigos na Sala Comunal da Sonserina. O garoto ia pouco para os terrenos, e conseqüentemente quase não via o simpático Hagrid. Nunca conversaram, pois Alvo mal o conhecia, então foi um tanto difícil convencer os amigos a irem para a cabana próxima à Floresta Proibida, em frente à pequena plantação de abóboras sem abóboras.
As abóboras que Hagrid cultivava foram todas retiradas para serem usadas na decoração de Halloween do castelo. Muitas delas estavam em suportes de pedra nos corredores, com uma vela no interior e toda cortada com as formas da boca, nariz e olhos. Como era manhã, as velas estavam todas apagadas. Só acenderiam no início da comemoração.
As abóboras das masmorras já estavam todas acesas, pois nos corredores subterrâneos era sempre escuro e frio. A beleza bruxuleante da luz amarelada encantava o espírito bruxo do garoto, e ele mais uma vez sentia que estar em Hogwarts era estar no lugar mais maravilhoso e fascinante de todo o mundo.
- Como é mesmo o primeiro nome desse amigo do seu pai, Al? – perguntava Escórpio, ao subirem as escadinhas para deixar as masmorras. Não parecia tão interessado em fazer amizade com Hagrid.
- Rúbeo, Corp; e meu pai garantiu que ele é uma pessoa muito simpática. – respondeu Alvo pela enésima vez.
- Se pode-se chamar de pessoa mesmo, né... – falou Lysa, um tanto displicente. Era a que menos aceitava a idéia de entrar numa cabana de um meio-gigante. – Olha Al, eu já tive contato com um gigante uma vez, e eles não são muito hospitaleiros não. Meu pai me levou uma vez para mim ver um. Meu pai saiu quase morto, e eu, apavorada.
- O que seu pai queria com um gigante, Víbora? – perguntou Alvo ignorando a voz enojada que ela falava dos gigantes.
- Precisava da ajuda deles, não sei exatamente para o que, mas posso dizer que não foi para uma coisa boa. Meus pais não me dizem muito... Eles fazem coisas estranhas, sabem. Têm amigos estranhos... Acho que minha mãe é assim por causa de meu pai... Ele a trata mal, e a minha família não é muito harmônica, sabem... – então ela se virou confusa para Alvo e adicionou – Você me chamou de Víbora! Você não tinha me chamado assim antes.
- Bom, é assim que todos te chamam, não é mesmo? – explicou Alvo – Se você não gostar tudo bem, eu não te chamo mais assim.
- Me incomodar? De modo algum. Gosto de cobras, e Víbora me parece um bom apelido. Inclusive Corp, eu gostaria muito de te contar uma coisa, mas não sei se devo.
- Claro, pode dizer, pode confiar na gente. – Escórpio estava muito curioso, mas Lysa estava receosa. Desciam uma costa íngreme rumo à cabana, próximo a um grupo de garotos que levavam bronca de Molly, a monitora-chefe da Corvinal, prima de Alvo. O garoto deu um aceno breve para a corvina, que nem deu muita atenção.
- Bom, uma vez ouvi minha mãe falar de seu avô. – disse Lysa, receando falar demais.
- O que sua mãe sabe sobre o meu avô? – perguntou Escórpio muito receoso.
- Que ele é um traíra desgraçado... de acordo com ela. – Lysa focava o amigo com seriedade, com seus olhos negros.
- Eu conheço minha mãe, e quando ela está infeliz com alguém, é bom sair de perto. Já a vi duelando até com meu pai, e ela é páreo duro. – Lysa parecia não gostar muito da mãe. Falava como se ela apresentasse perigo a todo o momento.
- Seus pais brigam muito? – perguntou Anastácia com cuidado.
- Ah, brigam sim, e como... Meu pai não aceita nada que minha mãe faz. Eles sempre vêm com uma história esquisita sobre um amo. Minha mãe chama alguém de amo, e isso irrita meu pai.
- Se você quiser, Lysa, eu tenho uma proposta para fazer pra você! – disse Escórpio mais descontraído.
- Proposta? –perguntou Lysandra, confusa.
- Enviei uma carta ao meu pai perguntando se poderia levar alguns amigos para passar o Natal com a gente, lá na mansão, sabem... Iria ser realmente legal se vocês fossem!
- Brilhante Corp! – disse Ana animando-se – Ótima idéia! Meu pai pode até resmungar um pouco, mas tenho certeza que com um pouco de cuidado minha mãe acaba deixando!
- Meus pais também deixariam! Quer dizer, ele sempre deixa o Tiago ir passar temporada com os amigos. – disse Alvo.
Agora todos olhavam animados para a morena. Seus olhos escuros brilharam, e Alvo percebeu uma pequena lágrima querendo descer por seu rosto, ela virou a cara envergonhada rapidamente, então respondeu olhando para o chão, secando os olhos.
- Meus pais... meus pais nunca deixariam. Minha mãe sequer queria me ver em Hogwarts. Disse que era arriscado para as coisas misteriosas que eles fazem. Meu pai brigou feio com ela, e... e... Saiu sangrando... Consegui convencê-la que iria ser a pessoa que ela considera perfeita e que não ia abrir a minha boca para ninguém. Ninguém. – agora seu rosto afundava em lágrimas, e ela estava descontrolada. O medo tomou conta do seu rosto magro - E não me perguntem mais nada!
- Lysa, nós somos os seus melhores amigos, queremos o seu bem, estamos com você para tudo. Tudo. – respondeu Alvo. Tentou tocar em Lysa, mas esta o recusou e sentou em uma pedra próxima.
- Vão sem mim! Não quero mais ver gigante algum! – gritou com os amigos.
- Lysa, o que importa é que você está aqui, e nós somos os seus amigos! – respondeu Ana preocupada.
- É FÀCIL DIZER ISSO – Lysa se descontrolou. Felizmente não havia ninguém por perto além de uns insetos e um besouro negro passeando numa folha. - Você não cresceu vendo o que eu vi! Você não viveu dez anos da sua vida presa em uma casinha maldita, cheia de gente como os amigos de meus pais. Você não viveu dez anos com medo de ver a mãe matar o próprio pai! Aqui em Hogwarts, tudo que tenho é vocês. Vocês e uma maldita diretora que me chama toda semana tentando me convencer a falar sobre minha família! Não agüento mais! Muitos prefeririam se mandar, desaparecer. Aposto que todos vocês cresceram felizes ao lado de seus pais, que sempre ofereceram conforto e carinho... Quer saber mais? – Alvo não podia imaginar como Lysa estava se sentindo. Apesar de ter brigado muito na família com o irmão maior, sempre foi amado por ele e por todos os outros - Nunca saí de casa. Eu cresci presa na minha casa. Se é que aquilo é uma casa...
- Oh Lysa... Você nunca nos contou... – disse Alvo. Seus olhos estavam levemente molhados.
- E nunca deveria ter contado. Nunca. – Lysandra secou o rosto desajeitadamente com as mãos, se virou e voltou para o castelo.
Nenhuma palavra foi dita até o grupo chegar à cabaninha de Hagrid. Alvo bateu na porta, e ao ouvir o “Quem está aí?” do meio-gigante, respondeu rapidamente.
- Sou Alvo Severo Potter, vim te visitar a pedido de meu pai, professor Hagrid.
A porta se abriu rapidamente e um ofegante Hagrid surgiu à frente da cabana.
- Alvo! Alvo Potter, eu esperava uma visita sua já a algum tempo garoto! Seu irmão está sempre aqui, embora da última vez tenha deixado uma bombinha de bosta no meu sofá... – Hagrid recebeu Alvo calorosamente -Vamos entre, garoto, o que está esperando. Podem entrar vocês também, por favor. São seus amigos Alvo?
- Sim. Essa é Ana, quer dizer, Anastácia. E esse é Escórpio.
- Olá professor Hagrid! – disseram os dois juntos. Ana estava excitada, Escórpio entediado.
- Ah sim, Escórpio! Seu pai uma vez me deu problemas com um hipogrifo. Em outra ocasião acabou pagando detenção na floresta proibida. Fez isso inclusive junto com o pai de Alvo, sabia... – Hagrid não falava tão animadamente com Escórpio do que com Alvo, e um risinho satisfeito cobriu seu rosto enorme ao ver a surpresa que causou em Malfoy ao dizer que o pai pagara detenção na sombria Floresta Proibida.
- E aí, como vão as aulas, garotos? – perguntou Hagrid mudando de assunto rapidamente. – Sentem-se, vou preparar um chá.
- Estou louca para ter Trato das Criaturas Mágicas! – respondeu Ana imediatamente. Estava muito ansiosa para conhecer Hagrid.
- Você não é Scamander? Parente do maior pesquisador de criaturas mágicas, suponho...
- Sim! Meu pai é bisneto dele! Vocês usam até hoje o livro do meu trisavô, não?
- Ah sim, usamos até hoje... O professor Dumbledore foi amigo de Newton Scamander por um tempo... Você é descendente de uma pessoa brilhante! Sua mãe também sempre teve especial interesse nas criaturas mágicas... Porém poucas das que ela comentava em conversas eram do meu conhecimento...
- Conte-nos mais, Hagrid, sobre nossos pais! – disse Alvo animando-se mais agora.
- Ah Alvo, o quinto ano de seu pai foi ótimo... Lembro-me como se tivesse sido ontem que seu pai fugiu com um grupo, juntamente com a senhora Lovegood e mais alguns amigos montados nos nossos testrálios...
O trio passou a tarde ouvindo as histórias de Hagrid, e Escórpio animou-se bastante com as histórias dos explosivins, e logo a noite chegou, e eles tiveram de partir para a festa de Halloween. Hagrid foi com o trio para o castelo, que já estava muito cheio. Parecia haver mais amigos excêntricos de Slughorn do que alunos, e eles mais uma vez renderam Hagrid a um canto para uma conversa animada junto com um grupo de lufos alegres e contagiantes. Artemísia estava no grupinho, e de vez em quando sorria para Alvo. Chegou a perguntar porque Lysa não estava com eles
Ficaram contando piadas e histórias de terror de Halloween noite adentro, e só foram interrompidos quando Freddy e Tiago animaram magicamente uma trupe de esqueletos plásticos dançantes atraindo a atenção até da diretora, que chegou a elogiá-los pelo brilhante desempenho e uso do feitiço complicado para animar objetos.
A Víbora estava sozinha, na Sala Comunal da Sonserina, e provavelmente fora a única a não comparecer.
Postado por Lucas Izumi às 01:16 0 comentários
Marcadores: Aventura, Daniel, Harry Potter
Alvo Severo e o Segredo da Víbora (Capítulo 11)
Capítulo XI – O ataque na aula de feitiços
As aulas em Hogwarts surpreendiam Alvo e seus amigos cada vez mais, e o primeiro mês letivo foi recebido com muita euforia pelos alunos. A turma da sonserina se perdia às vezes pelos corredores frios das masmorras, mas Alvo ia se acostumando e descobrindo passagens secretas a cada dia.
Certa manhã, Alvo e os três amigos acordaram atrasados, e tiveram de descobrir uma passagem que levava ao terceiro andar para não chegarem tarde na aula de feitiços. A passagem era uma escadinha que saía para o lado exterior do castelo e subia em ziguezague.
Quando chegaram à aula, o professor Flitwick, um senhorzinho barbudo em pé em cima de uma pilha de livros grossos conversava alegremente com a prima de Alvo, que estava acompanhada de Colin e uma garota de longos cabelos pretos que ele não conhecia. Conversavam alegremente, até Colin ver Alvo na sala e ir ao seu encontro. Estava muito alegre.
- E aí Alvo? - Escórpio, Lysa e Ana sentaram-se, enquanto Alvo foi cumprimentar o amigo – Como vai nas aulas, ainda não nos falamos muito não é mesmo? Você não vai nos apresentar os seus amigos? – disse Colin acenando para chamar a prima e a garota de cabelos longos.
- Claro! Esses são Escórpio, Ana e Lysa. Escórpio, esse é meu vizinho Colin, e a minha prima você já conhece. E você, Colin, vai ter que me apresentar a garota! – Alvo fez as apresentações, animado por se enturmar com os amigos e conhecer mais uma aluna. Anastácia olhava com um peculiar interesse para a garota de cabelos longos e negros.
- Essa é a nossa amiga Patrícia! Conhecemos ela no dia da seleção – respondeu Rose. A garota evitava o olhar de Escórpio, e este exibia um semblante pouco amigável ao constatar que Rose não estava muito feliz ao se juntar com alunos da sonserina.
- Patrícia Patil, prazer em conhecê-lo, Alvo. Sua prima e o Colin me falaram bastante de você – cumprimentou a garota.
- Espero que tenha falado bem. – brincou Alvo.
- Acho que seria um tanto complicado para sua prima admitir e falar bem de um sonserino, Al. – Escórpio estava tentando provocar Rose.
- Não tenho nada contra sonserinos! Agora que a presença de certos colegas na conversa me incomoda, isso não vou negar. – Rose estava se enfurecendo e agora olhava com desprezo para o olhar irritado de Escórpio.
- Pessoal, a aula vai começar, vamos nos sentar – interrompeu Anastácia rapidamente. Olhava para o professor, e já estava abrindo o “Livro Padrão de Feitiços, 1ª série”.
Os grifinórios e Alvo sentaram-se, e o restante da aula exigiu um pouco de atenção para todas as orientações que o baixinho professor dava sobre o uso de varinha. A conversa só recomeçou ao final da aula, quando o professor executou alguns feitiços de luz para impressionar os mais curiosos.
- Este último que eu fiz chama-se Lumus, e é o mais usual feitiço para iluminar que utilizamos atualmente! – guinchava ele ao ver o espanto de uns e tédio de outros.
- Estou realmente ansiosa para começar a produzir os feitiços! – Lysa comentou, ao fechar o livro cansadamente – Vocês ouviram o professor? Nós vamos começar a praticar a partir da segunda semana! Não vejo a hora de poder me virar sozinha com uma varinha!
- Meu pai disse que a matéria é bem simples no início, que só começa a complicar a partir do quarto ano. – Escórpio disse animadamente.
- Realmente precisamos usar a varinha! Não fiz nada ainda com a minha, mas sinto que é muito poderosa. – comentou Alvo.
Estava observando a varinha de Colin e de Patrícia, que diziam que a varinha possuía cerne de pêlo de unicórnio e garra moída de malagarra.
- É bem rara, e muito útil para bruxos clarividentes. Minha mãe a comprou nas nossas últimas férias na Índia! – comentou a garota, rejubilando-se.
- Cerne? O que é o cerne? É o que vem escrito na varinha? – Alvo perguntou curioso. – A minha tem umas coisas escritas, mas nunca vi pêlo nem pó nenhum.
- Alvo, o cerne é o material mágico que fica no interior da varinha. – explicou Rose. Até então, a garota estava conversando alegremente com Ana. - Você disse que comprou na Olivaras, não? O senhor Olivaras me disse o cerne da minha no momento em que me deu para experimentar. A minha tem tecido de briba no interior. Ele deve ter comentado, você não se lembra?
- Não, ele não me disse de nada dentro dela... – respondeu o garoto confuso.
- Você disse que tem algo escrito nela? Que estranho! – disse Colin
- Sim, tem uns símbolos esquisitos.
- Deixe-me ver, de repente são hieróglifos, ou runas, ou algum adorno estilístico.
Colin estendeu a mão para a varinha na mesa de Alvo. A mão deste tremeu, então Alvo foi mais rápido e apanhou a varinha, puxando-a para si.
- Eu só quero ver os símbolos Al, deixa eu ver.
- NÃO – Alvo tinha elevado sua voz, e usado um tom de briga e medo.
- Calma Al, eu não vou devorar a varinha – disse Colin descontraído. Escórpio, Lysa e Patrícia riram. Rose e Anastácia estavam muito sérias, observando o garoto enfurecido.
A próxima coisa que ocorreu foi um tanto inexplicável. Num instante Colin ria descontraído com os outros, e no outro estava sendo arremessado para longe. Um feitiço de raio azulado saíra da varinha de Alvo, e atingiu o rosto de seu amigo. Colin desabou com ferimentos e queimaduras leves no nariz e lábios. Caíra nos livros onde segundos atrás o professor estava sentado.
- Que diabos está acontecendo? Quem deu permissão para atacar alguém em minha sala? Quem foi o responsável por isso? – o professor guinchava, ao dar socorro ao garoto, que estava espantado. Olhava para Alvo muito surpreso. Este tinha seus olhos desfocados, e só alguns segundos depois ele se moveu.
- Você está vendo o que você está se tornando Alvo? Andando com gente imunda como esse Malfoy e essa víbora nojenta? – Rose estava estupefata. Agora ela gritava com o primo, descontrolada. – Atacou um de seus melhores amigos! Eles estão te levando pro lado do mal. Você está se tornando tudo que seu pai menos desejava Al. Maldita hora que o chapéu te mandou para essa casa.
- Sua idiota, nós nunca influenciamos seu primo a nada! Quem você acha que é para abrir sua boca infame e falar mal de minha casa!? – Escórpio estava tão descontrolado quanto a outra.
- Sou uma víbora mesmo, Rose, e com orgulho! - Lysa entrou na briga, enfurecendo-se - Não nego, que sou amiga do seu primo, mas nunca o mandamos atacar grifinórios, e estamos tão surpresos quanto você. – O professor ainda socorria Colin, que não ousava soltar uma palavra.
- Senhor Thomas, leve o garoto para a ala hospitalar. Alvo, você foi o responsável por isso? – o professor estava confuso em meio aos gritinhos de indignação de duas garotas no canto da sala. Anastácia olhava para cada um dos alunos, estudava cada detalhe, e parou na varinha ainda estática na mão de Alvo. O garoto movia a cabeça e olhava para os lados. Parecia não ter ciência de nada que havia acontecido, e que ainda estavam em uma conversa. Escórpio se juntava a Lysa e os dois continuavam a brigar alto com Rose, que não se rendia.
- Alvo Severo, me siga. Se mais algum ataque acontecer dentro desta sala, o castigo será memorável. Venha garoto, agora! – Alvo seguiu obedientemente o professor. Agia calmamente, como se não houvesse um garoto machucado mancando ao sair da sala. A varinha estava segura na mão direita, embora abaixada.
Alvo seguiu o professor, e ao deixarem a sala, este o conduziu quatro andares a cima. Não parecia haver mais andares acima. Estavam no sétimo andar, e pararam em frente a uma gárgula de pedra.
- Biscoitos de Abernethy – disse o professor, fazendo então com que a gárgula se movesse, revelando uma escadinha espiral que levava a uma porta com aldrava em forma de grifo.
O professor subiu as escadinhas e bateu uma vez com a aldrava na porta. Esperou alguns segundos, então empurrou a porta com alguma dificuldade pelo seu tamanho.
Havia uma sala redonda e ampla por trás da porta. Vários armarinhos de vidro e madeiras nobres ocupavam as paredes, e um chapéu muito velho estava em um canto, murmurando palavras, inaudíveis para si mesmo. Havia um poleiro vazio, e Minerva McGonagall estava sentada numa mesa com alguns pêndulos de prata.
Estudava um pergaminho, e sobressaltou-se ao ver que não estava sozinha na sala. Mesmo antes do professor e aluno entrarem, não estava exatamente sozinha, pois muitos retratos preenchiam as paredes circulares. Cada um tinha um entalhe muito belo com o nome de um diretor da escola. O penúltimo retrato, o de um velho barbudo e cabeludo, fitou Alvo imediatamente, e sorriu para o garoto, muito satisfeito. Alvo percebeu que seu primeiro nome era exatamente o mesmo que o seu.
Tratava-se de Alvo Percival Wulfrico Brian Dumbledore, o tão comentado diretor nas histórias de seu pai. Alvo sorriu para Dumbledore. Estava realmente muito satisfeito em ver o retrato da pessoa a que seu nome homenageava. Já vira o diretor tempos atrás numa das figurinhas velhas de sapos de chocolate do pai, mas o retrato era muito mais real.
- Posso saber o que está ocorrendo para o senhor vir me visitar com este aluno, caro professor Flitwick? – começou Minerva, olhando do Alvo aluno para o Alvo diretor.
- Tivemos um probleminha na aula com o Alvo, professora McGonagall. – respondeu o professor.
- Oh, a última vez que ouvi falar de problemas em sua aula foi quando Freddy Weasley estourou bombas de bosta em Beto McLaggen, não é mesmo professor?
- Foi sim, professora, e Beto queixa-se até hoje para mim das traquinagens do senhor Weasley.
- Alvo Severo Potter! Seu pai passou muitas vezes por esta sala, sabia meu garoto? – Minerva se dirigiu a Alvo.
- Sabia sim senhora, ele me contou muito. Mas em geral ele tinha motivos de peso para isso, não é mesmo professora? – perguntou Alvo curioso.
- E creio que o professor não veio me consultar à toa, Alvo. Tenho certeza de que ele tem uma explicação.
- Alvo lançou um feitiço em Colin Creevey, ao final de minha aula, professora.
- Porque fez isso, Potter? – o rosto de Minerva passou de agradável para rude em um instante.
- Eu não fiz isso professora. – respondeu Alvo muito calmamente.
- Meu rapaz, você fez isso à claridade do dia, todos os alunos viram! Eu vi! – esganiçou-se o professor.
- Potter, se o professor Flitwick diz que você atacou um aluno na sala de aula, é porque você o atacou mesmo.
- Não, professora, eu não ataquei! – Alvo estava surpreso, mas ainda calmo. Alvo Dumbledore olhava para ele com muito interesse.
- Está bem então Potter, digamos que você lançou um feitiço em um aluno na sala. Quero saber o motivo! – Minerva estava calma, mas seus lábios tremulavam nas palavras.
- Eu também não lancei feitiço algum professora! – respondeu Alvo. Parecia que sua calma fazia Minerva ficar mais e mais rude. – Não sei produzir feitiços ainda professora.
- Ora, pare com isso...
O retrato de Alvo Dumbledore, que estudava a cena delicadamente, de repente levantou-se de uma poltrona de chintz, para se pronunciar.
- Se me permite professora, gostaria de adicionar que em meu tempo alguns alunos iniciantes produziam feitiços sem realmente os desejar. – o retrato agora estava entrando na conversa. Minerva se virou para Dumbledore.
- É uma hipótese, professor Dumbledore, mas não conheço casos de feitiços produzidos desse modo que mexam na memória do aluno. Alvo sequer admite que um feitiço foi lançado, intencionalmente ou não. – O retrato calou-se, pensativo.
Passaram alguns instantes de desconfortável silêncio, então o último e desconhecido retrato da parede opinou.
- Se é verdade que há um Potter sonserino nesta escola, então não duvido de mais nada.
- Professor Snape, peço que não atrapalhe a nossa conversa. – ralhou a professora McGonagalll com o quadro.
Alvo vislumbrou a imagem de um homem pálido e melancólico. Seus cabelos oleosos e imundos estavam despenteados. O seu olhar era obscuro e misterioso, como extensos túneis em trevas, e recaía sobre o garoto na sala. Abaixo da imagem, havia um nome: “Severo Prince Snape”.
- Severo. Você é Severo Snape. – falou Alvo, intrigado. De que jeito um sujeito imundo como Snape poderia valer uma homenagem do pai do garoto, Alvo não entendia.
- Acho bom não ter vivido para ter o desgosto de vê-lo em minha casa, garoto. Igual ao pai... e ao avô... Provavelmente tão desprezível quanto o irmão...
- EU NÃO SOU COMO MEU IRMÃO! – Alvo não aceitava as comparações em família que sempre eram feitas à sua pessoa. Todos diziam que era igual ao pai, e ao avô.
- Até os olhos... – continuou o professor retratado – seus olhos são iguais ao de seu pai... iguais ao de Lílian...
Alvo pôde jurar que viu algo que tinha certeza ser impossível. Um breve brilho no olhar de Severo. Então, o professor se virou e foi embora. Havia abandonado o retrato.
- Professora McGonagall, proponho que nós façamos a varinha regurgitar o feitiço, para comprovarmos a ação definitivamente. Colin Creevey está machucado, e está sendo levado para a ala hospitalar. Isto não ocorreu a toa. – sugeriu o baixinho Flitwick, vitorioso. Ignorara a presença de Snape na conversa.
- Não! Não devem fazer isto! Isto é invasão de privacidade! Uma varinha só pode ser examinada com motivos de peso para isso! Ora, um garoto com ferimentos leves não é motivo para uma checagem de varinha. – um quadro atrás de Alvo falou indignado. As inscrições indicavam que se tratava de Everardo, mais um dos diretores da escola.
- Eu não temo nada! Podem checar a varinha! – adicionou Alvo rindo-se da situação. A conversa com Snape ainda o intrigava.
- Everardo está certo. Muito obrigada por me lembrar. Não necessitamos disto, estamos certos de que isto ocorreu. Potter, talvez você tenha feito isto sem ter percebido. Devemos relevar professor, já que é a primeira aula de feitiços. Ansiedade pode oferecer perigo às vezes, mas tenho certeza de que Colin estará bem. Justino cuida disto num instante. Podem ir, e peço que não aplique detenção a Potter, professor, estou certa de que não foi intencional. Alvo Severo, você vai me prometer que terá mais cuidado, né? – encerrou a professora decidida.
- Mas professora, eu não fiz nada! Vocês devem estar....
- Tchau Potter, estou muito ocupada, e preciso terminar um relatório para mandar a Lúcio Malfoy ainda hoje. Encerramos aqui, e espero não receber mais visitas como essa tão cedo.
- Mas...
- Venha Alvo – disse o professor levando o garoto para fora. Seu olhar procurava pelo retrato de Severo mais uma vez. O professor não voltara.
Naquele dia Alvo havia perdido a aula de Defesa contra as Artes das Trevas, e teve de entrar no meio da aula de História da Magia, e ainda ouvir meia hora de indiretas vindas da professora quanto a alunos que se acham superiores e que acham ter direito de entrar nas aulas quando acharem melhor.
Passou a tarde livre que tinha sozinho na sala Comunal, e à meia noite partiu para a torre de astronomia, onde evitou os comentários dos amigos e conheceu a professora Leavitt, que parecia a pessoa mais louca que Alvo poderia conhecer no castelo.
Ao terminar de observar as constelações saiu rápido da torre, desceu e foi direto para seu dormitório. Quando Escórpio entrou, fingiu estar dormindo, mas só conseguiu realmente pegar no sono muito mais tarde.
Postado por Lucas Izumi às 01:15 0 comentários
Marcadores: Aventura, Daniel, Harry Potter
Internet Explorer 5 e 6. Melhor visualizado em Internet Explorer 7 e Mozilla Firerox.